A morte do ex-centroavante Geraldão, neste seis de agosto - por motivos não revelados - nos remete a curiosa e controvertida história da carreira dele no futebol, entre as décadas de 70 e 80 do século passado, quando atletas não se 'policiavam' nas palavras, e era comum prometerem marcar gols em clássicos, imitando o marqueteiro Dadá Maravilha.
O raçudo Geraldão, que valia-se da caixa torácica avantajada para trombar com a ‘becaiada’ e marcar gols, também participou da farra de prometê-los. Em 1982, numa decisão de título regional de seu Inter (RS) contra o rival Grêmio, chamou a imprensa e prometeu e título ao Colorado com dois gols dele.
E quem foi ao Estádio Olímpico viu os tais gols prometidos no seu estilo inconfundível, em ano que o faro de gols o transformou em artilheiro do 'Gauchão’ daquela temporada, com 20 deles, nesse time: Benitez; Edvaldo, Mauro Pastor, Mauro Galvão e André Luís; Ademir Kaefer, Cléo e Rubens Paz; Sílvio, Geraldão e Silvinho.
Geraldo da Silva, nascido em Álvares Machado (SP), caneleiro assumido, identificado como Gerardão, havia completado 77 anos de idade em julho passado, e tinha a sina de brilhar contra rivais. Foi assim nos tempos de Botafogo de Ribeirão Preto de 1970 a 1975, quando formou dupla de ataque com o saudoso Sócrates. Bastava a tabela do Paulistão programar Come-Fogo (Botafogo x Comercial) para os comercialinos tremerem na base.
Foi artilheiro do Paulistão de 1974 com 24 gols e, já na temporada seguinte, quando contratado pelo Corinthians, se transformou em carrasco do São Paulo. E com aqueles 23 gols marcados no Paulistão de 1977, ajudou o clube a quebrar um jejum de títulos que se aproximava de 23 anos, na decisão contra a Ponte Preta. O time, comandado pelo saudoso treinador Oswaldo Brandão, tinha essa formação: Tobias; Zé Maria, Moisés, Ademir Gonçalves e Wladimir; Ruço, Basílio e Luciano Calhoada (Palhinha); Vaguinho, Geraldão e Romeu.
Em 1978, emprestado ao Juventus, retornou no ano seguinte e retomou a dupla de área com Sócrates, mas a história dele no Corinthians durou mais um ano, caracterizada com histórico de 278 jogos e 90 gols. Todavia, a partir de 1985 começou o calvário, com repasses a pequenos clubes, como o extinto União Valinhos, Francana, Corinthians de Presidente Prudente, Itararé e Garça em 1989, quando encerrou a carreira.
Nenhum comentário:
Postar um comentário