domingo, 28 de junho de 2026

Zé Elias, um volante de muita vitalidade física

 Quem vê o ex-volante Zé Elias com detalhamentos táticos de jogos, através do canal ESPN, observa uma aula a incontáveis analistas de veículos de comunicação que vivem de elucubrações. É que o ex-atleta trabalhou com renomados treinadores e tem facilidade para se expressar, como exige a função do comunicador esportivo.

É obrigatório contar a história dele, enquanto atleta, associando a informação que, a princípio, na adolescência, ganhava mais dinheiro em clubes de futsal, modalidade esportiva praticada ainda criança, quando já mostrava vitalidade física para o desarme, e, de posse de bola, provocava correria no sentido da meta adversária.

Foi o Corinthians, através do saudoso treinador Mário Sérgio, quem lhe deu a primeira oportunidade em 1993, quando ainda tinha 16 anos de idade, identificado por alguns como jogador botinudo, pela forma contundente que disputava cada jogada, com carrinhos por vezes perigosos, embora ele jura ter sido expulso apenas seis vezes durante a carreira.

Na sequência, foi se aprimorando no aspecto técnico e viveu seu melhor momento no Corinthians em 1995, com os títulos do Paulistão, Copa do Brasil e convocação para a Seleção Brasileira. Logo, despertou interesse de clubes do futebol europeu, com passagens pelo Bayer Leverkusen da Alemanha, em 1996. Na Itália, integrou a Inter de Milão, quando atuou ao lado do meia Zidane e atacante Ronaldo Fenômeno. Por lá ainda esteve vinculado ao Bologna e Genoa, além de Olympiacos (GRE) e Omonia, do Chipre.

Após oito anos no exterior, Zé Elias retornou ao Brasil em 2004 para jogar no Santos, onde fez parte do elenco que conquistou o Campeonato Brasileiro daquela temporada. E antes do encerramento da carreira ficou três no Guarani, assim como esteve no Londrina em 2008, ocasião que chegou a marcar a despedida das atividades, mas foi convencido a voltar com proposta do clube austríaco Rheindorf Altach, onde ficou até a temporada seguinte.

Em 2011, já desvinculado de clubes, migrou à função de comentarista de futebol da Rádio Globo de São Paulo. Ele também foi surpreendido com ordem de prisão, justificada por não pagamento da pensão alimentar a filhos. Ficou encarcerado durante um mês, quando negou o descumprimento. O argumento foi ter feito o pedido de pagamento revisional de valores, visto que os seus rendimentos ficaram menores.


sábado, 20 de junho de 2026

Morgado, árbitro exibicionista, foi vítima da AIDS

Desportistas da 'velha guarda' dividiam opiniões sobre o saudoso árbitro de futebol Roberto Nunes Morgado, quer pela capacidade de conduzir partidas, quer pelo exibicionismo. Ele morreu aos 42 anos de idade em abril de 1989, esquecido e abandonado. Passou os últimos dias de agonia e assistido por uma família missionária alemã, numa casa na Cúria Metropolitana, em São Paulo.

Embora tivesse sido duramente castigado pela AIDS, desconfiava dos resultados dos exames, suspeitando ser vítima de meningite. E assim travou luta de 14 meses contra a doença. Quando apitava era magrelão. Não devia pesar mais do que 50 quilos, e foi se definhando em 1989, quando o seu amigo e ex-presidente do Sindicato dos Árbitros de São Paulo, José Astolphi, disse que ele pesava 28 quilos quando morreu.

Atormentado pela doença, cada dia era mais difícil controlá-lo. Quem supunha que a transferência para Casa Bezerra de Menezes, em São Bernardo do Campo, na grande São Paulo, pudesse acalmá-lo, se enganou. Dava mais trabalho que criança 'birrenta' para os médicos.

Já sem ajuda da família, foi transportado para uma casa especializada em pacientes ainda no bairro da Penha, em São Paulo, mantido pela Curia Metropolitana. E lá se sossegou um pouco ao ser tratado com carinho.

Astolphi esteve ao lado dele naquelas horas difíceis Foi companheiro inseparável que o carregou no colo, deu banho e vestiu as roupas antes do enterro. Os meses afetados pela AIDS foram dramáticos para Morgado, com período de crise depressiva no Hospital Emílio Ribas, na capital paulista, onde ficou hospitalizado e internado ao lado de pacientes terminais.

Morgado foi bissexual, casado e tinha adoração pelos filhos Luciano e Luana. E perguntava com insistência por eles antes da morte. Portanto, se dizem que um bom árbitro precisa necessariamente passar despercebido durante numa partida, ele foi exceção à regra. Como fazia questão de ser 'estrela', abusava de malabarismo com os braços para indicar lances em cobranças de faltas, e soprava o apito com força só pela satisfação de ouvir o som seguir na arquibancada.

