Em 1970, o Galvão Bueno da televisão brasileira era Geraldo José de Almeida, com transmissões de futebol caracterizadas por bordões do tipo 'vamos Brasil, porque a tua fé te empurra'. Identificava Pelé como "craque café"; Rivelino era o "reizinho do parque"; Gerson, o "chuteira de ouro". E quando a bola caía nos pés do atacante Jairzinho, ele estufava o peito, empostava a voz, e o identificava como "furacão da Copa".
O mulato Jair Ventura Filho fez jus ao bordão. Entrou para a história das Copas como jogador a marcar gols em todas as partidas. Foram dois na goleada por 4 a 1 sobre a Tchecoslováquia; foi dele o gol no apertado 1 a 0 sobre a Inglaterra; marcou na vitória por 3 a 2 sobre a Romênia; repetiu a dose nos 4 a 2 diante do Peru; no 3 a 1 contra o Uruguai; e 4 a 1 na conquista do tricampeonato sobre a Itália.
Portanto, sete gols em seis jogos. E nem por isso foi artilheiro da competição. Muller, da Alemanha, fez dez gols. Vejam que às vésperas daquela Copa Jairzinho era reserva do ponteiro-direito Rogério. Ele só vestiu a camisa sete na Seleção Brasileira. Sua posição originária era ponta-de-lança. Admitiu ser deslocado para a 'ponta' porque o técnico Zagallo abdicou de especialistas nas extremas, tanto que o meia Rivelino jogou com a camisa 11.
Jairzinho nasceu no dia de Natal (25 de dezembro), em 1944, e aos 20 anos de idade teve a responsabilidade de vestir a camisa 10 de Amarildo, e caiu no gosto da galera. Ele explorava as passadas largas e tinha facilidade para finalizar, virtudes determinantes para que fosse relacionado à Copa de 1966, jogando contra Bulgária, Hungria e Portugal. E, na Seleção Brasileira, ficou até 1974, ano que deixou o Botafogo e se transferiu ao Olimpique de Marselha, na França.
Dois anos depois, de volta ao Brasil, sagrou-se campeão da Taça Libertadores da América pelo Cruzeiro, teve passagens por Wilstermann da Bolívia e Portuguesa da Venezuela, ocasião em que estava na torturante estrada da volta do futebol. Mesmo assim, brindou torcedores do Noroeste de Bauru (SP) e Fast Clube (AM) com algumas boas jogadas.
O encerramento da carreira de Jair Ventura Filho foi no Botafogo, em 1981. Depois disso empresariou jogadores, e, devido ao discernimento para avaliá-los, foi o descobridor do ex-atacante Ronaldo 'Fenômeno'. Ele é pai de Jair Ventura, treinador do Vitória (BA).