quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Adeus a Pinheirense

Nos anos 60 a Ferroviária de Araraquara (SP) ficou conhecida como produtora de jogadores qualificados, e o São Paulo se apressava em buscá-los para reabastecer seu elenco. Foi assim com a dupla de ataque Maritaca e Téia e os ponteiros-direitos Peixinho e Faustino, para não se alongar nos exemplos. Nos anos 80 essa mesma “Ferrinha” foi propagada nacionalmente porque contava com um dos jogadores mais violentos do futebol brasileiro: Antenor José Cardoso ou simplesmente Pinheirense, que morreu no dia 21 de agosto em Recife (PE).
Pinheirense completaria 54 anos de idade em novembro, era natural do Maranhão, e sua aparição deu-se no Náutico no final dos anos 70. A fama de homem mau se consolidou na Ferroviária, nos anos 80, quando impiedosamente “abria a caixa de ferramenta”, diziam antigos locutores esportivos. Na maioria das vezes acertava meio gomo da bola e metade do pé do adversário. Logo, foi recordista de expulsões e, apesar disso, ainda arrumou emprego em clubes do interior de São Paulo, Londrina (PR) e Coritiba.
Quis o destino que Pinheirense vivesse os últimos dez anos em uma cadeira de roda. Ficou paraplégico ao ser alvejado com um tiro pelas costas, disparado pelo marido de uma ex-namorada, na capital paulista.
Alguns treinadores do passado foram responsabilizados por violência de seus jogadores. Mandavam “matar” jogadas no nascedouro e pernas de adversários eram atingidas. Houve um período em que se dizia “bola ou bolim”, referência que passava a bola, mas não passava o adversário. Na época, descreviam jogador violento como aquele que “batia da medalhinha pra cima”.
O falecido zagueiro Moisés - que jogou no Bangu e Corinthians - tinha fama de xerife, mas raramente era expulso. Ele lembrava que jogava duro, mas sem deslealdade. “Quase ganho o Belfort Duarte”, brincou certa ocasião, numa referência ao prêmio instituído pelo Conselho Nacional de Desportos em 1945, e entregue ao atleta que passava dez anos sem ser expulso de campo.
Márcio Rossini - ex-Marília (SP), Santos, Bangu e Flamengo - jogava duro e muitas vezes recebeu o cartão vermelho. Foi o típico zagueiro temido por atacantes adversários, embora não se valesse só da compleição física para se impor. Era bom marcador, tanto que jogou em grandes clubes e foi campeão paulista no Santos em 1984, quando formava dupla de zaga com Toninho Carlos.
Na época, parte dos zagueiros extrapolava em jogadas mais duras quando seus times eram mandantes de jogos. Pressionada, a “juizada” pipocava no momento da expulsão, porque não tinha segurança nos estádios e temia por agressões.
Agora, quem abusa do antijogo na maioria das vezes recebe o cartão vermelho até mesmo no primeiro tempo. E o ex-árbitro Almir Ricci Peixoto Laguna ficou marcado num derbi campineiro - Ponte e Guarani - há 26 anos, pela coragem ao expulsar o lateral-direito pontepretano Édson Abobrão com menos de um minuto de jogo, após entrada violenta sobre o meia Neto.

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