No Paulistão de 1978, foi esfaqueado por um de seus auxiliares. Em 1983, quando apitava o jogo entre Vasco e Ferroviario (CE), expulsou os policiais militares do gramado, e a Comissão de Arbitragem da CBF exigiu que fizesse exame de sanidade mental.


domingo, 14 de junho de 2026

Adeus ao ex-zagueiro Brito

A morte do então zagueiro Brito neste 11 de junho, aos 86 anos de idade, em decorrência de uma pneumonia, nos remete ao ano de 1970, marcado por duas situações diferentes sobre ele: primeiro a conquista do tricampeonato mundial pela Seleção Brasileira. Logo em seguida, quando emprestado pelo Flamengo - clube que defendeu em 1969 - ao Cruzeiro, se vingou do saudoso treinador Yustrich.

Ainda no Flamengo, Brito se irritou com o comandante por ousar deixá-lo na reserva, mantendo o zagueiro Washington no time titular, enquanto participava de jogos das Eliminatórias àquela Copa do Mundo. Aquilo gerou uma situação conflitante com o comandante e, inconformado, pediu para sair, e foi emprestado ao Cruzeiro.

Aí, após o titulo em 1970, e de volta o Cruzeiro, quando o clube enfrentou o Flamengo, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, na vitória cruzeirense por 3 a 1, ele xingou Yustrich e ainda arremessou a sua camisa na cara dele, em postura que gerou tumulto à beira do gramado, onde o agredido tentou sair do túnel ao encalço dele, mas foi contido por integrantes da comissão técnica e jogadores reservas.

Hércules Brito Ruas, o Brito, dividia opiniões. Para uns destoava entre as 'estrelas' do selecionado brasileiro; outros elogiavam o estilo raçudo e veloz dele, além da soberania no jogo aéreo.

A trajetória foi iniciada no Vasco da Gama em 1958, e dois anos depois passagens por empréstimo no Internacional (RS). Em 1964 ganhou as primeiras oportunidades na Seleção Brasileira, com projeção para futuramente participar de Copa do Mundo, como em 1966, na Inglaterra.

Em 1970, foi considerado o jogador com o melhor preparo físico daquela Copa. Tanto que, 'reza a lenda,' quebrou aparelho de academia ao se exercitar.

Na trajetória clubística, esteve vinculado ao Botafogo (RJ) em 1971, e, num clássico contra o Vasco, deu um soco no árbitro José Aldo Pereira, após a marcação de um pênalti contra o clube que defendia, em agressão que resultou em um ano de suspensão.

Ele jogou no Corinthians em 1974 e Athletico Paranaense na temporada seguinte, Montreal Castors do Canadá, Deportivo Galícia da Venezuela e River-PI. Ao encerra a carreira, arrumou emprego de funcionário público estadual do Rio de Janeiro - sua cidade natal -, em projeto que visava a comercialização de remédios a preços mais baratos, para a população de baixa renda.


domingo, 7 de junho de 2026

Adeus ao atacante Leivinha, aos 76 anos de idade

Em pouco mais de 14 meses morreu o segundo ex-atleta do Palmeiras, vitimado pelas complicações decorrentes do Mal de Alzheimer. Final de março do ano passado foi o então zagueiro Alfredo Mostarda. Agora, neste quatro de junho, morreu o ex-atacante Leivinha, aos 76 anos de idade, sendo que ambos fizeram parte dos tempos do clube batizado de 'Academia Palmeirense', na década de 70 do século passado.

Abri dezenas de páginas na Internet em busca da informações sobre o início da doença dele, que provoca perda da memória, e nada. Isso porque em 2017, em entrevista ao radialista Milton Neves, João Leiva Campos Filho estava lúcido para o detalhamento da carreira, revelando ter marcado gol de cabeça, de fora da área, no goleiro uruguaio Mazurkiewicz, do Atlético Mineiro. Logo, há casos de ex-atletas com perda da memória por tempo bem maior, como o ex-zagueiro Hideraldo Luís Bellini, que conviveu com a doença por 18 anos.

Nem precisava pesquisar a carreira dele pra saber que aos 15 anos de idade já jogava no Linense, transferido à Portuguesa em 1966 para ser o camisa oito e fazer dupla de área com Ivair. Depois, a sequência triunfal no Palmeiras no quadriênio a partir de 1971, e trajetória no Atlético de Madrid, da Espanha.

Quando voltou ao Brasil em 1979, para jogar no São Paulo, lesões no joelho abreviaram a carreira dele aos 29 anos de idade, abrindo espaço para que, anos depois, assumisse a função de analista através do canal SporTV. Como durante a carreira foi vitimado por outras tantas contusões, associando-se àquelas fora do futebol, ele confessou ter se submetido a 18 cirurgias.

Assim, ficou a recordação de um dos maiores cabeceadores do futebol brasileiro de todos os tempos, inclusive marcando gol neste estilo na decisão de título contra o São Paulo, em 1971, quando o saudoso árbitro Armando Marques anulou, com a justificatica improcedente de o jogador ter usado a mão na jogada. Seria o gol de empate que daria o título ao Palmeiras.

Como se vê, cronistas não realçam o drible desconcertante que aplicava, sabe-se lá se foi ele quem criou, ou de quem copiou, de bater na bola com pé, levando-a rapidamente ao outro, em balanço típico que desmontava o marcador. E esse estilo foi copiado pelo ex-meia Paulo César Caju e me encorajou a incansáveis ensaio para colocar em prática no futebol varzeano.