domingo, 10 de maio de 2026

Dez anos sem o ex-treinador Paulo Emílio

 Este 16 de maio marca dez anos da morte do ex-treinador de futebol Paulo Emílio, aos 80 anos de idade, na cidade de São José dos Campos (SP). Ele teve um currículo de pouco mais de 30 anos na função, com passagens em grandes clubes como Santos, Vasco, Fluminense, Botafogo, Santa Cruz, Náutico, Bahia, Vitória, Paysandu, Fortaleza, Goiás e Athletico Paranaense.

Também passou por clube do interior paulista como Guarani e Noroeste de Bauru, além de atuar em Portugal, Japão e Arábia Saudita em meados da década de 90, quando se aposentou. E você sabe como surgiu o de escanteio curto, que consiste em troca de passes de atletas a partir da linha de fundo, e não levantamento de bola à área adversária? Ele foi o 'inventor' desse lance, em jogada que narradores de futebol do passado batizaram de escanteio de ‘mangas curtas’.

Em 1975, no auge da carreira, ele comandou a máquina do Fluminense montada pelo então presidente Francisco Horta, que conquistou a Taça Guanabara na decisão contra o América, quando o Estádio do Maracanã recebeu público de 96.035 pagantes.

A vitória por 1 a 0 na prorrogação foi caracterizada com gol de falta do ex-meia Roberto Rivellino. Eis a equipe da época: Félix; Toninho, Silveira, Edinho e Marco Antonio; Zé Mário, Cléber e Rivellino; Gil, Manfrini e Zé Roberto.

Outra marca na carreira do treinador foi a coragem para lançar garotos, o principal deles o centroavante Careca no Guarani, aos 17 anos de idade, em 1977. Mesma idade foi do lançamento de Carlos Alberto Barbosa, enquanto o lateral Rodrigues Neto subiu com 16 e o lateral-direito Rosemiro aos 18 anos.

Essa atitude de Paulo Emílio tem tudo a ver com o seu surgimento como treinador. Aos 26 anos de idade já comandava equipe e compensava a falta de experiência com aprendizado teórico. Treinava exaustivamente bola aérea ofensiva no primeiro pau, para que alguém a escorasse de cabeça, visando a complementação no segundo pau. De personalidade marcante, tinha habilidade para influenciar amigos e contornar problemas de indisciplina no elenco.

Na adolescência, o sonho dele era jogar futebol profissionalmente, mas foi reprovado em teste no juvenil do Atlético Mineiro. Com a mudança da família ao Rio de Janeiro, chegou a realizar amistosos na zaga do time principal do Bonsucesso, mas teve que encerrar precocemente a carreira por causa da asma.


domingo, 3 de maio de 2026

Ferroviária produziu histórias com ídolos do passado

 A volta da Ferroviária de Araraquara à elite do futebol paulista nos remete aos ídolos que por lá passaram décadas passadas, o principal deles o meia Bazzani, que morreu no dia 13 de outubro de 2007, aos 72 anos de idade, vitimado por um câncer na próstata, quando já sofria de Mal de Alzheimer. Ele atuou no Corinthians entre 1963/65 e, ao se desligar do futebol, exerceu a profissão de cirurgião-dentista.

No passado, a Ferroviária revelava aos montes jogadores recomendáveis, e clubes da capital paulista tinham o hábito de buscá-los. O Palmeiras, por exemplo, levou o saudoso volante Dudu e o habilidoso ponteiro-esquerdo Nei, nos anos 60 do século passado.

Mesmo período, o São Paulo contratou o goleador Téia, recompensado pelo atleta ter sido artilheiro do Paulistão de 1968, com 20 gols, vários deles de cabeça, ocasião que se prevalecia devido à boa estatura e impulsão. Em Araraquara, Téia havia formado uma bela dupla de ataque com o meia Maritaca. Anos antes, também saíram de Araraquara para o tricolor paulistas os ponteiros-direitos Peixinho e Faustino.

E foi na Ferroviária que o zagueiro Mauro Pastor se destacou, despertando interesse do Inter (RS) para contratá-lo, sendo que em 1979 ele participou do tricampeonato do Campeonato Brasileiro.

Contrastando com ídolos que até então brotavam na Ferroviária, nos anos 80 ela foi propagada nacionalmente por contar com um dos jogadores mais violentos do futebol brasileiro: Antenor José Cardoso ou simplesmente Pinheirense, que morreu no dia 22 de agosto de 2009, em Recife (PE), três meses antes de completar 54 anos de idade.

