domingo, 29 de março de 2026

Saudoso goleiro João Marcos, do sucesso ao alcoolismo


Este dois de abril vai marcar o sexto ano da morte do então goleiro João Marcos, aos 66 anos de idade. Como dizia o também saudoso narrador de futebol Fiori Gigliotti 'o tempo passa'. E como passa rápido! Provoca esquecimentos de uns, enquanto outros, desatentos, hão de perguntar: 'quem foi esse João Marcos, goleiro, que não conheço?'

Esta é mais uma história de atletas do passado que não se prepararam emocionalmente para o pós-carreira. Tudo andava as mil maravilhas quando ele integra elencos de primeiro nível como Palmeiras e Grêmio, na década de 80 do século passado, com chance como titular da Seleção Brasileira na vitória por 1 a 0 em amistoso contra o Uruguai, em Curitiba.

A estatura de 1,87m de altura o encorajava neutralizar bolas cruzadas contra a sua meta, enquanto elasticidade e boa colocação colocavam-no como goleiro plenamente confiável, até que uma traiçoeira luxação no ombro esquerdo provocava forte dores e passou a preocupá-lo.

Foi quando ouviu de um médico que uma cirurgia não teria efeito duradouro para prosseguir na carreira, e assim decidiu precocemente pelo final em 1986, sem que inicialmente aquela parada brusca tivesse efeito negativo na questão financeira, como ocorre com muitos ex-jogadores que não sabem o que fazer quando param de jogar.

Ele passou a administrar sua fazenda, mas não demorou para que fosse prejudicado psicologicamente. Enveredou-se para o alcoolismo, e aquele comportamento se prolongou até 2014, quando tocava a "Associação Gol Solidário", que, com a ajuda de parceiros, revelava jovens talentos e havia se apegado ao cristianismo.

Segundo relato, durante o alcoolismo esteve entre a vida e a morte, com crise de cirrose, e o quadro clínico foi diagnosticado com hemorragia no esôfago. Foi internado em clínicas de reabilitação, uma delas com permanência de nove meses, quando o casamento ruiu, complicações no esôfago se agravaram e chegou a ficar cerca de dez dias internado no Hospital da Unesp de Botucatu-SP, até a morte.

O botucatuense João Marcos Coelho da Silva teve aptidão pelo vôlei em clube de sua cidade, em 1969. Chegou ao Guarani no ano seguinte, como reserva de Tobias, e aproveitou para cursar a Faculdade de Educação Física na Puc-Campinas. Ele ainda passou por América de Rio Preto, São Bento e Noroeste, antes de chegar ao Palmeiras em 1980, e depois Grêmio.


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