sábado, 19 de setembro de 2026

Roger Silva, de homem gol e treinador de acessos

O histórico do ex-centroavante Roger Rodrigues da Silva, natural de Campinas e hoje treinador - é marcado de extrema curiosidade. Afinal, qual atleta revelado por um clube - como foi o caso dele na Ponte Preta em 2003, e sequência em mais três anos - voltasse a defendê-lo por mais quatro vezes, na condição de empréstimo?

Pois isso ocorreu nas temporadas de 2007, 2012, 2016 e 2020, porém com fase marcante nos primeiros três anos de clube, com faro de gols e confissão que aquele era o seu coração.

Roger, que em janeiro passado completou 41 anos de idade, se despontou como o atacante com presença frequente na área para complemento de jogadas - quer no chão, quer por cima - assim como nas construções de jogadas. Exatamente por isso despertou interesse do São Paulo, que veio buscá-lo justamente no ano que o clube conquistou o título da Libertadores da América.

Todavia, na condição de reserva de nomes como Grafite e Diego Tardelli, as oportunidades foram raras, e assim foi considerado prescindível no elenco, o que facilitou empréstimos a clubes como o Palmeiras, Al Nassr da Arábia Saudita, Sport Recife, Fluminense, Vitória e Guarani até 2010, quando teve a experiência internacional no Kashiwa Reysol do Japão, disputando a segunda divisão, sem contudo se adaptar àquele novo ambiente, tanto que no ano seguinte acabou emprestado ao Ceará.

Curioso é que ele voltou a ter experiência no mercado internacional no Suwon Samsung Bluewings, da Coréia do Sul, em 2014, repetindo a falta de adaptação, e assim foi alternando passagens por clubes médios e grandes do Brasil como Corinthians, Botafogo (RJ), Internacional (RS), Red Bull Brasil e Operário do Paraná.

Em dezembro de 2020, foi contratado pela Inter de Limeira para disputar o Paulistão de 2021. Ao término da competição, anunciou a sua aposentadoria na carreira de atleta, sem que aquilo significasse afastamento do futebol. Incontinente, assumiu o cargo de gerente de futebol do clube, provavelmente sem imaginar que três meses depois fosse assumir interinamente a função de treinador na própria Inter.

A carreira ganhou relevância ao conquistar o acesso do Athletic (MG) à Série B do Brasileiro em 2024, o que permitiu engate na nova função em clubes como Londrina - novamente com acesso à Série B ano passado -, Sport, América Mineiro e agora o Atlético Goianiense.


domingo, 13 de setembro de 2026

Deu zebra, invenção de Gentil Cardoso

 Dezenas de vezes você citou a palavra 'zebra' sobre resultado inesperado de um jogo de futebol, mal sabendo que o criador da metáfora foi o saudoso treinador pernambucano Gentil Alves Cardoso, que passou a usar o bordão quando clubes pequenos do Rio de Janeiro ganhavam dos grandes a partir de 1940. Por que zebra? Porque não fazia parte do jogo de bicho. Era uma estranha na jogatina.

Evidente que Gentil jamais poderia prever que a junção verbo e substantivo ‘deu zebra’ transcendesse a bola, e fosse usada invariavelmente em todos os segmentos. E por que o jogador talentoso é chamado de cobra? Outra metáfora inventada por Gentil Cardoso, um frasista por excelência.

Ao exigir que o seu time trabalhasse a bola no chão, dizia que ‘a bola é de couro, o couro vem da vaca, e a vaca gosta de grama; então, jogue rasteiro meu filho’. Também é dele a frase ‘quem se desloca recebe, quem pede tem preferência’.

O oito de setembro passado marcou o 56º ano da morte dele, que não perdeu o bom-humor até internado no Hospital Central da Aeronáutica, no Rio de Janeiro. 'Doutor, estou entrando na vertical. Veja se não saio na horizontal, porque técnico de futebol não pode trabalhar nessa posição'.

E saiu de lá para o cemitério, deixando uma biografia de migrante negro vitorioso. Foi engraxate, garçom e motorneiro. Nunca foi jogador, mas ingressou na função de treinador do Bonsucesso nos anos 30 do século passado, e quando apitava treino dizia que reservas não ganhavam dos titulares. Se o caldo engrossava, arrumava um pênalti ‘mandrake’ e acomodava a situação. ‘Bola na bunda de time pequeno é pênalti’, brincava.

Seu reino encantado foi o Rio de Janeiro, intercalando passagens pelos grandes clubes. Em 1946, contratado pelo Fluminense, deu um recado aos cartolas logo na chegada: “Se vocês me derem o Ademir (de Menezes), eu lhes darei o campeonato”. Dito e feito. O ex-vascaíno marcou o gol do título contra o Botafogo.

Nos anos 50, treinando o Botafogo, lançou o ponteiro-direito Mané Garrincha. Na época fazia uso de megafone para se comunicar com os jogadores durante os treinos. Em seguida voltou a Recife, em troca de bons contratos, para comandar Sport, Santa Cruz e Náutico. E nos três clubes levantou o caneco. No futebol paulista treinou Ponte Preta e Corinthians. Passou ainda por Nacional do Equador e Sporting de Portugal.


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Ex-meia Neto chega aos 60 anos de idade

Este nove se setembro marca o 60º ano de idade do ex-meia Neto, apresentador de televisão de programa esportivo da TV Bandeirantes. Ele jogou no dente de leite da Ponte Preta e seguiu para o infantil do Guarani, porque sequer quiseram lhe pagar passagens de ônibus de Santo Antônio da Posse - sua cidade natal - ao Estádio Moisés Lucarelli.

Na época, depois de abusar dos lançamentos de rosca, de aplicar dribles elásticos, resmungar com companheiros e fazer o habitual gol de falta, ao voltar para a casa dos pais levou um 'pito' de sua mãe Maria Aparecida dos Santos, a dona Cida, perplexa ao vê-lo sem camisa.

"Ponha a camisa já, menino! Não vê que os fotógrafos estão te esperando", foi a bronca, retrucada logo em seguida: "Que camisa que nada, mãe. Aqui em casa a gente tem que ser assim mesmo, bem à vontade".

Irreverência era marca registrada de Neto, cujas meias invariavelmente ficavam arriadas. Como a maioria dos meninos de 17 anos de idade, ele tinha a mania de espremer espinhas, o cabelo encaracolado caía no rosto e, de personalidade forte, não tinha 'papas' na língua. Aquilo que pensava, falava com naturalidade, mesmo que fosse para o técnico da Seleção Sub-17, como Gilson Nunes.

"Falei pro Gilson Nunes que fosse se danar". E sabe porque tanta irritação? "Ele disse que me substituiu porque eu não estava marcando", justificou. E assim procedia enquanto esteve no Guarani até 1989, quando os seus direitos econômicos foram negociados com o Palmeiras, e posteriormente repassado ao Corinthians.

Quando atingiu a maioridade, Neto começou a ter propensão para engordar e não havia nutricionista que conseguisse controlá-lo. Ele encostava na branquinha de pastel, na feira livre defronte ao Estádio Brinco de Ouro, às quintas-feiras, e saboreava pastéis de todos os tipos.

Como era diferente da boleirada, em 1984 o técnico Carlos Alberto Silva - já falecido - havia terminado a preleção às 14h40, visando jogo do Paulistão, das 16h, no Estádio Brinco de Ouro, e Neto, como se não estivesse preparado para entrar em campo, acompanhou o seu amigo e saudoso jornalista Brasil de Oliveira até o garapeiro, e ambos degustaram dois copos de calda de cana.

Mesmo profissionalizado, jamais esqueceu os seus amigos da categoria de juniores, tanto que frequentava assiduamente os alojamentos do Departamento Amador.


terça-feira, 1 de setembro de 2026

Dez anos sem o centroavante Alcindo, do Grêmio

 O último 27 de agosto marcou o décimo ano da morte do gaúcho Alcindo Martha de Freitas, centroavante que escreveu história como goleador no futebol brasileiro e mexicano. Ele morreu em Porto Alegre (RS), aos 71 anos de idade, vitimado por complicações de seu quadro de diabetes.

Nas Copas do Mundo de 1958 e 1962, quando a Seleção brasileira sagrou-se bicampeã mundial, só a integrava jogadores do eixo Rio-São Paulo dos 22 convocados. Abertura para atletas de outros estados passou a ocorrer em 1966, na Inglaterra, quando o meia Tostão, do Cruzeiro, e Alcindo, do Grêmio (RS), foram convocados, contemplando-se mineiros e gaúchos, respectivamente.

Alcindo era uma máquina de fazer gols, tanto que o histórico de 13 anos pelo Grêmio aponta 264 gols, o maior artilheiro na história do clube, distante do ponta-direita Tarciso, segundo colocado, com 222 gols. Ele também foi decisivo nos Genais. Marcou 13 gols naqueles clássicos, mas erroneamente atribui-se a ele o retrospecto de maior artilheiro nesses jogos, que na prática foi Carlitos, com 42.

Alcindo chegou à Seleção Brasileira como dono da camisa nove, desde que o treinador Vicente Feola convocou 45 jogadores na fase preparatória, até que às vésperas da Copa do Mundo de 1966 definisse os 22. Na estreia contra a Bulgária, na vitória brasileira por 2 a 0, gols de Pelé e Garrincha - ambos em cobranças de faltas - o quarteto ofensivo foi formado por Garrincha, Alcindo, Pelé e Jairzinho.

Com Pelé contundido, o escolhido para substituí-lo diante da Hungria, na segunda partida, foi Tostão, que marcou o gol de honra do Brasil na derrota por 3 a 1. Na ocasião, Alcindo se machucou e não era permitido substituição. Por causa de lesões de atletas e busca de opções técnicas no grupo, Feola fazia mudanças a cada jogo. Diante de Portugal, com Alcindo vetado, Silva - atacante do Flamengo -, foi o substituto, na derrota brasileira por 3 a 1, gol de Rildo para os derrotados.

Aí, no processo de renovação da Seleção Brasileira, Alcindo foi perdendo espaço e restou o histórico de sete jogos, quatro vitórias, dois empates e uma derrota. Todavia, seu estilo rompedor e destemido continuou a serviço do Grêmio até 1971, quando se transferiu para o Santos. Depois, no México, atuou no Jalisco e América. Voltou ao Grêmio em 1977 e encerrou a carreira na Francana, interior de São Paulo.


