sábado, 24 de outubro de 2026

Doze anos da morte do meio-campista Nenê Boteco

 Este 29 de outubro marca o 12º ano da morte do meio-campista, treinador e pernambucano de Guararapes Érico de Paula Coelho Filho, conhecido como Nenê Boteco. Aos 70 anos de idade, ele foi tão castigado por um câncer, sofreu AVC (Acidente Vascular Cerebral), e a sua filha Bruna pediu misericórdia a Deus, citou o jornal Diário de Marília, na ocasião.

Nenê Buteco foi um meia-de-armação nos tempos em que jogadores dessa posição eram adaptados com facilidade à de volante. Alguns outros exemplos foram Nair e Dino Sani no Corinthians, Lorico no Botafogo de Ribeirão Preto e Zé Carlos no Cruzeiro.

Naquele time são-paulino campeão paulista em 1970, quebrando um jejum de 13 anos sem conquista, em disputa direta com a Ponte Preta, Nenê ainda era meia, reserva de Gérson. E aquele título foi conquistado no Estádio Brinco de Ouro, em Campinas, na vitória por 2 a 1, de virada, sobre o Guarani, com Toninho Guerreiro e Paulo Nani marcando para os são-paulinos, enquanto Wagninho abriu a contagem para o Bugre. O jogo foi realizado no dia nove de setembro, com público de 17.766 pagantes.

O time São Paulo, do treinador Zezé Moreira, tinha essa formação: Sérgio; Forlan, Jurandir, Roberto Dias e Gilberto Sorriso; Edson Cegonha e Gerson (Nenê); Paulo Nani, Terto, Toninho Guerreiro e Paraná.

Nenê Boteco enfrentou o período de ‘vacas magras’ no futebol do São Paulo, ao chegar ao clube em 1965. É que a diretoria priorizou o acabamento da construção do Estádio do Morumbi, e o time só voltou aos trilhos na década de 70, com Nenê participando do bicampeonato paulista.

Inacabado, o Morumbi foi inaugurado dia dois de outubro de 1960, na vitória são-paulina sobre o Sporting de Portugal por 1 a 0, gol de Peixinho. Com obras concluídas em janeiro de 1970, o estádio chegou a comportar público recorde de 146.072 torcedores na decisão do paulista de 1977 entre Corinthians e Ponte Preta. Hoje, por medida de segurança, a capacidade foi reduzida para 72.032 torcedores.

Após o bi no Tricolor, com registro de 263 partidas, Nenê passou por Náutico, São Bento - clube que se identificou como os respeitáveis meio-campistas Bazzaninho, Raimundinho e Gatãozinho -, Marília e Operário de Campo Grande (MS). Ele tinha característica de jogador combativo, mas sabia organizar jogadas. E foi treinador de São Bento, Atlético Sorocaba e Marília.


Foi contra o Guarani que Pelé assustou os torcedores

 Se vivo fosse o rei Pelé completria 86 anos de idade neste 23 de outubro. Quis o destino que moresse no dia 29 de dezembro de 2022, portanto aos 82 anos. E diante das incontáveis histórias inigualáveis e protogonizadas por ele, só pouco mais de 13 mil torcedores, no Estádio Brinco de Ouro, presenciaram-no desacordado no gramado no dia três de dezembro de 1967, naquele empate por 1 a 1 entre Guarani e Santos, pelo Paulistão.

A época não havia transmissão de jogos pela televisão e o lance ocorreu logo após ter marcado o primeiro gol da partida, aos 14 minutos do primeiro tempo, quando o então ponteiro-esquerdo Edu Jonas cruzou, e ele mergulhou na bola. Ou melhor: ficou na horizontal, em situação paralela ao gramado, e chocou a cabeça na trave de mandeira. Aí ficou estático no gramado. Desacordado por cerca de cinco minutos. E alguém, nas dependências das vitalícias do Guarani, interrompeu o silêncio e gritou: 'Pelé morreu'.

Pronto. Semblantes constritos de torcedores. Lágrimas começaram a brotar de quem já imaginava o pior, pela proporção do choque. Aquilo causou apreensão no público, mas em seguida ele 'ressuscitou' e levou torcedores ao delírio, com aplausos, de pé, de mandantes e visitantes.

O pânico foi provovado porque o dito cujo da fake news’ estava com radinho de pilha colado ao ouvido, aumentando a suspeita de informação possivelmente colhida por repórter, no gramado, época em que os jogos, aos domingos, começavam às 15h45.

E porque a recordação da ficha técnica desse memorável jogo, com gol do Guarani marcado pelo saudoso meia Milton dos Santos, com chute de longa distância e um frangaço do goleiro Gylmar - já falecido. A arbitragem ficou a cargo de Etelvino Rodrigues.

