A definição gramatical do substantivo masculino ioiô é “brinquedo constituído de um carretel a que se enrola um cordel e se dá um movimento de rotação. Na linguagem popular essa palavra significa brinquedinho do sobe e desce. Trocadilho a parte, nos últimos anos o Coritiba FC tem sido um ioiô. Caiu à Série B do Campeonato Brasileiro em 2005. Voltou à Série A dois anos depois. Nova queda e traumática em 2009 e ‘ressurreição neste 2010.
O coritibano é um torcedor fiel. Na Série B em 2007, a média de público foi de 17.377. Ano seguinte, na elite, aumentou para 19.254. E reduziu só para 16.817 em 2009, apesar da fraca campanha que culminou com o rebaixamento após aquele empate em 1 a 1 com o Fluminense. Enfurecido, o apaixonado partiu para a selvageria. Invadiu o gramado do Estádio Couto Pereira e o alvo era jogadores do time e arbitragem. Policiais militares, no cumprimento do dever, foram protegê-los e acabaram atingidos com pedaços de madeira e pedras, um deles até desmaiando.
Aqueles baderneiros foram responsáveis pela severa punição imposta pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), com suspensão de 30 mandos de jogos do Campeonato Brasileiro e multa de R$ 610 mil. A pena foi abrandada após recurso, com redução da multa para R$ 100 mil e dez jogos fora, marcados para Joinville (SC), provocando prejuízo de R$ 12 milhões após perda de borderô, número de associados, placas publicitárias e gastos com viagens. Apesar disso, o time se manteve sempre entre os melhores e o sonho do acesso se concretizou com a volta dos jogos em casa a partir de 18 de setembro passado, quando 30.114 torcedores acompanharam a vitória sobre a Portuguesa por 2 a 0.
Renasce, portanto, o grande ‘Coxa’, que marcou história no futebol brasileiro com o título nacional de 1985, na disputa em casa com o Bangu (RJ). Se no tempo normal foi registrado um empate em 1 a 1, o time paranaense foi mais eficiente na definição através dos pênaltis, venceu por 6 a 5, e a partir daí ídolos como os atacantes Lela, Zé Roberto e o goleiro Rafael Cammarota integraram a galeria de outros inesquecíveis nomes como os dos meio-campistas Tostão nos anos 80 e Dirceu Krüger nas décadas de 60/70.
A rigor, em 1970, vítima de jogada violenta, ele quase morreu após ruptura das alças intestinais. Por sorte, voltou aos campos justamente num período dourado da equipe, que contou com o irreverente ponta-de-lança Zé Roberto, carrasco do Coritiba quando passou pelo rival Atlético-PR. Hoje, radicado em Serra Negra - estância mineral do interior paulista -, ele não mente quando esnoba para os garotos de sua escolinha de futebol que foi um invejável cabeceador. Integrou um dos melhores times do Coritiba na temporada de 1973.
Pode-se dizer que o goleiro Rafael, que chegou ao clube na década de 80, foi superior a Jairo. Rafa, na iminência de completar 57 anos de idade, não deu certo no Corinthians, onde desabrochou para o futebol, mas se identificou com o Coritiba nos sete anos em que lá esteve. Ele ainda é lembrado pelo arrojo, boa colocação e sobretudo pela regularidade.
O que falar do bauruense Reinaldo Felisbino, o Lela, que além de pai dos boleiros Richarlyson, do São Paulo, e Alecsandro, do Inter (RS), fez história no Coritiba, culminando com a faixa de campeão brasileiro em 1985? Ele jogou num time formado por Rafael; André, Gomes, Heraldo e Dida; Almir, Marildo e Tóbi; Lela, Índio e Edson. Lela é um baixinho de pernas curtas com histórico de atacante hábil, veloz e boa finalização.
Apesar da "ressaca" pela conquista do título brasileiro, os cartolas não se descuidaram de reforços. Foram buscar no futebol matogrossense o talentoso e goleador meia Tostão em 1986, cujo nome de batismo é Luís Antônio Fernandes, natural de Santos (SP).Tostão recebeu o apelido pelas características semelhantes ao consagrado Tostão, do Cruzeiro.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Dorval, boleiro da noite
O folclórico ex-centroavante Dadá Maravilha estava cheio de razão quando eternizou a frase “uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa”. Se nos gramados, há 50 anos, o ponteiro-direito Dorval foi aplaudido pelo futebol ágil e veloz, convenhamos que agora fiscais de portaria da FPF (Federação Paulista de Futebol) não têm a obrigação de reconhecê-lo e distingui-lo dos demais torcedores, franqueando o acesso dele em estádios de futebol.