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Jairzinho, furacão da Copa de 70

 Em 1970, o Galvão Bueno da televisão brasileira era Geraldo José de Almeida, com transmissões de futebol caracterizadas por bordões do tipo 'vamos Brasil, porque a tua fé te empurra'. Identificava Pelé como "craque café"; Rivelino era o "reizinho do parque"; Gerson, o "chuteira de ouro". E quando a bola caía nos pés do atacante Jairzinho, ele estufava o peito, empostava a voz, e o identificava como "furacão da Copa".

O mulato Jair Ventura Filho fez jus ao bordão. Entrou para a história das Copas como jogador a marcar gols em todas as partidas. Foram dois na goleada por 4 a 1 sobre a Tchecoslováquia; foi dele o gol no apertado 1 a 0 sobre a Inglaterra; marcou na vitória por 3 a 2 sobre a Romênia; repetiu a dose nos 4 a 2 diante do Peru; no 3 a 1 contra o Uruguai; e 4 a 1 na conquista do tricampeonato sobre a Itália.

Portanto, sete gols em seis jogos. E nem por isso foi artilheiro da competição. Muller, da Alemanha, fez dez gols. Vejam que às vésperas daquela Copa Jairzinho era reserva do ponteiro-direito Rogério. Ele só vestiu a camisa sete na Seleção Brasileira. Sua posição originária era ponta-de-lança. Admitiu ser deslocado para a 'ponta' porque o técnico Zagallo abdicou de especialistas nas extremas, tanto que o meia Rivelino jogou com a camisa 11.

Jairzinho nasceu no dia de Natal (25 de dezembro), em 1944, e aos 20 anos de idade teve a responsabilidade de vestir a camisa 10 de Amarildo, e caiu no gosto da galera. Ele explorava as passadas largas e tinha facilidade para finalizar, virtudes determinantes para que fosse relacionado à Copa de 1966, jogando contra Bulgária, Hungria e Portugal. E, na Seleção Brasileira, ficou até 1974, ano que deixou o Botafogo e se transferiu ao Olimpique de Marselha, na França.

Dois anos depois, de volta ao Brasil, sagrou-se campeão da Taça Libertadores da América pelo Cruzeiro, teve passagens por Wilstermann da Bolívia e Portuguesa da Venezuela, ocasião em que estava na torturante estrada da volta do futebol. Mesmo assim, brindou torcedores do Noroeste de Bauru (SP) e Fast Clube (AM) com algumas boas jogadas.

O encerramento da carreira de Jair Ventura Filho foi no Botafogo, em 1981. Depois disso empresariou jogadores, e, devido ao discernimento para avaliá-los, foi o descobridor do ex-atacante Ronaldo 'Fenômeno'. Ele é pai de Jair Ventura, treinador do Vitória (BA).

domingo, 16 de agosto de 2026

Geraldo, morte aos 22 anos de idade

 Foi no dia 26 de agosto de 1976 que o futebol brasileiro ficou chocado com a inesperada morte do talentoso meia Geraldo, do Flamengo, aos 22 anos de idade, no Rio de Janeiro. Ele foi vítima de choque anafilático, provavelmente por reação à algum medicamento composto na anestesia, quando se submetia a cirurgia para extrair as amigdalas.

Se naquela época Geraldo atendeu recomendação médica para que se submetesse a cirurgia, hoje é possível controle clínico de infecções das amigdalas devido aos avanços terapêuticos. Médicos otorrinolaringologistas prescrevem tratamentos através de antibióticos eficazes e seguros, com respostas satisfatórias.

Quando a cirurgia é indicada por causa de prejuízo de respiração, sono, alimentação, fala, ou registro de infecções frequentes, pacientes se submetem previamente a exames pré-operatórios com o anesteriologista. Aí é avaliado o histórico de rejeição a remédios, que se juntam ao diagnóstico sobre aqueles que podem interagir com os anestésicos, para não haver anormalidade.

Geraldo jogou no Flamengo no triênio a partir de 1975, com chegada à Seleção Brasileira. Assim, disputou a Copa América de 1975, e foi considerado promessa à Copa do Mundo de 1978, na Argentina, mas não deu tempo. O defeito incorrigível foi a falta de ambição para finalizar contra metas adversárias. Preferia o passe a companheiro, e isso reflete no retrospecto de apenas 13 gols nas 168 partidas com a camisa do Flamengo.

Mineiro de Barão de Cocais - distante 100 quilômetros de Belo Horizonte -, Geraldo Cleofas Dias Alves foi revelado na base do Flamengo e integrou a geração de ouro do clube comandada por Zico, e corria de cabeça erguida,

Consta do histórico dele o título carioca de 1974, em época que contabilizava-se dois pontos por vitória. Como o Flamengo venceu o América por 2 a 1 e empatou sem gol com o Vasco, chegou a três pontos, em jogo presenciado por 165.358 torcedores. Eis o time da época: Renato; Júnior, Jayme, Luiz Carlos e Rodrigues Neto; Zé Mário, Geraldo e Zico; Paulinho, Édson e Julinho.

Irônico, Geraldo tinha hábito de assoviar quando fazia jogadas de efeito. Logo, o vício lhe rendeu o apelido de Geraldo do Assovio. Zico, entretanto, acrescentou que o hábito de assoviar também era fora de campo, principalmente a música ‘You Song, do cantor Elton John e interpretada pelo saudoso Billy Paul.


domingo, 9 de agosto de 2026

Adeus ao centroavante e goleador Geraldão

 A morte do ex-centroavante Geraldão, neste seis de agosto - por motivos não revelados - nos remete a curiosa e controvertida história da carreira dele no futebol, entre as décadas de 70 e 80 do século passado, quando atletas não se 'policiavam' nas palavras, e era comum prometerem marcar gols em clássicos, imitando o marqueteiro Dadá Maravilha.

O raçudo Geraldão, que valia-se da caixa torácica avantajada para trombar com a ‘becaiada’ e marcar gols, também participou da farra de prometê-los. Em 1982, numa decisão de título regional de seu Inter (RS) contra o rival Grêmio, chamou a imprensa e prometeu e título ao Colorado com dois gols dele.

E quem foi ao Estádio Olímpico viu os tais gols prometidos no seu estilo inconfundível, em ano que o faro de gols o transformou em artilheiro do 'Gauchão’ daquela temporada, com 20 deles, nesse time: Benitez; Edvaldo, Mauro Pastor, Mauro Galvão e André Luís; Ademir Kaefer, Cléo e Rubens Paz; Sílvio, Geraldão e Silvinho.

Geraldo da Silva, nascido em Álvares Machado (SP), caneleiro assumido, identificado como Gerardão, havia completado 77 anos de idade em julho passado, e tinha a sina de brilhar contra rivais. Foi assim nos tempos de Botafogo de Ribeirão Preto de 1970 a 1975, quando formou dupla de ataque com o saudoso Sócrates. Bastava a tabela do Paulistão programar Come-Fogo (Botafogo x Comercial) para os comercialinos tremerem na base.

Foi artilheiro do Paulistão de 1974 com 24 gols e, já na temporada seguinte, quando contratado pelo Corinthians, se transformou em carrasco do São Paulo. E com aqueles 23 gols marcados no Paulistão de 1977, ajudou o clube a quebrar um jejum de títulos que se aproximava de 23 anos, na decisão contra a Ponte Preta. O time, comandado pelo saudoso treinador Oswaldo Brandão, tinha essa formação: Tobias; Zé Maria, Moisés, Ademir Gonçalves e Wladimir; Ruço, Basílio e Luciano Calhoada (Palhinha); Vaguinho, Geraldão e Romeu.

Em 1978, emprestado ao Juventus, retornou no ano seguinte e retomou a dupla de área com Sócrates, mas a história dele no Corinthians durou mais um ano, caracterizada com histórico de 278 jogos e 90 gols. Todavia, a partir de 1985 começou o calvário, com repasses a pequenos clubes, como o extinto União Valinhos, Francana, Corinthians de Presidente Prudente, Itararé e Garça em 1989, quando encerrou a carreira.


domingo, 2 de agosto de 2026

Rivellino, o inventor do drible elástico e desconcertante

A voz 'taquara rachada' do ex-meia Roberto Rivellino, quando atuava como comentarista esportivo da TV Bandeirantes, era irrelevante diante do conteúdo de suas observações sobre futebol. Ele é dos tais que esteve no campo, jogou muito e entrou para a história como inventor do drible elástico, que consiste em levar a bola grudada no lado interno do pé e, de repente, com habilidade peculiar, no movimento de vaivém, a esticava com o lado externo do pé, deixando o adversário estupefato.

Era aí que Rivellino aproveitava o clarão para disparar aquelas 'bombas' mortais para os goleiros. Ele foi mais um dos inúmeros talentos lapidados pelo futsal. Nas quadras, quando moleque, aprendeu a conduzir a bola colada ao pé canhoto. E a escondia com a inteligência exigida para meias de armação.

Aquela qualidade, 'míopes' do departamento amador do Palmeiras não viram, para frustração de seu pai Nicola Rivelino, que morria de amores pelo Verdão, e incentivou o filho a procurar abrigo no rival Corinthians, em meados da década de 60. Assim, pra lá ele levou aquela habilidade singular, chute forte e certeiro, resultando no apelido de 'reizinho'.

Contra o Palmeiras fazia questão de jogar bem, para mostrar o erro que cometeram ao dispensá-lo. No Corinthians ficou de 1965 a 1974, quando se transferiu ao Fluminense, no período que o clube foi chamado de 'Máquina Tricolor', com conquista do bicampeonato carioca de 1975/76, ao lado de craques como Paulo César Caju, Doval, Pintinho e Carlos Alberto Torres.

Lá ficou até 1979, quando foi jogar no Al-Hilal, da Arábia Saudita. Dois anos depois, desavenças com o príncipe Kaled, dono do clube, implicaram no encerramento da carreira, aos 35 anos. Antes disso, havia declarado que pretendia jogar até os 42 anos de idade. No retorno, disputou partida amistosa pelo São Paulo, contra a Seleção da Arábia Saudita, no Estádio do Morumbi.

Rivellino foi um exímio cobrador de faltas, tanto que o saudoso argentino Diego Maradona o considerou o melhor jogador que viu jogar. E foi um dos destaques da Seleção Brasileira no tricampeonato da Copa do Mundo de 1970, quando recebeu o apelido de 'Patada Atômica', dos mexicanos.

Na Copa do Mundo de 1974 foi um dos poucos que apresentaram bom futebol. Em 1978, embora relacionado para o Mundial na Argentina, ficou na reserva de Zico, por estar contundido.


sábado, 25 de julho de 2026

Adeus ao ex-zagueiro Fernando Nariz

A morte do ex-zagueiro Fernando Nariz - também identificado como Fernando Narigudo - no dia 22 de julho passado, aos 72 anos de idade, foi tida como esperada, visto que estava internado no Hospital das Clínicas de Bauru (SP), ao enfrentar problemas de saúde.