O Guarani, do então treinador Alfredinho Sampaio, contou com Dimas; Miranda, Paulo, Tarciso e Diogo; Tonhé e Milton dos Santos; Carlinhos, Osvaldo, Parada e Wagninho. Já o Santos, comandado por Antoninho, foi a campo com essa formação: Gylmar; Lima, Ramos Delgado, Joel e Rildo; Clodoaldo e Buglê; Edu Jonas, Toninho, Pelé e Abel.

Pelé morreu em decorrência de um câncer no colo ter avançado para outros órgãos. Partiu para outro destino na certeza que jamais será superado no futebol enquanto mundo for mundo. E dele, com a singular voz grave, deixamos de ouvir a palavra mais repetida durante as entrevistas: ‘entendeu?’.

domingo, 11 de outubro de 2026

Amoroso fez carreira de sucesso no Brasil e exterior

 Até a década de 90 do século passado, caía no 'colo' dos clubes de futebol atletas de primeira grandeza, na maioria das vezes sem a intermediação de empresários do ramo. E foi assim que surgiu nas categorias de base do Guarani o meia-atacante brasiliense Márcio Amoroso dos Santos em 1991, como artilheiro do Campeonato Paulista Juvenil, com 27 gols.

Outros clubes também foram contemplados pelos talentos, que depois viraram lucros nas vendas de direitos econômicos, como foi o caso de Amoroso, em período que o Guarani contava com um fortalecido departamento amador, e revelava preciosidades como o centroavante Luizão e meio-camista Elano.

Foi a época que o clube dispunha de dirigentes com dissernimento em negócios no futebol, como foi o caso do então presidente Beto Zini. Habilmente ele foi buscar o meia Djalminha no Flamengo, pagando 'migalhas', assim como havia contratado, por 'bagatela', o talentoso Edilson Capetinha no Tanabi, enterior paulista.

Ainda na base do Guarani, Amoroso já era cogitado, tanto que passou períoso por empréstimo no Verdy Kawasaki, do Japão, retornando em 1994, quando recebeu o prêmio de melhor jogador do Brasileirão, num claro indício que prosperaria ainda mais, como ocorreu nas passagens por Flamengo, Udinese e Parma da Itália; depois Borussia Dortmund da Alemanha e Málaga da Espanha; até que em 2005 voltou ao Brasil, para jogar no São Paulo.

Lá, reencontrou-se com Luizão e faturou a Libertadores e Mundial de Clubes, após o time vencer o Liverpool-ING por 1 a 0. Assim, em 2006 voltou à Italia para jogar no Milan, mas no vaivém ingressou no Corinthians. Aí, divergências com o técnico Emerson Leão provocaram seu desligamento e transfência ao Grêmio (RS), onde meses depois acabou dispensado.

Depois disso, ainda teve passagens por Aris Salônica, da Grécia, e retorno ao Guarani, onde encerrou a carreira em 2009. Ele trabalhou como comentarista em emissoras de TV, mas não levou para frente esse ofício. E em 2016 decidiu voltar aos gramados e defender o Boca Raton, time da quarta divisão dos Estados Unidos.

Agora que já completou 52 anos de idade, administra atividade no ramo da construção civil, agradece a Deus por tudo caminhar bem, e apenas lamenta algumas lesões que provocaram prejuizo na carreira e brinca. “Hoje estou comendo, bebendo e dormindo”, diz sorrindo.

domingo, 4 de outubro de 2026

Saudoso volante Chicão marcou histórias no futebol

 Esse oito de outubro marca o 18º ano da morte de Francisco Jenuíno Avanzi, o volante Chicão, aos 59 anos de idade, vítima de câncer no esôfago. Ele fez sucesso com a camisa do São Paulo e, provocativo, entrou para a história por ter intimidado o ex-árbitro José de Assis Aragão antes de um clássico com o Palmeiras em 1976, e recebeu o cartão amarelo sem que a  partida fosse iniciada. “Cheguei pro Aragão e disse: ‘Vê se apita direito essa porcaria’”, confessou.

Ele também contou que no último ano de carreira, em 1986, estava sem os quatro meniscos e foi o condutor da campanha de acesso do Mogi Mirim (SP) ao Paulistão, aos 37 anos de idade. Evidente que não quis admitir que em 1977, na decisão do Campeonato Brasileiro contra o Atlético (MG), maldosamente pisou na perna quebrada do meia Ângelo (já falecido), só por suspeitar que estivesse fazendo “cera”. A brutalidade ocorreu após entrada do são-paulino Neco sobre o atleticano, que resultou em fratura.

