Em pouco mais de 14 meses morreu o segundo ex-atleta do Palmeiras, vitimado pelas complicações decorrentes do Mal de Alzheimer. Final de março do ano passado foi o então zagueiro Alfredo Mostarda. Agora, neste quatro de junho, morreu o ex-atacante Leivinha, aos 76 anos de idade, sendo que ambos fizeram parte dos tempos do clube batizado de 'Academia Palmeirense', na década de 70 do século passado.
Abri dezenas de páginas na Internet em busca da informações sobre o início da doença dele, que provoca perda da memória, e nada. Isso porque em 2017, em entrevista ao radialista Milton Neves, João Leiva Campos Filho estava lúcido para o detalhamento da carreira, revelando ter marcado gol de cabeça, de fora da área, no goleiro uruguaio Mazurkiewicz, do Atlético Mineiro. Logo, há casos de ex-atletas com perda da memória por tempo bem maior, como o ex-zagueiro Hideraldo Luís Bellini, que conviveu com a doença por 18 anos.
Nem precisava pesquisar a carreira dele pra saber que aos 15 anos de idade já jogava no Linense, transferido à Portuguesa em 1966 para ser o camisa oito e fazer dupla de área com Ivair. Depois, a sequência triunfal no Palmeiras no quadriênio a partir de 1971, e trajetória no Atlético de Madrid, da Espanha.
Quando voltou ao Brasil em 1979, para jogar no São Paulo, lesões no joelho abreviaram a carreira dele aos 29 anos de idade, abrindo espaço para que, anos depois, assumisse a função de analista através do canal SporTV. Como durante a carreira foi vitimado por outras tantas contusões, associando-se àquelas fora do futebol, ele confessou ter se submetido a 18 cirurgias.
Assim, ficou a recordação de um dos maiores cabeceadores do futebol brasileiro de todos os tempos, inclusive marcando gol neste estilo na decisão de título contra o São Paulo, em 1971, quando o saudoso árbitro Armando Marques anulou, com a justificatica improcedente de o jogador ter usado a mão na jogada. Seria o gol de empate que daria o título ao Palmeiras.
Como se vê, cronistas não realçam o drible desconcertante que aplicava, sabe-se lá se foi ele quem criou, ou de quem copiou, de bater na bola com pé, levando-a rapidamente ao outro, em balanço típico que desmontava o marcador. E esse estilo foi copiado pelo ex-meia Paulo César Caju e me encorajou a incansáveis ensaio para colocar em prática no futebol varzeano.
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