A passagem dele a partir do Comercial de Ribeirão Preto, em 1974, e estendida até 1992, na Matonense, nos remete aos tempos que ele se sobressaía no jogo aéreo e muita voluntariedade. Seu segundo clube na carreira foi o Santos, quando era reserva daquela equipe chamada 'Meninos da Vila', que conquistou o título paulista em 1978, num período em que era admissível apelidos constrangedores.

Foi época que isso era encarado com naturalidade, e remonta a década de 50 do século passado, quando o goleiro do Fluminense, Carlos da Silva Nascimento, acabou apelidado como Valudo pelos parceiros de clube, com justificativa que a pele dele era macia e lisa, parecida com tecido de veludo.

O então goleiro Manga foi assim identificado devido ao formato de sua cabeça, em época que o então franzino volante Chico, do Santos, inicialmente chamado de mosquitinho, teve que admitir o apelido de 'Formiga', e passou a ser citado como Chico Formiga.

Situação semelhante resultou no apelido de Alfinete ao lateral-direito do Corinthians do triênio a partir de 1981, época que o ex-centroavante Picolé - de Palmeiras e Portuguesa Santista - torcia o nariz pela forma como era chamado.

Cabe citar ainda mais dois casos na década de 80. Quando revelado pela Ponte Preta, o lateral-direito Edson foi apelidado de Abobrão, pelo fato de ter surgido no treino-peneira do juvenil com meias da cor abóbora. Já o ponta-de-lança Rubens Feijão não se zangava pelo apelido.

Quanto ao zagueiro Fernando Guisini Neto, que o nariz dele era desproporcional, isso ninguém negava. Nascido em Lençóis Paulista (SP), 1,80m de altura, iniciou a carreira de atleta no Comercial de Ribeirão Preto em 1974, e na temporada seguinte já estava vinculado ao Santos, com sequência basicamente em clubes do interior paulista, entre eles o Guarani, quando foi vice-campeão brasileiro de 1986, como reserva de Ricardo Rocha, e no clube ainda permaneceu na temporada seguinte.

Quando do encerramento da carreira de atleta, ingressou na função de treinador, em clubes do interior paulista, a maioria nas categorias de base.


domingo, 19 de julho de 2026

Toninho Cerezo, um volante que foi evoluindo

 Antigamente, médio volante que só marcava não tinha camisa até em times do interior. Precisava saber passar bem a bola e, de vez em quando, fazer uns golzinhos. Foi assim com Zito, Dino Sani e Lima na década de 60 do século passado, e persistiu com o Toninho Cerezo nos anos 70.

Cerezo foi um exemplo de profissionalismo. Reconhecia humildemente as suas deficiências e tratou de corrigi-las ao longo da carreira, até a conquista do bicampeonato mundial de clubes pelo São Paulo, contra Roma, no Japão, em 1993, na maiúscula vitória são-paulina por 3 a 2.

Ele marcou um dos gols, sendo os demais através de Palhinha e Miller. Naquela noite, o São Paulo do técnico Telê Santana atuou com Zetti; Cafu, Valber, Ronaldão e André Luiz; Toninho Cerezo, Dinho, Leonardo e Doriva, Palhinha (Juninho) e Miller.

Em 1971, lançado no time principal do Atlético Mineiro, Cerezo era o típico jogador fominha, que adorava conduzir excessivamente a bola, às vezes abandonava a posição e era cobrado acintosamente. Por isso, em 1972, dirigentes do clube optaram por emprestá-lo ao Nacional de Manaus, juntamente com os meias Ângelo e Paulo Isidoro.

Embora ele tivesse se adaptado rapidamente ao intenso calor da região Norte do País, no ano seguinte os três foram reincorporados ao elenco do clube mineiro, ocasião que Cerezo dividiu opiniões. Para alguns, não passava de um 'peladeiro'; para outros, jogador de futuro, pois levava a bola em velocidade ao ataque.

Assim, permaneceu no clube até 1983, quando se transferiu à Roma e depois Sampdoria. E no futebol italiano ficou até 1992, conquistando títulos em ambos. Depois da passagem vitoriosa pelo São Paulo em 1993, ainda jogou no Etti/Jundiaí e Cruzeiro, arquirival atleticano, onde encerrou a carreira.

Ele foi atleta admirado pelo saudoso treinador Telê Santana, que o escalou na maioria das 72 partidas no comando da Seleção Brasileira, onde o atleta deixou a marca da falha crucial na partida contra a Itália, na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, que resultou na eliminação precoce do selecionado.

Quando encerrou a carreira, Cerezo voltou ao Estádio do Morumbi, para aprender a ser comandante de grupo com o mestre Telê, mas não prosperou na função, nas passagens por Atlético Mineiro, Vitória (BA) e futebol japonês, indicado pelo amigo Zico, e longe de cobranças de torcedores de cartolas.



sábado, 11 de julho de 2026

Goleiro Veloso fez historia no Palmeiras

Wagner Veloso, que entrou para a história do Palmeiras como o quarto goleiro que mais vestiu a camisa do clube, com 458 jogos, se sobressaiu pela persistência durante os anos 80 e 90 do século passado. Foram incontáveis situações desconfortantes ao ingressar na carreira, mas teve personalidade para enfrentá-las.

Isso porque, quando criança, em sua cidade natal de Araras (SP), brincava no portão de casa com o irmão, e o pai, serralheiro, soldava as partes danificadas. E quando se submeteu a testes no juvenil do Guarani, foi reprovado pelo preparador de goleiros da época, o saudoso Dimas Monteiro. Nem por isso esmoreceu.

Procurou oportunidade nas categorias de base do Palmeiras e foi aprovado, passando do infantil até aspirantes, integrando a Seleção Brasileira de base como terceiro goleiro e transformou-se em titular. Na sequência, uma séria lesão no braço colocou o início da carreira em risco, pois ele não conseguia girá-lo e tinha que fazer ajuste com o ombro.

Logo, teve que se submeter a três cirurgias, com enxerto ósseo. E, se dependesse da desestimulante fala do médico do profissional do clube, já teria se desligado. Ele lhe citou, taxativamente, que estava acabado para o futebol. Todavia, persistente, continuou o tratamento que se prolongou por mais de um ano, até que em 1988 assinou contrato profissional como terceiro da posição, atrás do titular Zetti e Ivan.

Com a chegada no Palmeiras do então treinador Nelsinho Baptista, dois anos depois, Veloso estava entre os dispensáveis, pois havia recomendação para a contratação de outro goleiro. Assim, acabou emprestado ao União São João de Araras, e as atuações convincentes ajudaram no acesso do clube ao Paulistão e Série A do Brasileiro. No retorno ao Palmeiras, para alternar a titularidade com o goleiro Sérgio, teve dificuldade para renovação de contrato em 1993, e isso gerou empréstimo ao Santos.

No retorno ao Palmeiras, valorizado, passou a contar com apoio do preparador de goleiros Valdir Joaquim de Moraes. Ele também entrou para a história do clube por ter sofrido gol de goleiro, com bola rolando. Foi em fevereiro de 1997, no Estádio Brinco de Ouro, quando o Palmeiras vencia o Guarani até os 46 minutos do segundo tempo por 3 a 2, e o então goleiro bugrino Hiran foi a área adversária, em cobrança de escanteio, e acertou cabeçada indefensável.


domingo, 28 de junho de 2026

Zé Elias, um volante de muita vitalidade física

 Quem vê o ex-volante Zé Elias com detalhamentos táticos de jogos, através do canal ESPN, observa uma aula a incontáveis analistas de veículos de comunicação que vivem de elucubrações. É que o ex-atleta trabalhou com renomados treinadores e tem facilidade para se expressar, como exige a função do comunicador esportivo.

É obrigatório contar a história dele, enquanto atleta, associando a informação que, a princípio, na adolescência, ganhava mais dinheiro em clubes de futsal, modalidade esportiva praticada ainda criança, quando já mostrava vitalidade física para o desarme, e, de posse de bola, provocava correria no sentido da meta adversária.

Foi o Corinthians, através do saudoso treinador Mário Sérgio, quem lhe deu a primeira oportunidade em 1993, quando ainda tinha 16 anos de idade, identificado por alguns como jogador botinudo, pela forma contundente que disputava cada jogada, com carrinhos por vezes perigosos, embora ele jura ter sido expulso apenas seis vezes durante a carreira.

Na sequência, foi se aprimorando no aspecto técnico e viveu seu melhor momento no Corinthians em 1995, com os títulos do Paulistão, Copa do Brasil e convocação para a Seleção Brasileira. Logo, despertou interesse de clubes do futebol europeu, com passagens pelo Bayer Leverkusen da Alemanha, em 1996. Na Itália, integrou a Inter de Milão, quando atuou ao lado do meia Zidane e atacante Ronaldo Fenômeno. Por lá ainda esteve vinculado ao Bologna e Genoa, além de Olympiacos (GRE) e Omonia, do Chipre.

Após oito anos no exterior, Zé Elias retornou ao Brasil em 2004 para jogar no Santos, onde fez parte do elenco que conquistou o Campeonato Brasileiro daquela temporada. E antes do encerramento da carreira ficou três no Guarani, assim como esteve no Londrina em 2008, ocasião que chegou a marcar a despedida das atividades, mas foi convencido a voltar com proposta do clube austríaco Rheindorf Altach, onde ficou até a temporada seguinte.

Em 2011, já desvinculado de clubes, migrou à função de comentarista de futebol da Rádio Globo de São Paulo. Ele também foi surpreendido com ordem de prisão, justificada por não pagamento da pensão alimentar a filhos. Ficou encarcerado durante um mês, quando negou o descumprimento. O argumento foi ter feito o pedido de pagamento revisional de valores, visto que os seus rendimentos ficaram menores.


sábado, 20 de junho de 2026

Morgado, árbitro exibicionista, foi vítima da AIDS

Desportistas da 'velha guarda' dividiam opiniões sobre o saudoso árbitro de futebol Roberto Nunes Morgado, quer pela capacidade de conduzir partidas, quer pelo exibicionismo. Ele morreu aos 42 anos de idade em abril de 1989, esquecido e abandonado. Passou os últimos dias de agonia e assistido por uma família missionária alemã, numa casa na Cúria Metropolitana, em São Paulo.

