sábado, 25 de julho de 2026

Adeus ao ex-zagueiro Fernando Nariz

A morte do ex-zagueiro Fernando Nariz - também identificado como Fernando Narigudo - no dia 22 de julho passado, aos 72 anos de idade, foi tida como esperada, visto que estava internado no Hospital das Clínicas de Bauru (SP), ao enfrentar problemas de saúde.

A passagem dele a partir do Comercial de Ribeirão Preto, em 1974, e estendida até 1992, na Matonense, nos remete aos tempos que ele se sobressaía no jogo aéreo e muita voluntariedade. Seu segundo clube na carreira foi o Santos, quando era reserva daquela equipe chamada 'Meninos da Vila', que conquistou o título paulista em 1978, num período em que era admissível apelidos constrangedores.

Foi época que isso era encarado com naturalidade, e remonta a década de 50 do século passado, quando o goleiro do Fluminense, Carlos da Silva Nascimento, acabou apelidado como Valudo pelos parceiros de clube, com justificativa que a pele dele era macia e lisa, parecida com tecido de veludo.

O então goleiro Manga foi assim identificado devido ao formato de sua cabeça, em época que o então franzino volante Chico, do Santos, inicialmente chamado de mosquitinho, teve que admitir o apelido de 'Formiga', e passou a ser citado como Chico Formiga.

Situação semelhante resultou no apelido de Alfinete ao lateral-direito do Corinthians do triênio a partir de 1981, época que o ex-centroavante Picolé - de Palmeiras e Portuguesa Santista - torcia o nariz pela forma como era chamado.

Cabe citar ainda mais dois casos na década de 80. Quando revelado pela Ponte Preta, o lateral-direito Edson foi apelidado de Abobrão, pelo fato de ter surgido no treino-peneira do juvenil com meias da cor abóbora. Já o ponta-de-lança Rubens Feijão não se zangava pelo apelido.

Quanto ao zagueiro Fernando Guisini Neto, que o nariz dele era desproporcional, isso ninguém negava. Nascido em Lençóis Paulista (SP), 1,80m de altura, iniciou a carreira de atleta no Comercial de Ribeirão Preto em 1974, e na temporada seguinte já estava vinculado ao Santos, com sequência basicamente em clubes do interior paulista, entre eles o Guarani, quando foi vice-campeão brasileiro de 1986, como reserva de Ricardo Rocha, e no clube ainda permaneceu na temporada seguinte.

Quando do encerramento da carreira de atleta, ingressou na função de treinador, em clubes do interior paulista, a maioria nas categorias de base.


domingo, 19 de julho de 2026

Toninho Cerezo, um volante que foi evoluindo

 Antigamente, médio volante que só marcava não tinha camisa até em times do interior. Precisava saber passar bem a bola e, de vez em quando, fazer uns golzinhos. Foi assim com Zito, Dino Sani e Lima na década de 60 do século passado, e persistiu com o Toninho Cerezo nos anos 70.

Cerezo foi um exemplo de profissionalismo. Reconhecia humildemente as suas deficiências e tratou de corrigi-las ao longo da carreira, até a conquista do bicampeonato mundial de clubes pelo São Paulo, contra Roma, no Japão, em 1993, na maiúscula vitória são-paulina por 3 a 2.

Ele marcou um dos gols, sendo os demais através de Palhinha e Miller. Naquela noite, o São Paulo do técnico Telê Santana atuou com Zetti; Cafu, Valber, Ronaldão e André Luiz; Toninho Cerezo, Dinho, Leonardo e Doriva, Palhinha (Juninho) e Miller.

Em 1971, lançado no time principal do Atlético Mineiro, Cerezo era o típico jogador fominha, que adorava conduzir excessivamente a bola, às vezes abandonava a posição e era cobrado acintosamente. Por isso, em 1972, dirigentes do clube optaram por emprestá-lo ao Nacional de Manaus, juntamente com os meias Ângelo e Paulo Isidoro.

