Este nove se setembro marca o 60º ano de idade do ex-meia Neto, apresentador de televisão de programa esportivo da TV Bandeirantes. Ele jogou no dente de leite da Ponte Preta e seguiu para o infantil do Guarani, porque sequer quiseram lhe pagar passagens de ônibus de Santo Antônio da Posse - sua cidade natal - ao Estádio Moisés Lucarelli.
Na época, depois de abusar dos lançamentos de rosca, de aplicar dribles elásticos, resmungar com companheiros e fazer o habitual gol de falta, ao voltar para a casa dos pais levou um 'pito' de sua mãe Maria Aparecida dos Santos, a dona Cida, perplexa ao vê-lo sem camisa.
"Ponha a camisa já, menino! Não vê que os fotógrafos estão te esperando", foi a bronca, retrucada logo em seguida: "Que camisa que nada, mãe. Aqui em casa a gente tem que ser assim mesmo, bem à vontade".
Irreverência era marca registrada de Neto, cujas meias invariavelmente ficavam arriadas. Como a maioria dos meninos de 17 anos de idade, ele tinha a mania de espremer espinhas, o cabelo encaracolado caía no rosto e, de personalidade forte, não tinha 'papas' na língua. Aquilo que pensava, falava com naturalidade, mesmo que fosse para o técnico da Seleção Sub-17, como Gilson Nunes.
"Falei pro Gilson Nunes que fosse se danar". E sabe porque tanta irritação? "Ele disse que me substituiu porque eu não estava marcando", justificou. E assim procedia enquanto esteve no Guarani até 1989, quando os seus direitos econômicos foram negociados com o Palmeiras, e posteriormente repassado ao Corinthians.
Quando atingiu a maioridade, Neto começou a ter propensão para engordar e não havia nutricionista que conseguisse controlá-lo. Ele encostava na branquinha de pastel, na feira livre defronte ao Estádio Brinco de Ouro, às quintas-feiras, e saboreava pastéis de todos os tipos.
Como era diferente da boleirada, em 1984 o técnico Carlos Alberto Silva - já falecido - havia terminado a preleção às 14h40, visando jogo do Paulistão, das 16h, no Estádio Brinco de Ouro, e Neto, como se não estivesse preparado para entrar em campo, acompanhou o seu amigo e saudoso jornalista Brasil de Oliveira até o garapeiro, e ambos degustaram dois copos de calda de cana.
Mesmo profissionalizado, jamais esqueceu os seus amigos da categoria de juniores, tanto que frequentava assiduamente os alojamentos do Departamento Amador.