Natural do Maranhão, com aparição no Náutico no final dos anos 70, a fama dele de homem mau se consolidou na Ferroviária, quando impiedosamente “abria a caixa de ferramenta”, como diziam antigos locutores de futebol. Na maioria das vezes acertava meio gomo da bola e metade do pé do adversário. Logo, foi recordista de expulsões, diferente do falecido zagueiro Moisés - que jogou no Bangu e Corinthians - que apesar da fama de xerife, raramente era expulso.

Pinheirense ainda passou por clubes do interior de São Paulo, Londrina (PR) e Coritiba. Depois, quis o destino que vivesse os últimos dez anos em uma cadeira de roda. Ficou paraplégico ao ser alvejado com um tiro pelas costas, disparado pelo marido de uma ex-namorada, na capital paulista.


domingo, 26 de abril de 2026

Gaúcho, 'transformado em Mineiro', fez história no futebol

A história do ex-volante Mineiro - campeão mundial pelo São Paulo em 2005 - é de singularidade. Primeiro porque não é mineiro, e sim gaúcho de Porto Alegre. Então por que o apelido desconectado da realidade? Quando atuava na base do Inter (RS), ao lado de seu irmão - com fisionomia semelhante do então lateral-esquerdo Cláudio Mineiro -, ambos foram apelidados como 'Mineirão' e 'Mineirinho', ficando o rótulo no diminutivo para o volante, por causa da estatura de 1,69m de altura e franzino.

Como o irmão foi desligado primeiro do clube, Mineirinho passou a ser identificado apenas como Mineiro. E como igualmente foi dispensado da base do 'Colorado', topou o desafio de tentar a sorte no Rio Branco de Americana (SP), onde se profissionalizou. Em 1997 transferiu-se ao Guarani, porém o comando técnico não teve a devida percepção de que ele poderia evoluir tecnicamente.

Assim, coube a rival Ponte Preta detectar possibilidade de melhorar o potencial dele para o desarme a adversários, e tratou de levá-lo naquele mesmo ano. A permanência de cinco anos no clube provocou grande identificação com a torcida. E dali pra frente, além do vigor físico nas disputas de bola, o rendimento técnico dele cresceu assustadoramente, com incursões ao ataque.

Assim, os títulos começaram a surgir. Primeiro o Paulistão de 2004 pelo São Caetano, mas o ápice da carreira ocorreu no São Paulo, na temporada seguinte, com conquistas de Libertadores e Mundial de Clubes da Fifa, ocasião que marcou o gol da vitória sobre o Liverpool da Inglaterra, por 1 a 0. Antes disso há havia sido recompensado com convocações à Seleção Brasileira. Ele integrou o grupo que participou da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, e aquele espaço continuou reservado dois anos depois, na conquista do título da Copa América na Venezuela.

Naquela ocasião, ele já havia se transferido ao futebol europeu e teve passagens por Hertha Berlim, Chelsea, Schalke 04 e Tus Koblens, clube que marcou o encerramento da carreira em 2012, para, em seguida, optar por fixar residência na Alemanha, em Gelsenkirchen, com esposa e dois filhos.

Lá, usando o nome de registro como Carlos Luciano da Silva, decidiu abrir a empresa de consultoria (MNR Sports & Integration), para auxiliar na adaptação de novos atletas no futebol alemão, e, devidamente adaptado. decidiu pela permanência.


domingo, 19 de abril de 2026

Paolo Guerrero, 42 anos, ainda está em atividade

 A essência da coluna é homenagear jogadores do passado que, por algumas razões, estiveram em evidência nas suas respectivas épocas. Todavia, se o foço é o centroavante Paolo Guerrero - ainda em atividade -, que completou 42 anos de idade em janeiro passado, natural recapitular outros atletas que, como ele, resistem ao tempo e continuam nos gramados.

O Botafogo da Paraíba aposta no meia Nenê - que recentemente se desligou do Juventude -, que vai completar 45 anos de idade em julho. E, com um ano a menos, encaixa-se o rodado centroavante Ciel, ora vinculado ao Ferroviário (CE). Já o zagueiro Thiago Silva estava em plena forma no Fluminense, e por isso o futebol português tratou de buscá-lo para jogar no Porto, mesmo sabendo que em setembro ele vai completar 42 anos de idade. E como goleiro pode ter vida longa no futebol, também no final de setembro Fábio, do Fluminense, vai fazer 46 anos de idade.

Logo, nenhuma anormalidade José Paolo Guerrero Gonzales estar vinculado ao Alianza Lima, clube que o revelou e abriu-lhe caminhos para trajetória vitoriosa. Nos três anos de Corinthians, a partir de 2012, logo de cara foi herói na conquista do título mundial de clubes, ao marcar o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Chelsea.