Embora tivesse sido duramente castigado pela AIDS, desconfiava dos resultados dos exames, suspeitando ser vítima de meningite. E assim travou luta de 14 meses contra a doença. Quando apitava era magrelão. Não devia pesar mais do que 50 quilos, e foi se definhando em 1989, quando o seu amigo e ex-presidente do Sindicato dos Árbitros de São Paulo, José Astolphi, disse que ele pesava 28 quilos quando morreu.

Atormentado pela doença, cada dia era mais difícil controlá-lo. Quem supunha que a transferência para Casa Bezerra de Menezes, em São Bernardo do Campo, na grande São Paulo, pudesse acalmá-lo, se enganou. Dava mais trabalho que criança 'birrenta' para os médicos.

Já sem ajuda da família, foi transportado para uma casa especializada em pacientes ainda no bairro da Penha, em São Paulo, mantido pela Curia Metropolitana. E lá se sossegou um pouco ao ser tratado com carinho.

Astolphi esteve ao lado dele naquelas horas difíceis Foi companheiro inseparável que o carregou no colo, deu banho e vestiu as roupas antes do enterro. Os meses afetados pela AIDS foram dramáticos para Morgado, com período de crise depressiva no Hospital Emílio Ribas, na capital paulista, onde ficou hospitalizado e internado ao lado de pacientes terminais.

Morgado foi bissexual, casado e tinha adoração pelos filhos Luciano e Luana. E perguntava com insistência por eles antes da morte. Portanto, se dizem que um bom árbitro precisa necessariamente passar despercebido durante numa partida, ele foi exceção à regra. Como fazia questão de ser 'estrela', abusava de malabarismo com os braços para indicar lances em cobranças de faltas, e soprava o apito com força só pela satisfação de ouvir o som seguir na arquibancada.

No Paulistão de 1978, foi esfaqueado por um de seus auxiliares. Em 1983, quando apitava o jogo entre Vasco e Ferroviario (CE), expulsou os policiais militares do gramado, e a Comissão de Arbitragem da CBF exigiu que fizesse exame de sanidade mental.


domingo, 14 de junho de 2026

Adeus ao ex-zagueiro Brito

A morte do então zagueiro Brito neste 11 de junho, aos 86 anos de idade, em decorrência de uma pneumonia, nos remete ao ano de 1970, marcado por duas situações diferentes sobre ele: primeiro a conquista do tricampeonato mundial pela Seleção Brasileira. Logo em seguida, quando emprestado pelo Flamengo - clube que defendeu em 1969 - ao Cruzeiro, se vingou do saudoso treinador Yustrich.

Ainda no Flamengo, Brito se irritou com o comandante por ousar deixá-lo na reserva, mantendo o zagueiro Washington no time titular, enquanto participava de jogos das Eliminatórias àquela Copa do Mundo. Aquilo gerou uma situação conflitante com o comandante e, inconformado, pediu para sair, e foi emprestado ao Cruzeiro.

Aí, após o titulo em 1970, e de volta o Cruzeiro, quando o clube enfrentou o Flamengo, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, na vitória cruzeirense por 3 a 1, ele xingou Yustrich e ainda arremessou a sua camisa na cara dele, em postura que gerou tumulto à beira do gramado, onde o agredido tentou sair do túnel ao encalço dele, mas foi contido por integrantes da comissão técnica e jogadores reservas.

Hércules Brito Ruas, o Brito, dividia opiniões. Para uns destoava entre as 'estrelas' do selecionado brasileiro; outros elogiavam o estilo raçudo e veloz dele, além da soberania no jogo aéreo.

A trajetória foi iniciada no Vasco da Gama em 1958, e dois anos depois passagens por empréstimo no Internacional (RS). Em 1964 ganhou as primeiras oportunidades na Seleção Brasileira, com projeção para futuramente participar de Copa do Mundo, como em 1966, na Inglaterra.

Em 1970, foi considerado o jogador com o melhor preparo físico daquela Copa. Tanto que, 'reza a lenda,' quebrou aparelho de academia ao se exercitar.

Na trajetória clubística, esteve vinculado ao Botafogo (RJ) em 1971, e, num clássico contra o Vasco, deu um soco no árbitro José Aldo Pereira, após a marcação de um pênalti contra o clube que defendia, em agressão que resultou em um ano de suspensão.

Ele jogou no Corinthians em 1974 e Athletico Paranaense na temporada seguinte, Montreal Castors do Canadá, Deportivo Galícia da Venezuela e River-PI. Ao encerra a carreira, arrumou emprego de funcionário público estadual do Rio de Janeiro - sua cidade natal -, em projeto que visava a comercialização de remédios a preços mais baratos, para a população de baixa renda.


domingo, 7 de junho de 2026

Adeus ao atacante Leivinha, aos 76 anos de idade

Em pouco mais de 14 meses morreu o segundo ex-atleta do Palmeiras, vitimado pelas complicações decorrentes do Mal de Alzheimer. Final de março do ano passado foi o então zagueiro Alfredo Mostarda. Agora, neste quatro de junho, morreu o ex-atacante Leivinha, aos 76 anos de idade, sendo que ambos fizeram parte dos tempos do clube batizado de 'Academia Palmeirense', na década de 70 do século passado.

Abri dezenas de páginas na Internet em busca da informações sobre o início da doença dele, que provoca perda da memória, e nada. Isso porque em 2017, em entrevista ao radialista Milton Neves, João Leiva Campos Filho estava lúcido para o detalhamento da carreira, revelando ter marcado gol de cabeça, de fora da área, no goleiro uruguaio Mazurkiewicz, do Atlético Mineiro. Logo, há casos de ex-atletas com perda da memória por tempo bem maior, como o ex-zagueiro Hideraldo Luís Bellini, que conviveu com a doença por 18 anos.

Nem precisava pesquisar a carreira dele pra saber que aos 15 anos de idade já jogava no Linense, transferido à Portuguesa em 1966 para ser o camisa oito e fazer dupla de área com Ivair. Depois, a sequência triunfal no Palmeiras no quadriênio a partir de 1971, e trajetória no Atlético de Madrid, da Espanha.

Quando voltou ao Brasil em 1979, para jogar no São Paulo, lesões no joelho abreviaram a carreira dele aos 29 anos de idade, abrindo espaço para que, anos depois, assumisse a função de analista através do canal SporTV. Como durante a carreira foi vitimado por outras tantas contusões, associando-se àquelas fora do futebol, ele confessou ter se submetido a 18 cirurgias.

Assim, ficou a recordação de um dos maiores cabeceadores do futebol brasileiro de todos os tempos, inclusive marcando gol neste estilo na decisão de título contra o São Paulo, em 1971, quando o saudoso árbitro Armando Marques anulou, com a justificatica improcedente de o jogador ter usado a mão na jogada. Seria o gol de empate que daria o título ao Palmeiras.

Como se vê, cronistas não realçam o drible desconcertante que aplicava, sabe-se lá se foi ele quem criou, ou de quem copiou, de bater na bola com pé, levando-a rapidamente ao outro, em balanço típico que desmontava o marcador. E esse estilo foi copiado pelo ex-meia Paulo César Caju e me encorajou a incansáveis ensaio para colocar em prática no futebol varzeano.


sábado, 30 de maio de 2026

Da Copa do Mundo de 1958, apenas quatro brasileiros ainda estão vivos

Véspera de Copa do Mundo é classificada como oportuna à publicação intitulada 'Os únicos campeões mundiais de 1958 ainda vivos!, do site 'O Curioso do Futebol', assinada por Tiago Cardoso, escrivão de polícia e professor de geografia, quando cita os quatro atletas brasileiros sobreviventes daquela Copa do Mundo, edição da conquista do primeiro título, em competição disputada na Suécia.

De fato, aquela seleção campeã do mundo eternizou Pelé e Garrincha, enquanto daquele grupo continuam vivos apenas o meia-armador Moacyr, atacante Mazola, ponteiro-esquerdo Pepe e volante Dino Sani, o mais idoso deles, que completou 94 anos de idade no último 23 de maio.

Dino foi campeão pelo São Paulo em 1957 e chegou a formar dupla de meio de campo com Roberto Rivellino, no Corinthians. Ele foi titular somente durante a primeira fase da Copa de 1958, e teve carreira marcante também no futebol europeu, especialmente no Milan (ITA), e ainda é lembrado como um dos grandes volantes brasileiros de sua geração, além de ter sido reconhecido como treinador bem-sucedido.

Quanto a Pepe, foi reserva de Zagallo nas edições dos Mundiais de 1958/62. Ele tem 91 anos de idade e teve carreira construída exclusivamente no Santos, ao marcar 405 gols, considerado o segundo maior artilheiro da história do clube, somente atrás de Pelé.

E parte significativa dos gols ocorreram através de cobranças de faltas, com o seu chute forte, que resultou no batismo de 'cachão da Vila'. Por isso ele tem o hábito de citar que é 'o maior artilheiro humano da história santista', já que considera Pelé um fenômeno acima de qualquer comparação. E Pepe teve carreira bem-sucedida como treinador, ao conquistar o título paulista inédito pela Inter de Limeira, em 1986, ano que também foi campeão brasileiro pelo São Paulo.

A história de Mazola, eternizado na Europa como Altafini (José João Altafini) mostra que embora tivesse participado do título brasileiro da Copa do Mundo de 1958, naturalizou-se italiano e disputou a Copa do Mundo de 1962 pela Itália, país de origem de sua família.

Piracicabano, defendeu o clube de sua cidade no quadriênio a partir de 1950 e vai completar 88 anos de idade no próximo dia 24 de junho, enquanto Moacyr foi reserva no Mundial da Suécia, quando defendia o Flamengo. Ele vive no Equador, país onde encerrou a trajetória como jogador.


sexta-feira, 22 de maio de 2026

Adeus ao ex-meia Geovani do Vasco

 O já falecido apresentador de televisão Antônio Abjamra tinha um programa de entrevistas na TV Cultura chamado 'Provocações', e durante o encerramento perguntava ao entrevistado 'o que é a vida'? Pois cabe uma avaliação dos mistérios dela, com base na imprevisibilidade dos momentos vividos pelo ex-meia Geovani Faria da Silva, ídolo do Vasco da Gama nos anos 80 do século passado, morto no último 18 de maio, aos 62 anos de idade, em Vila Velha (ES), vítima de parada cardíaca, após passar mal de forma repentina.

Da felicidade pelas memoráveis atuações no clube cruzmaltino, ele também jogou no exterior pelo Karlsruher da Alemanha, Bologna da Itália, Tigres do México, sem que repetisse as atuações anteriores. De volta ao Brasil, atuou novamente no Vasco e, já na estrada da volta, esteve no Paulista de Jundiaí (SP), XV de Jaú (SP), Linhares (ES), Serra e Vilhavelhense, com carreira encerrada em 2002. Logo em seguida foi eleito deputado estadual pelo Espírito Santo, filiado ao PTB.

