Antigamente, médio volante que só marcava não tinha camisa até em times do interior. Precisava saber passar bem a bola e, de vez em quando, fazer uns golzinhos. Foi assim com Zito, Dino Sani e Lima na década de 60 do século passado, e persistiu com o Toninho Cerezo nos anos 70.
Cerezo foi um exemplo de profissionalismo. Reconhecia humildemente as suas deficiências e tratou de corrigi-las ao longo da carreira, até a conquista do bicampeonato mundial de clubes pelo São Paulo, contra Roma, no Japão, em 1993, na maiúscula vitória são-paulina por 3 a 2.
Ele marcou um dos gols, sendo os demais através de Palhinha e Miller. Naquela noite, o São Paulo do técnico Telê Santana atuou com Zetti; Cafu, Valber, Ronaldão e André Luiz; Toninho Cerezo, Dinho, Leonardo e Doriva, Palhinha (Juninho) e Miller.
Em 1971, lançado no time principal do Atlético Mineiro, Cerezo era o típico jogador fominha, que adorava conduzir excessivamente a bola, às vezes abandonava a posição e era cobrado acintosamente. Por isso, em 1972, dirigentes do clube optaram por emprestá-lo ao Nacional de Manaus, juntamente com os meias Ângelo e Paulo Isidoro.
Embora ele tivesse se adaptado rapidamente ao intenso calor da região Norte do País, no ano seguinte os três foram reincorporados ao elenco do clube mineiro, ocasião que Cerezo dividiu opiniões. Para alguns, não passava de um 'peladeiro'; para outros, jogador de futuro, pois levava a bola em velocidade ao ataque.
Assim, permaneceu no clube até 1983, quando se transferiu à Roma e depois Sampdoria. E no futebol italiano ficou até 1992, conquistando títulos em ambos. Depois da passagem vitoriosa pelo São Paulo em 1993, ainda jogou no Etti/Jundiaí e Cruzeiro, arquirival atleticano, onde encerrou a carreira.
Ele foi atleta admirado pelo saudoso treinador Telê Santana, que o escalou na maioria das 72 partidas no comando da Seleção Brasileira, onde o atleta deixou a marca da falha crucial na partida contra a Itália, na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, que resultou na eliminação precoce do selecionado.
Quando encerrou a carreira, Cerezo voltou ao Estádio do Morumbi, para aprender a ser comandante de grupo com o mestre Telê, mas não prosperou na função, nas passagens por Atlético Mineiro, Vitória (BA) e futebol japonês, indicado pelo amigo Zico, e longe de cobranças de torcedores de cartolas.