Natural de Piracicaba (SP), mantinha o indisfarçável sotaque caipira, carregado no “erre”. Nos últimos anos optou pelo rosto lambido ao vasto bigode, e seus amigos contaram que décadas passadas entrou em uma loja de São Paulo e, ao pagar a conta, 'tropeçou' no preenchimento do cheque ao grafar a palavra sessenta cruzeiros. Detalhe: após preencher o extenso incorretamente duas vezes, optou por assinar dois cheques de trinta cruzeiros para liquidar o assunto.

Chicão foi o admirável xerife que colocava ordem na casa. Nos tempos em que a 'juizada' contemporizava antes de mostrar cartão amarelo ou vermelho para jogadas violentas, ele não perdia 'viagem' nas divididas: desarmava ou apelava para as faltas. E a história de jogador viril começou no XV de Piracicaba. Depois passou por União Barbarense (SP), São Bento (SP), Ponte Preta, São Paulo, Atlético (MG), Santos e Mogi Mirim.

No tricolor paulista, a partir de 1973, sagrou-se campeão paulista em 1975 e no Campeonato Brasileiro em 1977.

Integrou o selecionado brasileiro na Copa do Mundo de 1978, na Argentina, e no jogo contra os anfitriões foi escalado ao lado do gaúcho Batista.

Como treinador, após experiências por XV de Piracicaba, Inter de Limeira, Clube Atlético Montenegro e Paranapanema, todos do interior de São Paulo, teria muitas histórias para contar aos subordinados, mas não deu tempo.



domingo, 27 de setembro de 2026

Onze anos sem o centroavante Kita

Já que a Inter de Limeira está bem próxima do acesso à Série B do Brasileiro, isso nos remete à temporada de 1986, quando da conquista do título inédito do Paulistão. E o protagonista daquela conquista foi o então centroavante Kita com 23 gols, o artilheiro daquela competição, valendo-se no aproveitamento na bola aérea e oportunismo nas conclusões, embora fosse um atleta desprovido de técnica.

Esse próximo três de outubro marca o 11º ano da morte de João Leithard Neto, apelidado de Kita, no Hospital IOT de Passo Fundo (RS), aos 57 anos de idade. Ele lutava contra um câncer no fígado muito agressivo, com desdobramento para outros órgãos. E sofria com problemas de saúde desde 2011.

Inexplicavelmente a vida seleciona algumas pessoas para período de glória, contrastando com continuidade de sofrimento. Em junho de 2011, aos 53 anos de idade, após uma cirurgia para reconstituir os ligamentos do tornozelo esquerdo, uma infecção hospitalar implicou na amputação da parte de seu pé. O quadro foi agravado em decorrência do diabetes.

Naquela conquista de 1986, Kita marcou o primeiro gol da segunda e decisiva partida daquela decisão, quando o seu clube venceu o Palmeiras por 2 a 1, no Estádio do Morumbi. Já o ponteiro-direito Tato marcou o outro gol, ocasião que a equipe era dirigida pelo treinador Pepe. E marcou história no clube ao se enquadrar como o quinto maior artilheiro de todos os tempos com 37 gols.

Após sucesso naquela competição, Kita foi pretendido por Corinthians e Flamengo, e o destino foi o futebol carioca, onde marcou 21 gols em 63 partida. No início de 1988, retornou à Inter de Limeira, e, no segundo semestre, na Portuguesa. A carreira foi estendida no Grêmio, Athlético Paranaense, Figueirense, Esportivo de Bento Gonçalves e Passo Fundo, onde a encerrou em 1995, marcando nove gols em 25 jogos.

Paradoxalmente, o Passo Fundo foi o clube onde iniciou a carreira, aos 17 anos de idade, atuando como meia-direita. Depois teve passagens por 14 de Julho, Criciúma, Esportivo, Guarani de Garibaldi, Brasil de Pelotas e Juventude, onde tornou-se artilheiro do Campeonato de Gaúcho de 1983 com 15 gols. Incontinenti, no Inter (RS), foi campeão estadual, sem contudo brilhar, antes da chegada na Inter de Limeira. Ele também integrou a Seleção Olímpica na conquista da medalha de prata de 1984, em Los Angeles (EUA).



sábado, 19 de setembro de 2026

Roger Silva, de homem gol e treinador de acessos

O histórico do ex-centroavante Roger Rodrigues da Silva, natural de Campinas e hoje treinador - é marcado de extrema curiosidade. Afinal, qual atleta revelado por um clube - como foi o caso dele na Ponte Preta em 2003, e sequência em mais três anos - voltasse a defendê-lo por mais quatro vezes, na condição de empréstimo?