Há 20 anos sofreu aquelas dores n'alma que machucam mais que a dor física. Ficou quase um ano em uma cadeira de rodas, pois as pernas ficaram sem coordenação motora, vítima que foi de uma doença chamada polineuropatia, que na literatura médica é uma inflamação de múltiplos nervos das pernas, provocada por diabetes, alcoolismo ou até mesmo hereditária. Assim, fez uso de uma bengala quando o tratamento fisioterápico começou a dar resultados e isso possibilitou que voltasse a andar.

Aos 16 anos, com 1,68m de altura, já se destaca nos juniores da Desportiva de Vitória do Espirito Santo - cidade em que nasceu -, e o Vasco tratou de buscá-lo. Em 1983, foi um dos destaques da Seleção Brasileira sub-20, na conquista do título mundial disputado no México, ocasião que marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre a Argentina, em cobrança de pênalti.

No elenco de profissionais do Vasco jogou ao lado de craques como Romário e Roberto Dinamite, e se destacou pela habilidade, visão privilegiada e exímio cobrador de faltas, com bola sobre a barreira e dificuldade de defesas dos goleiros. Assim, se tornou um dos maiores meias da história do clube,

Em 1988 participou dos Jogos Olímpicos de Seul, Coréia do Sul, conquistando a medalha de prata. Também integrou a seleção principal em 23 partidas e cinco gols.


domingo, 17 de maio de 2026

Mário Sérgio, um craque de temperamento explosivo

O próximo 11 de novembro vai marcar 10º ano do trágico acidente aéreo da empresa Lamia, que transportava a delegação da Chapecoense à Colômbia, provocando a morte de 71 pessoas, com seis sobreviventes. E entre aqueles que perderam a vida estava o ex-jogador Mário Sérgio Pontes de Paiva, que viajava a trabalho pelo canal Fox Sport.

Nascido no Rio de Janeiro em 1950, enquanto atleta foi um meia-atacante habilidoso, porém de temperamento explosivo desde o início da carreira no Flamengo, quando entrou em atrito com o saudoso técnico Yustrich que, após expulsá-lo de um treino, avisou que sob o comando dele não teria mais chances na equipe.

Assim, seguiu para o Vitória em 1971, quando atuava com as meias arriadas e de lá foi para o Fluminense em 1975, já apelidado de 'Vesgo', pela facilidade de olhar para um lado e tocar a bola do outro. Todavia, um atrito com o presidente Francisco Horta implicou em transferência ao Botafogo (RJ), depois Rosário Central (ARG) e negociação com o Inter (RS), como partícipe da conquista do Brasileirão de 1979 de forma invicta.

Lá permaneceu por mais dois anos, transferindo-se ao São Paulo, quando ganhou o apelido de 'o rei do gatilho' pelos tiros dado para o alto, visando assustar torcedores do São José, no Vale do Paraíba, que se manifestavam na saída da delegação são-paulina. Na sequência, divergências com o então treinador José Poy implicaram em desligamento, rumando à Ponte Preta em 1983 e Grêmio, recompensado com a conquista do Mundial de Clubes.

Depois, nova passagem pelo Inter, enquanto no Palmeiras foi flagrado em exame antidoping, num clássico com o São Paulo, com constatação de cocaína na urina, que o deixou suspenso durante seis meses, e perda dos pontos do 'Verdão' no jogo pelo Paulistão.

Ele ainda jogou no Botafogo de Ribeirão Preto, Bellinzona da Suíça e Bahia, quando em jogo contra o Goiás, após o primeiro tempo, surpreendeu a todos ao anunciar o fim da carreira de atleta, para, incontinenti, iniciar na função de treinador, com perfil enérgico, direto e reto, e aquilo provocava rota de colisão. Ele se manteve na função até 2010, no Ceará.

Ainda comandou Vitória, Corinthians, Grêmio, Athletico Paranaense, Figueirense, Botafogo, Portuguesa, Inter e São Paulo, onde ficou marcado por ter sido o único treinador a vetar o então goleiro Rogério Ceni de cobrar faltas.


domingo, 10 de maio de 2026

Dez anos sem o ex-treinador Paulo Emílio


Este 16 de maio marca dez anos da morte do ex-treinador de futebol Paulo Emílio, aos 80 anos de idade, na cidade de São José dos Campos (SP). Ele teve um currículo de pouco mais de 30 anos na função, com passagens em grandes clubes como Santos, Vasco, Fluminense, Botafogo, Santa Cruz, Náutico, Bahia, Vitória, Paysandu, Fortaleza, Goiás e Athletico Paranaense.

Também passou por clube do interior paulista como Guarani e Noroeste de Bauru, além de atuar em Portugal, Japão e Arábia Saudita em meados da década de 90, quando se aposentou. E você sabe como surgiu o de escanteio curto, que consiste em troca de passes de atletas a partir da linha de fundo, e não levantamento de bola à área adversária? Ele foi o 'inventor' desse lance, em jogada que narradores de futebol do passado batizaram de escanteio de ‘mangas curtas’.

Em 1975, no auge da carreira, ele comandou a máquina do Fluminense montada pelo então presidente Francisco Horta, que conquistou a Taça Guanabara na decisão contra o América, quando o Estádio do Maracanã recebeu público de 96.035 pagantes.

A vitória por 1 a 0 na prorrogação foi caracterizada com gol de falta do ex-meia Roberto Rivellino. Eis a equipe da época: Félix; Toninho, Silveira, Edinho e Marco Antonio; Zé Mário, Cléber e Rivellino; Gil, Manfrini e Zé Roberto.

Outra marca na carreira do treinador foi a coragem para lançar garotos, o principal deles o centroavante Careca no Guarani, aos 17 anos de idade, em 1977. Mesma idade foi do lançamento de Carlos Alberto Barbosa, enquanto o lateral Rodrigues Neto subiu com 16 e o lateral-direito Rosemiro aos 18 anos.

Essa atitude de Paulo Emílio tem tudo a ver com o seu surgimento como treinador. Aos 26 anos de idade já comandava equipe e compensava a falta de experiência com aprendizado teórico. Treinava exaustivamente bola aérea ofensiva no primeiro pau, para que alguém a escorasse de cabeça, visando a complementação no segundo pau. De personalidade marcante, tinha habilidade para influenciar amigos e contornar problemas de indisciplina no elenco.

Na adolescência, o sonho dele era jogar futebol profissionalmente, mas foi reprovado em teste no juvenil do Atlético Mineiro. Com a mudança da família ao Rio de Janeiro, chegou a realizar amistosos na zaga do time principal do Bonsucesso, mas teve que encerrar precocemente a carreira por causa da asma.


domingo, 3 de maio de 2026

Ferroviária produziu histórias com ídolos do passado

 A volta da Ferroviária de Araraquara à elite do futebol paulista nos remete aos ídolos que por lá passaram décadas passadas, o principal deles o meia Bazzani, que morreu no dia 13 de outubro de 2007, aos 72 anos de idade, vitimado por um câncer na próstata, quando já sofria de Mal de Alzheimer. Ele atuou no Corinthians entre 1963/65 e, ao se desligar do futebol, exerceu a profissão de cirurgião-dentista.

No passado, a Ferroviária revelava aos montes jogadores recomendáveis, e clubes da capital paulista tinham o hábito de buscá-los. O Palmeiras, por exemplo, levou o saudoso volante Dudu e o habilidoso ponteiro-esquerdo Nei, nos anos 60 do século passado.

Mesmo período, o São Paulo contratou o goleador Téia, recompensado pelo atleta ter sido artilheiro do Paulistão de 1968, com 20 gols, vários deles de cabeça, ocasião que se prevalecia devido à boa estatura e impulsão. Em Araraquara, Téia havia formado uma bela dupla de ataque com o meia Maritaca. Anos antes, também saíram de Araraquara para o tricolor paulistas os ponteiros-direitos Peixinho e Faustino.

E foi na Ferroviária que o zagueiro Mauro Pastor se destacou, despertando interesse do Inter (RS) para contratá-lo, sendo que em 1979 ele participou do tricampeonato do Campeonato Brasileiro.

Contrastando com ídolos que até então brotavam na Ferroviária, nos anos 80 ela foi propagada nacionalmente por contar com um dos jogadores mais violentos do futebol brasileiro: Antenor José Cardoso ou simplesmente Pinheirense, que morreu no dia 22 de agosto de 2009, em Recife (PE), três meses antes de completar 54 anos de idade.

Natural do Maranhão, com aparição no Náutico no final dos anos 70, a fama dele de homem mau se consolidou na Ferroviária, quando impiedosamente “abria a caixa de ferramenta”, como diziam antigos locutores de futebol. Na maioria das vezes acertava meio gomo da bola e metade do pé do adversário. Logo, foi recordista de expulsões, diferente do falecido zagueiro Moisés - que jogou no Bangu e Corinthians - que apesar da fama de xerife, raramente era expulso.

Pinheirense ainda passou por clubes do interior de São Paulo, Londrina (PR) e Coritiba. Depois, quis o destino que vivesse os últimos dez anos em uma cadeira de roda. Ficou paraplégico ao ser alvejado com um tiro pelas costas, disparado pelo marido de uma ex-namorada, na capital paulista.


domingo, 26 de abril de 2026

Gaúcho, 'transformado em Mineiro', fez história no futebol

A história do ex-volante Mineiro - campeão mundial pelo São Paulo em 2005 - é de singularidade. Primeiro porque não é mineiro, e sim gaúcho de Porto Alegre. Então por que o apelido desconectado da realidade? Quando atuava na base do Inter (RS), ao lado de seu irmão - com fisionomia semelhante do então lateral-esquerdo Cláudio Mineiro -, ambos foram apelidados como 'Mineirão' e 'Mineirinho', ficando o rótulo no diminutivo para o volante, por causa da estatura de 1,69m de altura e franzino.

Como o irmão foi desligado primeiro do clube, Mineirinho passou a ser identificado apenas como Mineiro. E como igualmente foi dispensado da base do 'Colorado', topou o desafio de tentar a sorte no Rio Branco de Americana (SP), onde se profissionalizou. Em 1997 transferiu-se ao Guarani, porém o comando técnico não teve a devida percepção de que ele poderia evoluir tecnicamente.