Em 2014 ele ganhou a Bola de Prata da revista Placar como melhor atacante do Brasileirão, e ainda é considerado o estrangeiro que mais marcou gols pelo clube - com 47 -, um a mais que o argentino Carlito Tevez. Depois, passou por Flamengo, Inter (RS), Avaí e Racing da Argentina, antes do retorno ao Peru, com transferência ao César Valejo e Alianza Lima, do Peru.

Na passagem pela seleção peruana registro para gols e confusão. Acusado por uso de doping, chegou a ser condenado a cumprir pena de suspensão de 14 meses, que implicaria em ficar de fora da Copa do Mundo de 2018, mas o Tribunal Federal da Suíça aceitou a apelação e a pena seria cumpprida depois da Copa.

Em maio de 2019, um garçom do hotel onde a delegação peruana estava hospedada afirmou que Guerrero não foi responsável por caso de doping, já que, segundo ele, 'uma jarra mal lavada pode ter feito que caísse no doping", inocentando, desta forma, a culpa do atleta.

Relatos da mídia afirmam que ele tem medo de viajar de avião, devido à trágica morte de seu tio José González Ganoza, que morreu no desastre aéreo com o Alianza Lima em 1987.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Vinte anos sem o treinador Telê Santana

Treinadores de futebol da atualidade debruçam dia e noite em esquemas táticos e estudam variações de jogadas. No passado, tinham preocupação de aprimoramento de aspectos técnicos dos jogadores. Repetiam, quantas vezes fossem necessárias, trabalhos de fundamentos com atletas, visando melhor condicionamento para os jogos.

O próximo 21 de abril será marcado pelo vigésimo ano da morte dele, pois encaixava-se exatamente no perfil de aprimoramento técnico, embora fosse atento no aspecto tático, extraindo ensinamentos de ótimos professores nos tempos de jogador. No Fluminense, o saudoso técnico Zezé Moreira ensinou-lhe a importância do ponteiro ter duplicidade de função: de posse de bola fazer jogadas de fundo de campo, mas sem ela recuar no meio de campo para fechar os espaços do adversário.

Como treinador do São Paulo, pacientemente ensinou o ex-lateral-direito Cafu a cruzar, colocando a bola na área adversária em condição de o atacante marcar gols. Na década de 90 do século passado, o ataque são-paulino não tinha cabeceador, mas contava com um meia alto, como Raí. Pois Telê o condicionou a chegada dele ao ataque, e o incumbiu de aproveitar cruzamentos do fundo do campo, resultando num punhado de gols. E ainda agregou-lhe outra virtude: treinar exaustivamente cobranças de faltas até atingir aceitável índice de aproveitamento.

Telê não reclamava de retrancadas adversárias. Na concepção dele, se o seu time atacava mais e criava mais oportunidades. Aí cobrava competência para finalizar, tanto que reservava parte dos treinamentos para exercitar esse fundamento.

No comando da Seleção Brasileira, foi castigado naquele fatídico jogo pela Copa de 1982, da Espanha, com derrota por 3 a 2 para a Itália, pois precisava do empate e ele optou por futebol ofensivo. E isso persistiu na sequência da carreira, com cinco magníficos anos no São Paulo, quando conquistou o bicampeonato mundial na década de 90, mas teve que se afastar daquilo que julgava ser mais sagrado na vida.

Complicações cardíacas o deixaram debilitado desde 1995 e isso lhe provocou angústia, porque só se sentia completamente realizado se estivesse envolvido no esporte. Ele ainda tentou se distrair com atividades agropecuárias em seu sítio, em Belo Horizonte, ou colado na televisão acompanhando futebol, novelas e programas de auditório, mas ficava deprimido facilmente.


domingo, 5 de abril de 2026

Volante Amaral, atração nos gramados e histórias divertidas

Assuntos sobre o ex-volante Amaral de Palmeiras, Corinthias e uma infinidade de clubes ganha mais destaque em entrevistas de vídeos, pois as histórias são hilárias. Se fez sucesso enquanto atleta, com giro ao redor do planeta, até hoje dá ibope quando relacionado para entrevistas e participações em reality show.

Amaral continua espontâneo e ri dele mesmo ao lembrar do drible elástico que sofreu do ex-centroavante Romário, no Flamengo, que o deixou estonteado nos tempos de Corinthians, e complemento da jogada com aplaudido gol, no característico estilo cavadinha.