Em abril passado, quando o time do Santos decidiu o título do Campeonato Paulista contra o Santo André, a mídia alardeou que Dorval havia sido barrado por homens da FPF quando tentava entrar no Estádio do Pacaembu, e que foi preciso a intervenção do presidente do clube, Luís Álvaro de Oliveira. Chateado com a situação, Dorval lembrou que em outras ocasiões teve que pegar fila e comprar ingresso. “Dá pra acreditar? Não é pelo dinheiro do ingresso. Será que por tudo que os ex-jogadores fizeram pelos clubes não mereciam ter esse privilégio?”
Justo seria se a própria FPF e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) expedissem credenciais a ex-atletas de futebol com relevantes serviços prestados em seus clubes, para que tenham livre acesso nos estádios. Evitaria constrangimentos.
Dorval Rodrigues, nascido em Porto Alegre (RS), foi mais um dos boleiros que fez história no futebol pela obstinação. Na adolescência foi engraxate antes de ser aprovado em testes no juvenil do Grêmio (RS). A profissionalização ocorreu no extinto clube gaúcho Esporte Clube Força e Luz, aos 17 anos de idade. Aos 19 anos desembarcou em Santos sabendo que de imediato não substituiria Alfredinho Sampaio. Assim, concordou com o empréstimo do passe ao Juventus, para se familiarizar com o futebol paulista.
Ainda em 1957 assumiu a camisa sete do Peixe. Posteriormente integrou o melhor quinteto ofensivo do futebol mundial de todos os tempos: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Eles tiveram participação decisiva na conquista do bicampeonato mundial interclubes do Santos, no biênio 62-63, época em que editores de jornais priorizavam publicações de fotos posadas de equipes a flagrantes de lances ilustrativos. E naquelas fotos, quando Dorval geralmente aparecia sentado na bola, as variações de jogadores se incidiam mais na lateral-direita com Olavo, Ismael e Lima. A defesa era completada com Mauro, Calvet e Dalmo. Zito era o volante, por vezes substituído pelo coringa Lima.
Naquele período o Santos jogava em intervalos até inferiores de 48 horas, para cumprir agendas de excursões no exterior. A rigor, o que Dorval mais sentia falta do Brasil naquelas viagens era a ‘trégua’ forçada da vida de boêmio. Como na época treinava-se apenas no turno vespertino, o sono perdido nas madrugadas era compensado durante as manhãs. E Dorval confessa que ainda hoje, aos 74 anos de idade, gosta de baile da saudade.
Em 1964, o passe do ponteiro foi negociado com o Racing da Argentina. Na despedida da Vila Belmiro, confessou a decepção por não ter disputado uma Copa do Mundo. “Em 1962, eu e o Garrincha éramos os melhores pontas do país, mas só ele foi convocado pelo técnico Aimoré Moreira”, lamentou, ficando o histórico de apenas 13 partidas pela Seleção Brasileira. Um ano antes, paradoxalmente, Dorval foi incumbido de marcar Mané Garrincha após expulsão do lateral-esquerdo Dalmo, do Santos, em partida contra o Botafogo (RJ). “Dei conta do recado”, gabou-se o jogador santista.
Com o calote parcial da dívida do Racing, o Santos recebeu Dorval de volta em 1965, e lá ele ficou por mais dois anos. Depois teve rápida passagem pelo Palmeiras e queimou os ‘últimos cartuchos’ no Atlético (PR) até 1971.
Dorval ainda precisa trabalhar para garantir o seu sustento. Sua atividade é orientar garotos de até 16 anos de idade no Clube Escola Temático de Futebol Ferradura, no bairro do Jabaquara, na capital paulista. E os fundamentos principais que ensina são chute e passe.
Em abril passado, quando o time do Santos decidiu o título do Campeonato Paulista contra o Santo André, a mídia alardeou que Dorval havia sido barrado por homens da FPF quando tentava entrar no Estádio do Pacaembu, e que foi preciso a intervenção do presidente do clube, Luís Álvaro de Oliveira. Chateado com a situação, Dorval lembrou que em outras ocasiões teve que pegar fila e comprar ingresso. “Dá pra acreditar? Não é pelo dinheiro do ingresso. Será que por tudo que os ex-jogadores fizeram pelos clubes não mereciam ter esse privilégio?”
Justo seria se a própria FPF e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) expedissem credenciais a ex-atletas de futebol com relevantes serviços prestados em seus clubes, para que tenham livre acesso nos estádios. Evitaria constrangimentos.
Dorval Rodrigues, nascido em Porto Alegre (RS), foi mais um dos boleiros que fez história no futebol pela obstinação. Na adolescência foi engraxate antes de ser aprovado em testes no juvenil do Grêmio (RS). A profissionalização ocorreu no extinto clube gaúcho Esporte Clube Força e Luz, aos 17 anos de idade. Aos 19 anos desembarcou em Santos sabendo que de imediato não substituiria Alfredinho Sampaio. Assim, concordou com o empréstimo do passe ao Juventus, para se familiarizar com o futebol paulista.
