Esse oito de outubro marca o 18º ano da morte de Francisco Jenuíno Avanzi, o volante Chicão, aos 59 anos de idade, vítima de câncer no esôfago. Ele fez sucesso com a camisa do São Paulo e, provocativo, entrou para a história por ter intimidado o ex-árbitro José de Assis Aragão antes de um clássico com o Palmeiras em 1976, e recebeu o cartão amarelo sem que a partida fosse iniciada. “Cheguei pro Aragão e disse: ‘Vê se apita direito essa porcaria’”, confessou.
Ele também contou que no último ano de carreira, em 1986, estava sem os quatro meniscos e foi o condutor da campanha de acesso do Mogi Mirim (SP) ao Paulistão, aos 37 anos de idade. Evidente que não quis admitir que em 1977, na decisão do Campeonato Brasileiro contra o Atlético (MG), maldosamente pisou na perna quebrada do meia Ângelo (já falecido), só por suspeitar que estivesse fazendo “cera”. A brutalidade ocorreu após entrada do são-paulino Neco sobre o atleticano, que resultou em fratura.
Natural de Piracicaba (SP), mantinha o indisfarçável sotaque caipira, carregado no “erre”. Nos últimos anos optou pelo rosto lambido ao vasto bigode, e seus amigos contaram que décadas passadas entrou em uma loja de São Paulo e, ao pagar a conta, 'tropeçou' no preenchimento do cheque ao grafar a palavra sessenta cruzeiros. Detalhe: após preencher o extenso incorretamente duas vezes, optou por assinar dois cheques de trinta cruzeiros para liquidar o assunto.
Chicão foi o admirável xerife que colocava ordem na casa. Nos tempos em que a 'juizada' contemporizava antes de mostrar cartão amarelo ou vermelho para jogadas violentas, ele não perdia 'viagem' nas divididas: desarmava ou apelava para as faltas. E a história de jogador viril começou no XV de Piracicaba. Depois passou por União Barbarense (SP), São Bento (SP), Ponte Preta, São Paulo, Atlético (MG), Santos e Mogi Mirim.
No tricolor paulista, a partir de 1973, sagrou-se campeão paulista em 1975 e no Campeonato Brasileiro em 1977.
Integrou o selecionado brasileiro na Copa do Mundo de 1978, na Argentina, e no jogo contra os anfitriões foi escalado ao lado do gaúcho Batista.
Como treinador, após experiências por XV de Piracicaba, Inter de Limeira, Clube Atlético Montenegro e Paranapanema, todos do interior de São Paulo, teria muitas histórias para contar aos subordinados, mas não deu tempo.
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