Embora ele tivesse se adaptado rapidamente ao intenso calor da região Norte do País, no ano seguinte os três foram reincorporados ao elenco do clube mineiro, ocasião que Cerezo dividiu opiniões. Para alguns, não passava de um 'peladeiro'; para outros, jogador de futuro, pois levava a bola em velocidade ao ataque.

Assim, permaneceu no clube até 1983, quando se transferiu à Roma e depois Sampdoria. E no futebol italiano ficou até 1992, conquistando títulos em ambos. Depois da passagem vitoriosa pelo São Paulo em 1993, ainda jogou no Etti/Jundiaí e Cruzeiro, arquirival atleticano, onde encerrou a carreira.

Ele foi atleta admirado pelo saudoso treinador Telê Santana, que o escalou na maioria das 72 partidas no comando da Seleção Brasileira, onde o atleta deixou a marca da falha crucial na partida contra a Itália, na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, que resultou na eliminação precoce do selecionado.

Quando encerrou a carreira, Cerezo voltou ao Estádio do Morumbi, para aprender a ser comandante de grupo com o mestre Telê, mas não prosperou na função, nas passagens por Atlético Mineiro, Vitória (BA) e futebol japonês, indicado pelo amigo Zico, e longe de cobranças de torcedores de cartolas.



sábado, 11 de julho de 2026

Goleiro Veloso fez historia no Palmeiras

Wagner Veloso, que entrou para a história do Palmeiras como o quarto goleiro que mais vestiu a camisa do clube, com 458 jogos, se sobressaiu pela persistência durante os anos 80 e 90 do século passado. Foram incontáveis situações desconfortantes ao ingressar na carreira, mas teve personalidade para enfrentá-las.

Isso porque, quando criança, em sua cidade natal de Araras (SP), brincava no portão de casa com o irmão, e o pai, serralheiro, soldava as partes danificadas. E quando se submeteu a testes no juvenil do Guarani, foi reprovado pelo preparador de goleiros da época, o saudoso Dimas Monteiro. Nem por isso esmoreceu.

Procurou oportunidade nas categorias de base do Palmeiras e foi aprovado, passando do infantil até aspirantes, integrando a Seleção Brasileira de base como terceiro goleiro e transformou-se em titular. Na sequência, uma séria lesão no braço colocou o início da carreira em risco, pois ele não conseguia girá-lo e tinha que fazer ajuste com o ombro.

Logo, teve que se submeter a três cirurgias, com enxerto ósseo. E, se dependesse da desestimulante fala do médico do profissional do clube, já teria se desligado. Ele lhe citou, taxativamente, que estava acabado para o futebol. Todavia, persistente, continuou o tratamento que se prolongou por mais de um ano, até que em 1988 assinou contrato profissional como terceiro da posição, atrás do titular Zetti e Ivan.

Com a chegada no Palmeiras do então treinador Nelsinho Baptista, dois anos depois, Veloso estava entre os dispensáveis, pois havia recomendação para a contratação de outro goleiro. Assim, acabou emprestado ao União São João de Araras, e as atuações convincentes ajudaram no acesso do clube ao Paulistão e Série A do Brasileiro. No retorno ao Palmeiras, para alternar a titularidade com o goleiro Sérgio, teve dificuldade para renovação de contrato em 1993, e isso gerou empréstimo ao Santos.

No retorno ao Palmeiras, valorizado, passou a contar com apoio do preparador de goleiros Valdir Joaquim de Moraes. Ele também entrou para a história do clube por ter sofrido gol de goleiro, com bola rolando. Foi em fevereiro de 1997, no Estádio Brinco de Ouro, quando o Palmeiras vencia o Guarani até os 46 minutos do segundo tempo por 3 a 2, e o então goleiro bugrino Hiran foi a área adversária, em cobrança de escanteio, e acertou cabeçada indefensável.