A volta da Ferroviária de Araraquara à elite do futebol paulista nos remete aos ídolos que por lá passaram décadas passadas, o principal deles o meia Bazzani, que morreu no dia 13 de outubro de 2007, aos 72 anos de idade, vitimado por um câncer na próstata, quando já sofria de Mal de Alzheimer. Ele atuou no Corinthians entre 1963/65 e, ao se desligar do futebol, exerceu a profissão de cirurgião-dentista.
No passado, a Ferroviária revelava aos montes jogadores recomendáveis, e clubes da capital paulista tinham o hábito de buscá-los. O Palmeiras, por exemplo, levou o saudoso volante Dudu e o habilidoso ponteiro-esquerdo Nei, nos anos 60 do século passado.
Mesmo período, o São Paulo contratou o goleador Téia, recompensado pelo atleta ter sido artilheiro do Paulistão de 1968, com 20 gols, vários deles de cabeça, ocasião que se prevalecia devido à boa estatura e impulsão. Em Araraquara, Téia havia formado uma bela dupla de ataque com o meia Maritaca. Anos antes, também saíram de Araraquara para o tricolor paulistas os ponteiros-direitos Peixinho e Faustino.
E foi na Ferroviária que o zagueiro Mauro Pastor se destacou, despertando interesse do Inter (RS) para contratá-lo, sendo que em 1979 ele participou do tricampeonato do Campeonato Brasileiro.
Contrastando com ídolos que até então brotavam na Ferroviária, nos anos 80 ela foi propagada nacionalmente por contar com um dos jogadores mais violentos do futebol brasileiro: Antenor José Cardoso ou simplesmente Pinheirense, que morreu no dia 22 de agosto de 2009, em Recife (PE), três meses antes de completar 54 anos de idade.
Natural do Maranhão, com aparição no Náutico no final dos anos 70, a fama dele de homem mau se consolidou na Ferroviária, quando impiedosamente “abria a caixa de ferramenta”, como diziam antigos locutores de futebol. Na maioria das vezes acertava meio gomo da bola e metade do pé do adversário. Logo, foi recordista de expulsões, diferente do falecido zagueiro Moisés - que jogou no Bangu e Corinthians - que apesar da fama de xerife, raramente era expulso.
Pinheirense ainda passou por clubes do interior de São Paulo, Londrina (PR) e Coritiba. Depois, quis o destino que vivesse os últimos dez anos em uma cadeira de roda. Ficou paraplégico ao ser alvejado com um tiro pelas costas, disparado pelo marido de uma ex-namorada, na capital paulista.