Assim, coube a rival Ponte Preta detectar possibilidade de melhorar o potencial dele para o desarme a adversários, e tratou de levá-lo naquele mesmo ano. A permanência de cinco anos no clube provocou grande identificação com a torcida. E dali pra frente, além do vigor físico nas disputas de bola, o rendimento técnico dele cresceu assustadoramente, com incursões ao ataque.

Assim, os títulos começaram a surgir. Primeiro o Paulistão de 2004 pelo São Caetano, mas o ápice da carreira ocorreu no São Paulo, na temporada seguinte, com conquistas de Libertadores e Mundial de Clubes da Fifa, ocasião que marcou o gol da vitória sobre o Liverpool da Inglaterra, por 1 a 0. Antes disso há havia sido recompensado com convocações à Seleção Brasileira. Ele integrou o grupo que participou da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, e aquele espaço continuou reservado dois anos depois, na conquista do título da Copa América na Venezuela.

Naquela ocasião, ele já havia se transferido ao futebol europeu e teve passagens por Hertha Berlim, Chelsea, Schalke 04 e Tus Koblens, clube que marcou o encerramento da carreira em 2012, para, em seguida, optar por fixar residência na Alemanha, em Gelsenkirchen, com esposa e dois filhos.

Lá, usando o nome de registro como Carlos Luciano da Silva, decidiu abrir a empresa de consultoria (MNR Sports & Integration), para auxiliar na adaptação de novos atletas no futebol alemão, e, devidamente adaptado. decidiu pela permanência.


domingo, 19 de abril de 2026

Paolo Guerrero, 42 anos, ainda está em atividade

 A essência da coluna é homenagear jogadores do passado que, por algumas razões, estiveram em evidência nas suas respectivas épocas. Todavia, se o foço é o centroavante Paolo Guerrero - ainda em atividade -, que completou 42 anos de idade em janeiro passado, natural recapitular outros atletas que, como ele, resistem ao tempo e continuam nos gramados.

O Botafogo da Paraíba aposta no meia Nenê - que recentemente se desligou do Juventude -, que vai completar 45 anos de idade em julho. E, com um ano a menos, encaixa-se o rodado centroavante Ciel, ora vinculado ao Ferroviário (CE). Já o zagueiro Thiago Silva estava em plena forma no Fluminense, e por isso o futebol português tratou de buscá-lo para jogar no Porto, mesmo sabendo que em setembro ele vai completar 42 anos de idade. E como goleiro pode ter vida longa no futebol, também no final de setembro Fábio, do Fluminense, vai fazer 46 anos de idade.

Logo, nenhuma anormalidade José Paolo Guerrero Gonzales estar vinculado ao Alianza Lima, clube que o revelou e abriu-lhe caminhos para trajetória vitoriosa. Nos três anos de Corinthians, a partir de 2012, logo de cara foi herói na conquista do título mundial de clubes, ao marcar o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Chelsea.

Em 2014 ele ganhou a Bola de Prata da revista Placar como melhor atacante do Brasileirão, e ainda é considerado o estrangeiro que mais marcou gols pelo clube - com 47 -, um a mais que o argentino Carlito Tevez. Depois, passou por Flamengo, Inter (RS), Avaí e Racing da Argentina, antes do retorno ao Peru, com transferência ao César Valejo e Alianza Lima, do Peru.

Na passagem pela seleção peruana registro para gols e confusão. Acusado por uso de doping, chegou a ser condenado a cumprir pena de suspensão de 14 meses, que implicaria em ficar de fora da Copa do Mundo de 2018, mas o Tribunal Federal da Suíça aceitou a apelação e a pena seria cumpprida depois da Copa.

Em maio de 2019, um garçom do hotel onde a delegação peruana estava hospedada afirmou que Guerrero não foi responsável por caso de doping, já que, segundo ele, 'uma jarra mal lavada pode ter feito que caísse no doping", inocentando, desta forma, a culpa do atleta.

Relatos da mídia afirmam que ele tem medo de viajar de avião, devido à trágica morte de seu tio José González Ganoza, que morreu no desastre aéreo com o Alianza Lima em 1987.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Vinte anos sem o treinador Telê Santana

Treinadores de futebol da atualidade debruçam dia e noite em esquemas táticos e estudam variações de jogadas. No passado, tinham preocupação de aprimoramento de aspectos técnicos dos jogadores. Repetiam, quantas vezes fossem necessárias, trabalhos de fundamentos com atletas, visando melhor condicionamento para os jogos.

O próximo 21 de abril será marcado pelo vigésimo ano da morte dele, pois encaixava-se exatamente no perfil de aprimoramento técnico, embora fosse atento no aspecto tático, extraindo ensinamentos de ótimos professores nos tempos de jogador. No Fluminense, o saudoso técnico Zezé Moreira ensinou-lhe a importância do ponteiro ter duplicidade de função: de posse de bola fazer jogadas de fundo de campo, mas sem ela recuar no meio de campo para fechar os espaços do adversário.

Como treinador do São Paulo, pacientemente ensinou o ex-lateral-direito Cafu a cruzar, colocando a bola na área adversária em condição de o atacante marcar gols. Na década de 90 do século passado, o ataque são-paulino não tinha cabeceador, mas contava com um meia alto, como Raí. Pois Telê o condicionou a chegada dele ao ataque, e o incumbiu de aproveitar cruzamentos do fundo do campo, resultando num punhado de gols. E ainda agregou-lhe outra virtude: treinar exaustivamente cobranças de faltas até atingir aceitável índice de aproveitamento.

Telê não reclamava de retrancadas adversárias. Na concepção dele, se o seu time atacava mais e criava mais oportunidades. Aí cobrava competência para finalizar, tanto que reservava parte dos treinamentos para exercitar esse fundamento.

No comando da Seleção Brasileira, foi castigado naquele fatídico jogo pela Copa de 1982, da Espanha, com derrota por 3 a 2 para a Itália, pois precisava do empate e ele optou por futebol ofensivo. E isso persistiu na sequência da carreira, com cinco magníficos anos no São Paulo, quando conquistou o bicampeonato mundial na década de 90, mas teve que se afastar daquilo que julgava ser mais sagrado na vida.

Complicações cardíacas o deixaram debilitado desde 1995 e isso lhe provocou angústia, porque só se sentia completamente realizado se estivesse envolvido no esporte. Ele ainda tentou se distrair com atividades agropecuárias em seu sítio, em Belo Horizonte, ou colado na televisão acompanhando futebol, novelas e programas de auditório, mas ficava deprimido facilmente.


domingo, 5 de abril de 2026

Volante Amaral, atração nos gramados e histórias divertidas

Assuntos sobre o ex-volante Amaral de Palmeiras, Corinthias e uma infinidade de clubes ganha mais destaque em entrevistas de vídeos, pois as histórias são hilárias. Se fez sucesso enquanto atleta, com giro ao redor do planeta, até hoje dá ibope quando relacionado para entrevistas e participações em reality show.

Amaral continua espontâneo e ri dele mesmo ao lembrar do drible elástico que sofreu do ex-centroavante Romário, no Flamengo, que o deixou estonteado nos tempos de Corinthians, e complemento da jogada com aplaudido gol, no característico estilo cavadinha.

Haja espaço para tantas histórias sobre o capivariano Alexandre da Silva Mariano - apelidado de Amaral -, 54 anos de idade, que antes da carreira no futebol ajudou no sustento da mãe - separada do pai -, trabalhando em agência funerária, com a incumbência de vestir os mortos. O Palmeiras abriu-lhe as portas nas categorias de base, devido ao estilo raçudo, marcação forte e intensidade física. Assim, se caracterizou como incansável 'ladrão de bola'.

Foram quatro anos no Verdão, para em seguida iniciar um processo de transferência em clubes do exterior, numa operação vaivém. Passou pelo Parma e Fiorentina (ITA), Benfica (POR), Al-Ittihad (Arábia Saudita), Pogoń Szczecin (POL), Perth Glory (AUS), Manado United e Persebaya (IND) e Beşiktaş (TUR).

Em 1998, de volta ao Brasil e no Corinthians, marcou trajetória vitoriosa, com títulos do Brasileirão e Paulistão. Nos dois anos seguintes foi campeão, pelo Vasco, no Brasileirão e Copa Mercosul. E como não tinha parada em clubes, passou por Grêmio (RS), Vitória (BA), Atlético Mineiro, Santa Cruz e outros clubes de menor expressão, até que em 2013 havia decidido pelo encerramento da carreira, porém, dois anos depois, aos 41 anos de idade, acertou contrato com o Capivariano, e lá jogou pouco.

Ele atuou dois anos na Seleção Brasileira, a partir de 1995, e confessou ter vendido todas medalhas conquistadas, a fim de comprar uma casa à sua mãe. Devido ao bom humor e histórias curiosas que conta, sempre é requisitado para entrevistas e reality shows.

Após a 'aposentadoria', Amaral participou de diversos programas de entrevistas. Em 2015 ficou apenas uma semana em 'A Fazenda'. Três anos depois esteve no Dancing Brasil. Em 2023, o Charla Podcast revelou que ele cobrou cachê para ser entrevistado pelo programa.



domingo, 29 de março de 2026

Saudoso goleiro João Marcos, do sucesso ao alcoolismo


Este dois de abril vai marcar o sexto ano da morte do então goleiro João Marcos, aos 66 anos de idade. Como dizia o também saudoso narrador de futebol Fiori Gigliotti 'o tempo passa'. E como passa rápido! Provoca esquecimentos de uns, enquanto outros, desatentos, hão de perguntar: 'quem foi esse João Marcos, goleiro, que não conheço?'

Esta é mais uma história de atletas do passado que não se prepararam emocionalmente para o pós-carreira. Tudo andava as mil maravilhas quando ele integra elencos de primeiro nível como Palmeiras e Grêmio, na década de 80 do século passado, com chance como titular da Seleção Brasileira na vitória por 1 a 0 em amistoso contra o Uruguai, em Curitiba.

A estatura de 1,87m de altura o encorajava neutralizar bolas cruzadas contra a sua meta, enquanto elasticidade e boa colocação colocavam-no como goleiro plenamente confiável, até que uma traiçoeira luxação no ombro esquerdo provocava forte dores e passou a preocupá-lo.

Foi quando ouviu de um médico que uma cirurgia não teria efeito duradouro para prosseguir na carreira, e assim decidiu precocemente pelo final em 1986, sem que inicialmente aquela parada brusca tivesse efeito negativo na questão financeira, como ocorre com muitos ex-jogadores que não sabem o que fazer quando param de jogar.

