Treinadores de futebol da atualidade debruçam dia e noite em esquemas táticos e estudam variações de jogadas. No passado, tinham preocupação de aprimoramento de aspectos técnicos dos jogadores. Repetiam, quantas vezes fossem necessárias, trabalhos de fundamentos com atletas, visando melhor condicionamento para os jogos.
O próximo 21 de abril será marcado pelo vigésimo ano da morte dele, pois encaixava-se exatamente no perfil de aprimoramento técnico, embora fosse atento no aspecto tático, extraindo ensinamentos de ótimos professores nos tempos de jogador. No Fluminense, o saudoso técnico Zezé Moreira ensinou-lhe a importância do ponteiro ter duplicidade de função: de posse de bola fazer jogadas de fundo de campo, mas sem ela recuar no meio de campo para fechar os espaços do adversário.
Como treinador do São Paulo, pacientemente ensinou o ex-lateral-direito Cafu a cruzar, colocando a bola na área adversária em condição de o atacante marcar gols. Na década de 90 do século passado, o ataque são-paulino não tinha cabeceador, mas contava com um meia alto, como Raí. Pois Telê o condicionou a chegada dele ao ataque, e o incumbiu de aproveitar cruzamentos do fundo do campo, resultando num punhado de gols. E ainda agregou-lhe outra virtude: treinar exaustivamente cobranças de faltas até atingir aceitável índice de aproveitamento.
Telê não reclamava de retrancadas adversárias. Na concepção dele, se o seu time atacava mais e criava mais oportunidades. Aí cobrava competência para finalizar, tanto que reservava parte dos treinamentos para exercitar esse fundamento.
No comando da Seleção Brasileira, foi castigado naquele fatídico jogo pela Copa de 1982, da Espanha, com derrota por 3 a 2 para a Itália, pois precisava do empate e ele optou por futebol ofensivo. E isso persistiu na sequência da carreira, com cinco magníficos anos no São Paulo, quando conquistou o bicampeonato mundial na década de 90, mas teve que se afastar daquilo que julgava ser mais sagrado na vida.
Complicações cardíacas o deixaram debilitado desde 1995 e isso lhe provocou angústia, porque só se sentia completamente realizado se estivesse envolvido no esporte. Ele ainda tentou se distrair com atividades agropecuárias em seu sítio, em Belo Horizonte, ou colado na televisão acompanhando futebol, novelas e programas de auditório, mas ficava deprimido facilmente.