Haja espaço para tantas histórias sobre o capivariano Alexandre da Silva Mariano - apelidado de Amaral -, 54 anos de idade, que antes da carreira no futebol ajudou no sustento da mãe - separada do pai -, trabalhando em agência funerária, com a incumbência de vestir os mortos. O Palmeiras abriu-lhe as portas nas categorias de base, devido ao estilo raçudo, marcação forte e intensidade física. Assim, se caracterizou como incansável 'ladrão de bola'.

Foram quatro anos no Verdão, para em seguida iniciar um processo de transferência em clubes do exterior, numa operação vaivém. Passou pelo Parma e Fiorentina (ITA), Benfica (POR), Al-Ittihad (Arábia Saudita), Pogoń Szczecin (POL), Perth Glory (AUS), Manado United e Persebaya (IND) e Beşiktaş (TUR).

Em 1998, de volta ao Brasil e no Corinthians, marcou trajetória vitoriosa, com títulos do Brasileirão e Paulistão. Nos dois anos seguintes foi campeão, pelo Vasco, no Brasileirão e Copa Mercosul. E como não tinha parada em clubes, passou por Grêmio (RS), Vitória (BA), Atlético Mineiro, Santa Cruz e outros clubes de menor expressão, até que em 2013 havia decidido pelo encerramento da carreira, porém, dois anos depois, aos 41 anos de idade, acertou contrato com o Capivariano, e lá jogou pouco.

Ele atuou dois anos na Seleção Brasileira, a partir de 1995, e confessou ter vendido todas medalhas conquistadas, a fim de comprar uma casa à sua mãe. Devido ao bom humor e histórias curiosas que conta, sempre é requisitado para entrevistas e reality shows.

Após a 'aposentadoria', Amaral participou de diversos programas de entrevistas. Em 2015 ficou apenas uma semana em 'A Fazenda'. Três anos depois esteve no Dancing Brasil. Em 2023, o Charla Podcast revelou que ele cobrou cachê para ser entrevistado pelo programa.



domingo, 29 de março de 2026

Saudoso goleiro João Marcos, do sucesso ao alcoolismo


Este dois de abril vai marcar o sexto ano da morte do então goleiro João Marcos, aos 66 anos de idade. Como dizia o também saudoso narrador de futebol Fiori Gigliotti 'o tempo passa'. E como passa rápido! Provoca esquecimentos de uns, enquanto outros, desatentos, hão de perguntar: 'quem foi esse João Marcos, goleiro, que não conheço?'

Esta é mais uma história de atletas do passado que não se prepararam emocionalmente para o pós-carreira. Tudo andava as mil maravilhas quando ele integra elencos de primeiro nível como Palmeiras e Grêmio, na década de 80 do século passado, com chance como titular da Seleção Brasileira na vitória por 1 a 0 em amistoso contra o Uruguai, em Curitiba.

A estatura de 1,87m de altura o encorajava neutralizar bolas cruzadas contra a sua meta, enquanto elasticidade e boa colocação colocavam-no como goleiro plenamente confiável, até que uma traiçoeira luxação no ombro esquerdo provocava forte dores e passou a preocupá-lo.

Foi quando ouviu de um médico que uma cirurgia não teria efeito duradouro para prosseguir na carreira, e assim decidiu precocemente pelo final em 1986, sem que inicialmente aquela parada brusca tivesse efeito negativo na questão financeira, como ocorre com muitos ex-jogadores que não sabem o que fazer quando param de jogar.

Ele passou a administrar sua fazenda, mas não demorou para que fosse prejudicado psicologicamente. Enveredou-se para o alcoolismo, e aquele comportamento se prolongou até 2014, quando tocava a "Associação Gol Solidário", que, com a ajuda de parceiros, revelava jovens talentos e havia se apegado ao cristianismo.

Segundo relato, durante o alcoolismo esteve entre a vida e a morte, com crise de cirrose, e o quadro clínico foi diagnosticado com hemorragia no esôfago. Foi internado em clínicas de reabilitação, uma delas com permanência de nove meses, quando o casamento ruiu, complicações no esôfago se agravaram e chegou a ficar cerca de dez dias internado no Hospital da Unesp de Botucatu-SP, até a morte.

O botucatuense João Marcos Coelho da Silva teve aptidão pelo vôlei em clube de sua cidade, em 1969. Chegou ao Guarani no ano seguinte, como reserva de Tobias, e aproveitou para cursar a Faculdade de Educação Física na Puc-Campinas. Ele ainda passou por América de Rio Preto, São Bento e Noroeste, antes de chegar ao Palmeiras em 1980, e depois Grêmio.