Ele passou a administrar sua fazenda, mas não demorou para que fosse prejudicado psicologicamente. Enveredou-se para o alcoolismo, e aquele comportamento se prolongou até 2014, quando tocava a "Associação Gol Solidário", que, com a ajuda de parceiros, revelava jovens talentos e havia se apegado ao cristianismo.

Segundo relato, durante o alcoolismo esteve entre a vida e a morte, com crise de cirrose, e o quadro clínico foi diagnosticado com hemorragia no esôfago. Foi internado em clínicas de reabilitação, uma delas com permanência de nove meses, quando o casamento ruiu, complicações no esôfago se agravaram e chegou a ficar cerca de dez dias internado no Hospital da Unesp de Botucatu-SP, até a morte.

O botucatuense João Marcos Coelho da Silva teve aptidão pelo vôlei em clube de sua cidade, em 1969. Chegou ao Guarani no ano seguinte, como reserva de Tobias, e aproveitou para cursar a Faculdade de Educação Física na Puc-Campinas. Ele ainda passou por América de Rio Preto, São Bento e Noroeste, antes de chegar ao Palmeiras em 1980, e depois Grêmio.


domingo, 22 de março de 2026

Centroavante Jô, artilheiro e indisciplinado

 

Que controvertida história no futebol foi protagonizada pelo ex-centroavante Jô! Ovacionado no Corinthians pelos títulos do Brasileirão em 2005 e 2017, e mais duas conquistas do Paulistão, também no Atlético Mineiro foi campeão da Libertadores em 2013 e da Copa do Brasil em 2014, além de atuar na Seleção Brasileira. Logo, despertou interesse de clubes do exterior na carreira de 23 anos.

Nascido na capital paulista e registrado como João Alves de Assis Silva, ele completou 39 anos de idade no último 20 de março, e de certo deve ter refletido nas atitudes intempestivas durante a carreira, que culminaram em quatro prisões, em decorrência da falta de pagamento de pensão alimentícia, a mais recente em 19 de novembro passado, referente a um processo movido por sua ex-companheira, com cobrança de dívida no valor de R$ 220.744,57.

Advogados de defesa argumentaram que ele tem enfrentado queda nos rendimento financeiro após a aposentadoria, que não condiz com a alta renda do passado, caracterizada pelo centroavante artilheiro que foi, com ótimo aproveitamento em cabeceios, ao explorar a estatura de 1,92m de altura.

A carreira também foi marcada por atos de indisciplina na maioria dos clubes que passou, que resultaram em suspensão, multas e rompimentos de contratos. Uma inconsequência que irritou corintianos ocorreu em 2022. Lesionado, desfalcou a equipe contra o Cuiabá, e sequer acompanhou o jogo. Foi flagrado se divertindo numa roda de pagode.

Antes disso já havia sido advertido duas vezes: cometeu o despropósito de usar chuteiras verdes, da cor do rival Palmeiras, e durante a pandemia da Covid-19 frequentou um resort. E na passagem pelo Everton (ING), em 2010, já havia sido punido com suspensão e multa, após viajar ao Brasil sem autorização.

No ano seguinte, no Internacional, perdeu o voo para a Bolívia, e desfalcou o clube em jogo contra o The Strongest, na Libertadores, justificando estar com mal-estar. No Atlético Mineiro cometeu ato de indisciplina em um hotel e foi suspenso por 30 dias.

A trajetória dele foi iniciada em 2002 no Corinthians. Depois jogou no CSKA (RUS), Manchester City e Everton (ING) e Galatasaray (TUR), até o regresso ao Brasil em 2010. A segunda passagem no oriente foi no Shabab Dubai, Jiangsu Suning e Nagoya Grampus e Al-Jabalain em 2022/23. Ele ainda passou pelo Ceará, Amazonas e Itabirito (MG) em 2025.


domingo, 15 de março de 2026

Vaguinho, um dos raros ponteiros que sabiam fazer gols

 Na conquista do tricampeonato mundial pela Seleção Brasileira em 1970, o saudoso treinador Zagalo contrariou o modelo habitual e escalou a equipe sem ponteiros de origem. Adaptou o meia-atacante Jairzinho como ponta-direita e o meia Rivellino foi designado para ocupar o espaço do ponteiro-esquerdo, porém liberdade de flutuar por dentro, com determinação para que um dos companheiros de equipe ocupasse o espaço na beirada.

Até então, nos clubes em geral, a concepção da 'treinadorzada' era escalar ponteiros que se caracterizavam pelos duelos com laterais, indicação de levar a bola ao fundo de campo para os cruzamentos, embora uns e outros ousavam fazer a diagonal e arriscavam chutes de fora da área.

Assim, até aquela década, eram raros os jogadores da posição com registro de vários gols em seus respectivos clubes. Todavia, como toda regra tem exceção, o mineiro Vagno de Freitas, nascido em Sete de Lagoas há 76 anos, apelidado na infância como Vaguinho, mostrou que ponteiro-direito pode perfeitamente aparecer na área adversária e concluir jogadas, como fazem meias e centroavantes.

Será que na história do futebol brasileiro algum ponteiro-direito tenha marcado 166 gols em 732 partidas realizadas? Pois esse é o registro deixado por Vaguinho nos dois principais clubes que atuou. Transferido do Democrata de Governador Valadares ao Atlético Mineiro em 1968, em 179 jogos anotou 56 gols durante três anos no clube, já mostrando velocidade e voluntariedade.

Na passagem pelo Corinthians até 1981, foram outros 110 gols em 551 partidas, e raramente de cabeça, pela natural dificuldade de cabeceio, com 1,70m de altura. Ele teve participação destacada no título corintiano do Campeonato Paulista de 1977, com quebra de jejum desde 1954. Na volta ao Galo mineiro em 1981, ficou apenas sete meses. Na temporada seguinte, passou pelo Santo André, e reservou os dois últimos anos da carreira para jogar na Ponte Preta. Em seguida, atuou como comentarista esportivo da Rádio LBV-São Paulo.

Se hoje ensina futebol para garotada, relatou os seus sete jogos na Seleção Brasileira, um deles na despedida do 'rei' Pelé, em 1971. Enfatizou a estreia aos 18 anos de idade, em 1968, contra a Iugoslávia, no Estádio Mineirão. Na ocasião, foram escalados apenas jogadores do Atlético Mineiro, e ele marcou um dos gols na vitória por 3 a 2.


sábado, 7 de março de 2026

Problema de visão de jogadores foram sendo contornados

Como as lentes de contatos para regular a miopia das pessoas ficaram popularizada na década de 70 do século passado, houve registro de multiplicação de usuários nos anos 80 e 90, com a introdução das lentes gelatinosas e armação de borracha.

Por que o assunto? Porque antes disso foram detectados casos de atletas com problema de visão, mas desafiaram a lógica da prevenção e foram para os gramados. Quem confessou publicamente essa situação foi o saudoso goleiro Dimas Monteiro.

Isso ocorreu nos tempos que comandava os seus discípulos no Guarani, na década de 80, porém lembrando do ocorrido 20 anos antes, quando do final da carreira de goleiro também no Guarani, ao admitir que tinha dificuldades para enxergar em jogos noturnos.

O também falecido jornalista João Saldanha, que foi o treinador da Seleção Brasileira durante as Eliminatórias à Copa do Mundo de 1970, cometeu a aberração de suspeitar de deficiência visual do eterno 'rei' Pelé, com posterior comprovação de erro de avaliação.

Em meados dos anos 80, o então lateral-direito Ariovaldo - vinculado ao Guarani - foi vítima de grave acidente de automóvel, com consequência da perda da visão de um olho. Apesar disso, conseguiu transferência ao Paraná Clube e ainda prolongou um pouco mais a carreira.

Há registro que o treinador Fernando Diniz, meia de qualidade revelado pelo Juventus, se submeteu a cirurgia para atingir plena visão, nos tempos que havia preconceito dos clubes - ainda nas categorias de base - em relação a atletas com miopia e astigmatismo, antes do surgimento das armações de lentes gelatinosas. Ele ainda atuou no Palmeiras, Corinthians e Guarani.

Sobre o tema em pauta, um dos casos curiosos foi do volante holandês Edgard Davids, que neste 13 de março completa 53 anos de idade e foi apelidado de 'Pitbul' pela característica forte na marcação.

Ele foi o primeiro jogador a atuar com óculos de proteção, admitido em jogos oficiais da FIFA a partir do final de 1999. Devido à um glaucoma, a doença ocular aumentava a pressão nos olhos, e por isso teve que ser submetido a cirurgia nos olhos, sendo necessário proteger a visão. E hoje atua como treinador.

O goleiro Keller, que integrou o selecionado dos Estados Unidos em Copa do Mundo, fazia uso de lente de contado para leve correção de visão, principalmente em jogos noturnos.


domingo, 1 de março de 2026

Frase imortais no futebol

Ao remexer meus antigos arquivos deparo com publicação na virada do século sobre frases imortais no futebol, criadas por pessoas já falecidas, uma delas o carioca e carequinha Mário Viana, um dos introdutores em análises sobre arbitragem no rádio brasileiro, há várias décadas, e o modelo foi copiado pela mídia eletrônica.

Viana foi um árbitro malcriado, truculento e desafiava qualquer valentão para sair no braço. Foi criativo e inventor da bem ajustada palavra para caracterizae jogador em posição de impedimento: 'baaaanheeeeira...'

Esse trissílabo ecoava de forma estridente na voz dele através dos radinhos de pilha que torcedores levaram ao Estádio do Maracanã. E por que banheira? Na banheira, ensaboado, você fica sozinho, sem companhia.

Nelson Rodrigues foi jornalista, poeta, teatrólogo e declaradamente torcedor do Fluminense. Quando o seu clube estava enroscado em campo, clamava pelo 'sobrenatural de Almeida', personagem do 'além' para empurrá-lo à vitória.

Décadas passadas, locutores de rádio tinham mais criatividade. Um dia um sábio comparou a junção do ângulo superior da trave como o lugar onde a coruja dorme, para superestimar gols marcados naquela situação, um bordão que 'colou', sem que surgisse qualquer contestação.

O frasista Nenê Prancha jamais poderia imaginar que ao definir o futebol como 'caixinha de surpresa' estava criando uma frase secular. É dele também a citação que o pênalti é tão importante que deveria ser cobrado pelo presidente do clube.

Foi o treinador Diede Lameiro quem criou a frase 'todos os cartolas calçam 40', mensagem que mostra os mesmos defeito, rezam a mesma cartilha e falam o mesmo idioma, enquanto o também técnico Oto Glória, na passagem pela Portuguesa, em meados dos anos 70 do século passado, repetia com frequência a frase 'sem ovos não se faz omolete', uma alusão que sem jogadores qualificados o comandante não coloca em prática os seus conceitos, porém os mais antigos citam que a frase foi copiada do treinador Gentil Cardoso.

