segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Jairzinho, furacão da Copa de 70

 Em 1970, o Galvão Bueno da televisão brasileira era Geraldo José de Almeida, com transmissões de futebol caracterizadas por bordões do tipo 'vamos Brasil, porque a tua fé te empurra'. Identificava Pelé como "craque café"; Rivelino era o "reizinho do parque"; Gerson, o "chuteira de ouro". E quando a bola caía nos pés do atacante Jairzinho, ele estufava o peito, empostava a voz, e o identificava como "furacão da Copa".

O mulato Jair Ventura Filho fez jus ao bordão. Entrou para a história das Copas como jogador a marcar gols em todas as partidas. Foram dois na goleada por 4 a 1 sobre a Tchecoslováquia; foi dele o gol no apertado 1 a 0 sobre a Inglaterra; marcou na vitória por 3 a 2 sobre a Romênia; repetiu a dose nos 4 a 2 diante do Peru; no 3 a 1 contra o Uruguai; e 4 a 1 na conquista do tricampeonato sobre a Itália.

Portanto, sete gols em seis jogos. E nem por isso foi artilheiro da competição. Muller, da Alemanha, fez dez gols. Vejam que às vésperas daquela Copa Jairzinho era reserva do ponteiro-direito Rogério. Ele só vestiu a camisa sete na Seleção Brasileira. Sua posição originária era ponta-de-lança. Admitiu ser deslocado para a 'ponta' porque o técnico Zagallo abdicou de especialistas nas extremas, tanto que o meia Rivelino jogou com a camisa 11.

Jairzinho nasceu no dia de Natal (25 de dezembro), em 1944, e aos 20 anos de idade teve a responsabilidade de vestir a camisa 10 de Amarildo, e caiu no gosto da galera. Ele explorava as passadas largas e tinha facilidade para finalizar, virtudes determinantes para que fosse relacionado à Copa de 1966, jogando contra Bulgária, Hungria e Portugal. E, na Seleção Brasileira, ficou até 1974, ano que deixou o Botafogo e se transferiu ao Olimpique de Marselha, na França.

Dois anos depois, de volta ao Brasil, sagrou-se campeão da Taça Libertadores da América pelo Cruzeiro, teve passagens por Wilstermann da Bolívia e Portuguesa da Venezuela, ocasião em que estava na torturante estrada da volta do futebol. Mesmo assim, brindou torcedores do Noroeste de Bauru (SP) e Fast Clube (AM) com algumas boas jogadas.

O encerramento da carreira de Jair Ventura Filho foi no Botafogo, em 1981. Depois disso empresariou jogadores, e, devido ao discernimento para avaliá-los, foi o descobridor do ex-atacante Ronaldo 'Fenômeno'. Ele é pai de Jair Ventura, treinador do Vitória (BA).

domingo, 16 de agosto de 2026

Geraldo, morte aos 22 anos de idade

 Foi no dia 26 de agosto de 1976 que o futebol brasileiro ficou chocado com a inesperada morte do talentoso meia Geraldo, do Flamengo, aos 22 anos de idade, no Rio de Janeiro. Ele foi vítima de choque anafilático, provavelmente por reação à algum medicamento composto na anestesia, quando se submetia a cirurgia para extrair as amigdalas.

Se naquela época Geraldo atendeu recomendação médica para que se submetesse a cirurgia, hoje é possível controle clínico de infecções das amigdalas devido aos avanços terapêuticos. Médicos otorrinolaringologistas prescrevem tratamentos através de antibióticos eficazes e seguros, com respostas satisfatórias.

Quando a cirurgia é indicada por causa de prejuízo de respiração, sono, alimentação, fala, ou registro de infecções frequentes, pacientes se submetem previamente a exames pré-operatórios com o anesteriologista. Aí é avaliado o histórico de rejeição a remédios, que se juntam ao diagnóstico sobre aqueles que podem interagir com os anestésicos, para não haver anormalidade.

Geraldo jogou no Flamengo no triênio a partir de 1975, com chegada à Seleção Brasileira. Assim, disputou a Copa América de 1975, e foi considerado promessa à Copa do Mundo de 1978, na Argentina, mas não deu tempo. O defeito incorrigível foi a falta de ambição para finalizar contra metas adversárias. Preferia o passe a companheiro, e isso reflete no retrospecto de apenas 13 gols nas 168 partidas com a camisa do Flamengo.

Mineiro de Barão de Cocais - distante 100 quilômetros de Belo Horizonte -, Geraldo Cleofas Dias Alves foi revelado na base do Flamengo e integrou a geração de ouro do clube comandada por Zico, e corria de cabeça erguida,

Consta do histórico dele o título carioca de 1974, em época que contabilizava-se dois pontos por vitória. Como o Flamengo venceu o América por 2 a 1 e empatou sem gol com o Vasco, chegou a três pontos, em jogo presenciado por 165.358 torcedores. Eis o time da época: Renato; Júnior, Jayme, Luiz Carlos e Rodrigues Neto; Zé Mário, Geraldo e Zico; Paulinho, Édson e Julinho.