Pois isso ocorreu nas temporadas de 2007, 2012, 2016 e 2020, porém com fase marcante nos primeiros três anos de clube, com faro de gols e confissão que aquele era o seu coração.

Roger, que em janeiro passado completou 41 anos de idade, se despontou como o atacante com presença frequente na área para complemento de jogadas - quer no chão, quer por cima - assim como nas construções de jogadas. Exatamente por isso despertou interesse do São Paulo, que veio buscá-lo justamente no ano que o clube conquistou o título da Libertadores da América.

Todavia, na condição de reserva de nomes como Grafite e Diego Tardelli, as oportunidades foram raras, e assim foi considerado prescindível no elenco, o que facilitou empréstimos a clubes como o Palmeiras, Al Nassr da Arábia Saudita, Sport Recife, Fluminense, Vitória e Guarani até 2010, quando teve a experiência internacional no Kashiwa Reysol do Japão, disputando a segunda divisão, sem contudo se adaptar àquele novo ambiente, tanto que no ano seguinte acabou emprestado ao Ceará.

Curioso é que ele voltou a ter experiência no mercado internacional no Suwon Samsung Bluewings, da Coréia do Sul, em 2014, repetindo a falta de adaptação, e assim foi alternando passagens por clubes médios e grandes do Brasil como Corinthians, Botafogo (RJ), Internacional (RS), Red Bull Brasil e Operário do Paraná.

Em dezembro de 2020, foi contratado pela Inter de Limeira para disputar o Paulistão de 2021. Ao término da competição, anunciou a sua aposentadoria na carreira de atleta, sem que aquilo significasse afastamento do futebol. Incontinente, assumiu o cargo de gerente de futebol do clube, provavelmente sem imaginar que três meses depois fosse assumir interinamente a função de treinador na própria Inter.

A carreira ganhou relevância ao conquistar o acesso do Athletic (MG) à Série B do Brasileiro em 2024, o que permitiu engate na nova função em clubes como Londrina - novamente com acesso à Série B ano passado -, Sport, América Mineiro e agora o Atlético Goianiense.


domingo, 13 de setembro de 2026

Deu zebra, invenção de Gentil Cardoso

 Dezenas de vezes você citou a palavra 'zebra' sobre resultado inesperado de um jogo de futebol, mal sabendo que o criador da metáfora foi o saudoso treinador pernambucano Gentil Alves Cardoso, que passou a usar o bordão quando clubes pequenos do Rio de Janeiro ganhavam dos grandes a partir de 1940. Por que zebra? Porque não fazia parte do jogo de bicho. Era uma estranha na jogatina.

Evidente que Gentil jamais poderia prever que a junção verbo e substantivo ‘deu zebra’ transcendesse a bola, e fosse usada invariavelmente em todos os segmentos. E por que o jogador talentoso é chamado de cobra? Outra metáfora inventada por Gentil Cardoso, um frasista por excelência.

Ao exigir que o seu time trabalhasse a bola no chão, dizia que ‘a bola é de couro, o couro vem da vaca, e a vaca gosta de grama; então, jogue rasteiro meu filho’. Também é dele a frase ‘quem se desloca recebe, quem pede tem preferência’.

O oito de setembro passado marcou o 56º ano da morte dele, que não perdeu o bom-humor até internado no Hospital Central da Aeronáutica, no Rio de Janeiro. 'Doutor, estou entrando na vertical. Veja se não saio na horizontal, porque técnico de futebol não pode trabalhar nessa posição'.

E saiu de lá para o cemitério, deixando uma biografia de migrante negro vitorioso. Foi engraxate, garçom e motorneiro. Nunca foi jogador, mas ingressou na função de treinador do Bonsucesso nos anos 30 do século passado, e quando apitava treino dizia que reservas não ganhavam dos titulares. Se o caldo engrossava, arrumava um pênalti ‘mandrake’ e acomodava a situação. ‘Bola na bunda de time pequeno é pênalti’, brincava.

Seu reino encantado foi o Rio de Janeiro, intercalando passagens pelos grandes clubes. Em 1946, contratado pelo Fluminense, deu um recado aos cartolas logo na chegada: “Se vocês me derem o Ademir (de Menezes), eu lhes darei o campeonato”. Dito e feito. O ex-vascaíno marcou o gol do título contra o Botafogo.

Nos anos 50, treinando o Botafogo, lançou o ponteiro-direito Mané Garrincha. Na época fazia uso de megafone para se comunicar com os jogadores durante os treinos. Em seguida voltou a Recife, em troca de bons contratos, para comandar Sport, Santa Cruz e Náutico. E nos três clubes levantou o caneco. No futebol paulista treinou Ponte Preta e Corinthians. Passou ainda por Nacional do Equador e Sporting de Portugal.