Quando criticado pelo 'rei' Pelé, por atuações inconsistentes na Seleção Brasileira de 1998, na Copa de Ouro do México, o ex-centroavante Romário retrucou com frase que viralizou: 'Que Deus abençoe os pés desse cidadão, porque quando fala só sai besteira, ou melhor, só sai merda”.

Pelé, educadamente, evitou polemizar.


domingo, 22 de fevereiro de 2026

Ex-zagueiro Fabão, uma história de títulos

 Diferentes histórias no futebol mostram carreiras de atletas que vão da glória ao ostracismo nos últimos anos de sua trajetória. E um dos claros exemplos neste contexto é o ex-zagueiro Fabão, que foi acumulando títulos estaduais desde o início da carreira no Bahia, em 1998, e nos dois anos seguintes bicampeão pelo Flamengo, além da Copa Mercosul. Logo, despertou interesse do Bétis, da Espanha, e lá participou da conquista do Troféu Ramón de Carranza.

De volta ao Brasil e no Goiás, mais um bicampeonato em 2002/03. Se tudo já se mostrava valoroso, a predestinação por títulos atingiu o mais alto patamar no São Paulo a partir de 2005, quando emendou o Paulistão, Libertadores e Mundial de Clubes, na vitória por 1 a 0 sobre o Liverpool, no Japão, com gol do volante Mineiro, num time formado por Rogério Ceni; Cicinho, Diego Lugano, Fabão, Ed Carlos e Júnior; Mineiro, Josué e Danilo; Amoroso e Aloísio. Treinador: Paulo Autuori. Depois ainda veio o Brasileirão de 2006.

Até no Japão, pelo Kashima Antlers, comemorou a Copa do Imperador de 2007. Afinal, qual a característica desse Fabão levantador de 'canecos'? Sabia explorar a estatura de 1,87m de altura para ser soberano na bola aérea defensiva. Tinha o tempo de bola para encurtar espaços de atacantes adversários e na cobranças de faltas de média e longa distância usava força na bola, com relativo aproveitamento.

Em 2008, uma fratura na fíbula da perna direita o distanciou por um período do futebol e, quando acolhido pelo Santos, o rendimento já não foi o mesmo, e assim teve curta passagem pelo Guarani, transferiu-se ao Henan Jianye, da China, e no retorno, em 2012, deu início à estrada da volta no futebol pelo Comercial de Ribeirão Preto, Sobradinho, até a última passagem pelo Goianésia, na disputa da Série D do Brasileirão, em 2014.

José Fábio Alves Azevedo é natural de Vera Cruz e em junho próximo vai completar 50 anos de idade. Ele fixou residência no luxuoso condomínio Alphaville, em Goiânia, cidade natal de sua esposa - que é irmã da mulher do ex-volante Josué, dos tempos de São Paulo.

Como optou por vida fora do futebol, hoje diverte-se como faixa-preta de jiu-jitsu, modalidade esportiva que foi atraído quando da passagem pelo Sobradinho, no Distrito Federal. Também empresaria atividades nos ramos da construção civil, ferragens e adega de vinho.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Saudoso lateral Dalmo Gaspar, o inventor das paradinhas nos pênaltis

O dia dois de fevereiro passado marcou o 11º ano da morte do então lateral-esquerdo Dalmo Gaspar, aos 82 anos de idade, em Jundiaí (SP), sua cidade natal. Ele foi inventor das paradinhas em cobranças de pênaltis, gesto atribuído a Pelé, que na prática apenas o copiou, confirmou o ex-ponteiro-esquerdo Pepe, companheiro dele na equipe do Santos.

Não bastasse ter sido um eficiente lateral na marcação, Dalmo entrou para a história do alvinegro praiano como autor do gol de pênalti que deu vitória à sua equipe por 1 a 0 sobre o Milan em 1963, na terceira e decisiva partida do Mundial Interclubes.

Aquele jogo do bicampeonato foi realizado no Estádio do Maracanã dia 16 de novembro, e o Peixe contava com o mais categorizado time de sua história: Gilmar; Lima, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Como Pelé desfalcou a sua equipe na terceira e derradeira partida, em decorrência de contusão, o treinador Lula (já falecido) deixou a incumbência de cobrança de pênalti para Dalmo e Pepe. “Quando teve o lance, fomos até a bola e senti firmeza muito grande nele”, revelou Pepe sobre o companheiro.

Pepe lembrou ainda que Dalmo sempre foi titular no time santista em quaisquer das posições de defesa, e até improvisado como volante. Todavia a fixação ocorreu na lateral-esquerda, período em que o Santos excursionava rotineiramente ao exterior. E numa das viagens, Pelé fez questão de presenteá-lo com uma chuteira de borracha, possibilitando que fosse o primeiro jogador brasileiro a utilizá-la no Brasil.

Se a estreia de Dalmo no Peixe ocorreu no dia 26 de outubro de 1957, na vitória sobre o Palmeiras por 4 a 3, no Estádio do Pacaembu, a despedida foi em agosto de 1964, na vitória sobre o Juventus por 2 a 1, no Estádio da Rua Javari. Portanto, sete anos de clube.

Depois retornou ao Guarani, clube que o projetou para o futebol, mas o final de carreira ocorreu na zaga central do Paulista de Jundiaí. Depois comentou futebol em emissoras da cidade e trabalhou como funcionário público até a aposentadoria.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Adeus ao ex-ponteiro-esquerdo Tato

O ex-ponteiro-esquerdo Tato foi titular da histórica equipe campeã brasileira do Fluminense de 1984 e no tricampeonato carioca de 1983 a 1985, período que por três vezes participou de jogos da Seleção Brasileira. E quando anunciaram a morte dele no dia 27 de janeiro passado, aos 64 anos de idade, a natural indignação ficou por conta dos desígnios da vida e a forma cruel reservada para determinadas pessoas.

Carlos Alberto Araújo Prestes, o Tato, natural de Curitiba (PR) e morto no Rio de Janeiro, foi vítima de um câncer de esôfago, uma doença dolorida, pois o enfermo tem a sensação de que a comida fica presa na garganta ou no peito, provocando dificuldades de engoli-la, o mesmo se aplicando a líquidos. Também provoca dor no peito, e alguns pacientes descrevem como sensação de pressão ou queimação no peito.

Tato foi um hábil ponteiro-esquerdo, quando ao ocupante do setor era atribuída a capacidade de dribles, para escapar da marcação de laterais e exercer a função de assistente de artilheiros como os atacantes Washington e Assis, num time que contava com o lateral-esquerdo Branco, o meia Romerito e era treinado por Carlos Alberto Parreira.

O histórico de gols dele no Fluminense ficou restrito a 18 no total de 242 partidas, no período de 1983 a 1988, época que seletivamente o clube mandava jogos em seu seu estádio, conhecido como Laranjeiras, mas o nome é Manoel Schwarz, com capacidade limitada para cerca de dez mil pessoas, que deixou de ser utilizado para jogos em 2003, mesmo ano que, durante um treinamento, o então centroavante Romário, irritado, agrediu um dos torcedores que xingaram os atletas e fizeram provocações atirando uma galinha viva no gramado.

Revelado Internacional (RS) em 1982 , transferiu-se ao Goiânia naquela mesma temporada. Quando saiu do Brasil em 1989, foi jogar no Elche Club de Fútbol, da Espanha, mas no mesmo ano retornou ao País para jogar no Vasco, e integrou o elenco que conquistou o Campeonato Brasileiro. Depois disso, a carreira ainda se estendeu no Sport, Santos, Grêmio e Coritiba em 1993.

Tato chegou a ser auxiliar-técnico de Gilson Kleina no Ipatinga (MG), e na função trabalhou ainda em clubes como Caxias, Caldense e Paysandu, mas não prosperou. Assim, preferiu manter a sua imobiliária em Curitiba e montar a própria escolinha de futebol no Rio de Janeiro.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Ex-lateral Fábio Santos 'dedurou' o parceiro Douglas


Circunstancialmente a coluna desta semana não segue iniciamente os procedimentos de praxe, com relevância sobre a carreira de ex-atleta e sim sobre uma revelação curiosa de um deles, o então lateral-esquerdo Fábio Santos, ao 'dedurar' o meia Douglas, seu parceiro de Corinthians, da bizarra postura de propositalmente urinar no calção durante os jogos.

Provocativo, Douglas ainda passava a mão com urina nos seus companheiros, quando da comemoração de gols de sua equipe, revelou Fábio Santos, no depoimento em Podcast no canal CNN, em junho de 2024, período que ele já havia encerrado a carreira e atuava como analista de futebol na ESPN.

E acrescentou: “Imagina a sunga do maluco depois do jogo. A gente fechava antes da partida, na roda de oração, eu olhava para baixo e já estava descendo da perna dele. Eu falava: 'Você é nojento, velho'. Quando saía um gol, um começava a pular no outro, e ele passava a mão no calção e depois no rosto dos caras. E eu já falava: ‘Sai de perto, sai daqui’. Você é Maluco, muito porco", confidenciou Fábio Santos.

Ambos particiaram do melhor ano do futebol do Corinthians, em 2012. Primeiro no título da Libertadores diante do Boca Juniors; depois a conquista do Mundial de Clubes da FIFA, na vitória por 1 a 0 sobre o Chelsea, com gol do peruano Paolo Guerrero. Eles também foram companheiros no Grêmio (RS) em 2010, quando o estilo bem característico de Fábio Santos era saber fazer ultrapassagem ao ataque, assistência em lances de gols, além de cobrador oficial de pênalti.

A rigor, ele foi bicampeão do Mundial de Clubes, pois integrava o elenco do São Paulo em 2005, clube que o revelou dois anos antes, sem que se fixasse como titular, principalmente com a contratação do lateral-esquerdo Júnior - ex-Palmeiras.

O paulistano Fábio Santos Romeu, de 40 anos, chegou ao Corinthians em 2011, para ocupar o lugar de Roberto Carlos, e inicialmente ficou até 2015, depois passando por Cruz Azul (MEX) e Atlético Mineiro. O retorno ao Timão ocorreu em 2020, atuando por mais três anos. Ele também jogou no Kashima Antlers (JA), Cruzeiro, Mônaco (FRA) e Santos.

Na Seleção Brasileira, a primeira convocação ocorreu em 2012, chamado pelo treinador Mano Menezes. Quatro anos depois o comandante Tite também o chamou e ele atuou contra o Peru, em Lima, em jogo pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.