Irônico, Geraldo tinha hábito de assoviar quando fazia jogadas de efeito. Logo, o vício lhe rendeu o apelido de Geraldo do Assovio. Zico, entretanto, acrescentou que o hábito de assoviar também era fora de campo, principalmente a música ‘You Song, do cantor Elton John e interpretada pelo saudoso Billy Paul.


domingo, 9 de agosto de 2026

Adeus ao centroavante e goleador Geraldão

 A morte do ex-centroavante Geraldão, neste seis de agosto - por motivos não revelados - nos remete a curiosa e controvertida história da carreira dele no futebol, entre as décadas de 70 e 80 do século passado, quando atletas não se 'policiavam' nas palavras, e era comum prometerem marcar gols em clássicos, imitando o marqueteiro Dadá Maravilha.

O raçudo Geraldão, que valia-se da caixa torácica avantajada para trombar com a ‘becaiada’ e marcar gols, também participou da farra de prometê-los. Em 1982, numa decisão de título regional de seu Inter (RS) contra o rival Grêmio, chamou a imprensa e prometeu e título ao Colorado com dois gols dele.

E quem foi ao Estádio Olímpico viu os tais gols prometidos no seu estilo inconfundível, em ano que o faro de gols o transformou em artilheiro do 'Gauchão’ daquela temporada, com 20 deles, nesse time: Benitez; Edvaldo, Mauro Pastor, Mauro Galvão e André Luís; Ademir Kaefer, Cléo e Rubens Paz; Sílvio, Geraldão e Silvinho.

Geraldo da Silva, nascido em Álvares Machado (SP), caneleiro assumido, identificado como Gerardão, havia completado 77 anos de idade em julho passado, e tinha a sina de brilhar contra rivais. Foi assim nos tempos de Botafogo de Ribeirão Preto de 1970 a 1975, quando formou dupla de ataque com o saudoso Sócrates. Bastava a tabela do Paulistão programar Come-Fogo (Botafogo x Comercial) para os comercialinos tremerem na base.

Foi artilheiro do Paulistão de 1974 com 24 gols e, já na temporada seguinte, quando contratado pelo Corinthians, se transformou em carrasco do São Paulo. E com aqueles 23 gols marcados no Paulistão de 1977, ajudou o clube a quebrar um jejum de títulos que se aproximava de 23 anos, na decisão contra a Ponte Preta. O time, comandado pelo saudoso treinador Oswaldo Brandão, tinha essa formação: Tobias; Zé Maria, Moisés, Ademir Gonçalves e Wladimir; Ruço, Basílio e Luciano Calhoada (Palhinha); Vaguinho, Geraldão e Romeu.

Em 1978, emprestado ao Juventus, retornou no ano seguinte e retomou a dupla de área com Sócrates, mas a história dele no Corinthians durou mais um ano, caracterizada com histórico de 278 jogos e 90 gols. Todavia, a partir de 1985 começou o calvário, com repasses a pequenos clubes, como o extinto União Valinhos, Francana, Corinthians de Presidente Prudente, Itararé e Garça em 1989, quando encerrou a carreira.


domingo, 2 de agosto de 2026

Rivellino, o inventor do drible elástico e desconcertante

A voz 'taquara rachada' do ex-meia Roberto Rivellino, quando atuava como comentarista esportivo da TV Bandeirantes, era irrelevante diante do conteúdo de suas observações sobre futebol. Ele é dos tais que esteve no campo, jogou muito e entrou para a história como inventor do drible elástico, que consiste em levar a bola grudada no lado interno do pé e, de repente, com habilidade peculiar, no movimento de vaivém, a esticava com o lado externo do pé, deixando o adversário estupefato.

Era aí que Rivellino aproveitava o clarão para disparar aquelas 'bombas' mortais para os goleiros. Ele foi mais um dos inúmeros talentos lapidados pelo futsal. Nas quadras, quando moleque, aprendeu a conduzir a bola colada ao pé canhoto. E a escondia com a inteligência exigida para meias de armação.

Aquela qualidade, 'míopes' do departamento amador do Palmeiras não viram, para frustração de seu pai Nicola Rivelino, que morria de amores pelo Verdão, e incentivou o filho a procurar abrigo no rival Corinthians, em meados da década de 60. Assim, pra lá ele levou aquela habilidade singular, chute forte e certeiro, resultando no apelido de 'reizinho'.

Contra o Palmeiras fazia questão de jogar bem, para mostrar o erro que cometeram ao dispensá-lo. No Corinthians ficou de 1965 a 1974, quando se transferiu ao Fluminense, no período que o clube foi chamado de 'Máquina Tricolor', com conquista do bicampeonato carioca de 1975/76, ao lado de craques como Paulo César Caju, Doval, Pintinho e Carlos Alberto Torres.

Lá ficou até 1979, quando foi jogar no Al-Hilal, da Arábia Saudita. Dois anos depois, desavenças com o príncipe Kaled, dono do clube, implicaram no encerramento da carreira, aos 35 anos. Antes disso, havia declarado que pretendia jogar até os 42 anos de idade. No retorno, disputou partida amistosa pelo São Paulo, contra a Seleção da Arábia Saudita, no Estádio do Morumbi.

Rivellino foi um exímio cobrador de faltas, tanto que o saudoso argentino Diego Maradona o considerou o melhor jogador que viu jogar. E foi um dos destaques da Seleção Brasileira no tricampeonato da Copa do Mundo de 1970, quando recebeu o apelido de 'Patada Atômica', dos mexicanos.

Na Copa do Mundo de 1974 foi um dos poucos que apresentaram bom futebol. Em 1978, embora relacionado para o Mundial na Argentina, ficou na reserva de Zico, por estar contundido.