Até a década de 90 do século passado, caía no 'colo' dos clubes de futebol atletas de primeira grandeza, na maioria das vezes sem a intermediação de empresários do ramo. E foi assim que surgiu nas categorias de base do Guarani o meia-atacante brasiliense Márcio Amoroso dos Santos em 1991, como artilheiro do Campeonato Paulista Juvenil, com 27 gols.
Outros clubes também foram contemplados pelos talentos, que depois viraram lucros nas vendas de direitos econômicos, como foi o caso de Amoroso, em período que o Guarani contava com um fortalecido departamento amador, e revelava preciosidades como o centroavante Luizão e meio-camista Elano.
Foi a época que o clube dispunha de dirigentes com dissernimento em negócios no futebol, como foi o caso do então presidente Beto Zini. Habilmente ele foi buscar o meia Djalminha no Flamengo, pagando 'migalhas', assim como havia contratado, por 'bagatela', o talentoso Edilson Capetinha no Tanabi, enterior paulista.
Ainda na base do Guarani, Amoroso já era cogitado, tanto que passou períoso por empréstimo no Verdy Kawasaki, do Japão, retornando em 1994, quando recebeu o prêmio de melhor jogador do Brasileirão, num claro indício que prosperaria ainda mais, como ocorreu nas passagens por Flamengo, Udinese e Parma da Itália; depois Borussia Dortmund da Alemanha e Málaga da Espanha; até que em 2005 voltou ao Brasil, para jogar no São Paulo.
Lá, reencontrou-se com Luizão e faturou a Libertadores e Mundial de Clubes, após o time vencer o Liverpool-ING por 1 a 0. Assim, em 2006 voltou à Italia para jogar no Milan, mas no vaivém ingressou no Corinthians. Aí, divergências com o técnico Emerson Leão provocaram seu desligamento e transfência ao Grêmio (RS), onde meses depois acabou dispensado.
Depois disso, ainda teve passagens por Aris Salônica, da Grécia, e retorno ao Guarani, onde encerrou a carreira em 2009. Ele trabalhou como comentarista em emissoras de TV, mas não levou para frente esse ofício. E em 2016 decidiu voltar aos gramados e defender o Boca Raton, time da quarta divisão dos Estados Unidos.
Agora que já completou 52 anos de idade, administra atividade no ramo da construção civil, agradece a Deus por tudo caminhar bem, e apenas lamenta algumas lesões que provocaram prejuizo na carreira e brinca. “Hoje estou comendo, bebendo e dormindo”, diz sorrindo.