Se vivo fosse o rei Pelé completria 86 anos de idade neste 23 de outubro. Quis o destino que moresse no dia 29 de dezembro de 2022, portanto aos 82 anos. E diante das incontáveis histórias inigualáveis e protogonizadas por ele, só pouco mais de 13 mil torcedores, no Estádio Brinco de Ouro, presenciaram-no desacordado no gramado no dia três de dezembro de 1967, naquele empate por 1 a 1 entre Guarani e Santos, pelo Paulistão.
A época não havia transmissão de jogos pela televisão e o lance ocorreu logo após ter marcado o primeiro gol da partida, aos 14 minutos do primeiro tempo, quando o então ponteiro-esquerdo Edu Jonas cruzou, e ele mergulhou na bola. Ou melhor: ficou na horizontal, em situação paralela ao gramado, e chocou a cabeça na trave de mandeira. Aí ficou estático no gramado. Desacordado por cerca de cinco minutos. E alguém, nas dependências das vitalícias do Guarani, interrompeu o silêncio e gritou: 'Pelé morreu'.
Pronto. Semblantes constritos de torcedores. Lágrimas começaram a brotar de quem já imaginava o pior, pela proporção do choque. Aquilo causou apreensão no público, mas em seguida ele 'ressuscitou' e levou torcedores ao delírio, com aplausos, de pé, de mandantes e visitantes.
O pânico foi provovado porque o dito cujo da fake news’ estava com radinho de pilha colado ao ouvido, aumentando a suspeita de informação possivelmente colhida por repórter, no gramado, época em que os jogos, aos domingos, começavam às 15h45.
E porque a recordação da ficha técnica desse memorável jogo, com gol do Guarani marcado pelo saudoso meia Milton dos Santos, com chute de longa distância e um frangaço do goleiro Gylmar - já falecido. A arbitragem ficou a cargo de Etelvino Rodrigues.
O Guarani, do então treinador Alfredinho Sampaio, contou com Dimas; Miranda, Paulo, Tarciso e Diogo; Tonhé e Milton dos Santos; Carlinhos, Osvaldo, Parada e Wagninho. Já o Santos, comandado por Antoninho, foi a campo com essa formação: Gylmar; Lima, Ramos Delgado, Joel e Rildo; Clodoaldo e Buglê; Edu Jonas, Toninho, Pelé e Abel.
Pelé morreu em decorrência de um câncer no colo ter avançado para outros órgãos. Partiu para outro destino na certeza que jamais será superado no futebol enquanto mundo for mundo. E dele, com a singular voz grave, deixamos de ouvir a palavra mais repetida durante as entrevistas: ‘entendeu?’.
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