Ainda em 1957 assumiu a camisa sete do Peixe. Posteriormente integrou o melhor quinteto ofensivo do futebol mundial de todos os tempos: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Eles tiveram participação decisiva na conquista do bicampeonato mundial interclubes do Santos, no biênio 62-63, época em que editores de jornais priorizavam publicações de fotos posadas de equipes a flagrantes de lances ilustrativos. E naquelas fotos, quando Dorval geralmente aparecia sentado na bola, as variações de jogadores se incidiam mais na lateral-direita com Olavo, Ismael e Lima. A defesa era completada com Mauro, Calvet e Dalmo. Zito era o volante, por vezes substituído pelo coringa Lima.
Naquele período o Santos jogava em intervalos até inferiores de 48 horas, para cumprir agendas de excursões no exterior. A rigor, o que Dorval mais sentia falta do Brasil naquelas viagens era a ‘trégua’ forçada da vida de boêmio. Como na época treinava-se apenas no turno vespertino, o sono perdido nas madrugadas era compensado durante as manhãs. E Dorval confessa que ainda hoje, aos 74 anos de idade, gosta de baile da saudade.
Em 1964, o passe do ponteiro foi negociado com o Racing da Argentina. Na despedida da Vila Belmiro, confessou a decepção por não ter disputado uma Copa do Mundo. “Em 1962, eu e o Garrincha éramos os melhores pontas do país, mas só ele foi convocado pelo técnico Aimoré Moreira”, lamentou, ficando o histórico de apenas 13 partidas pela Seleção Brasileira. Um ano antes, paradoxalmente, Dorval foi incumbido de marcar Mané Garrincha após expulsão do lateral-esquerdo Dalmo, do Santos, em partida contra o Botafogo (RJ). “Dei conta do recado”, gabou-se o jogador santista.
Com o calote parcial da dívida do Racing, o Santos recebeu Dorval de volta em 1965, e lá ele ficou por mais dois anos. Depois teve rápida passagem pelo Palmeiras e queimou os ‘últimos cartuchos’ no Atlético (PR) até 1971.
Dorval ainda precisa trabalhar para garantir o seu sustento. Sua atividade é orientar garotos de até 16 anos de idade no Clube Escola Temático de Futebol Ferradura, no bairro do Jabaquara, na capital paulista. E os fundamentos principais que ensina são chute e passe.
sábado, 30 de outubro de 2010
Bebeto, da bola à política
O consagrado Bebeto, tetracampeão mundial da Seleção Brasileira de Futebol em 1994, será identificado como o nobre parlamentar José Roberto Gama de Oliveira a partir de 1º de fevereiro de 2011. Os 28.328 votos recebidos na eleição à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, no último dia 3 de outubro, renderam-lhe o 62º lugar entre os 70 eleitos, na disputa com 1.643 candidatos.
Bebeto receberá tratamento de V. Ex.ª e nobre deputado. Será cortejado pela base aliada para votar projetos enviados pelo Executivo, e de certo a sua assessoria vai implementar propostas como a de resgate de meninos de rua de 6 a 16 anos de idade, como prolongamento do Instituto Bola Para Frente que criou em 2000, em companhia do colega Jorginho, ex-auxiliar técnico de Dunga na Seleção Brasileira.
Baiano de Salvador e filiado ao PDT desde 2009, Bebeto não tinha projeto de ingresso imediato na vida pública. A prioridade era ‘decolar’ na carreira de treinador de futebol, e o primeiro degrau da escala foi no América (RJ), através da oportunidade dada pelo então coordenador técnico Romário. Os resultados de jogos não foram satisfatório, Bebeto acabou demitido, e aí se explica o desafio de disputar eleição legislativa, se bem que já havia aflorado o comportamento político ao acender uma vela para o Flamengo e outra ao Vasco. “A camisa do Flamengo realmente é um manto sagrado”. “Na infância, eu tinha admiração pelo Vasco, um clube espetacular”.
Sua aparição no futebol deu-se no Vitória (BA) em 1983, onde retornou em 1997, patrocinado pelo Banco Excel-Econômico. A transferência ao Flamengo pouco depois da profissionalização deu-lhe visibilidade nacional e os títulos do carioca em 1986 e da Copa União em 1988. Na época já havia se especializado em marcar gols de voleio.
O contrato que assinou com o Vasco em 1989 ainda não foi bem digerido por flamenguistas. Isso foi perceptível na segunda passagem pela Gávea em 1996.
No Vasco ganhou o Brasileirão em 1989 e o Campeonato Carioca em 1992, ano em que se transferiu ao La Coruña. Ele ficou na Espanha durante três temporadas, e ainda no exterior jogou no Sevilla da Espanha, Toros Neza do México, Kashima Antlers do Japão e Al-Ittihad da Arábia Saudita em 2002, quando encerrou a carreira aos 38 anos de idade.
Como atacante hábil e oportunista teria lugar certo na Seleção Brasileira. Isso aconteceu de 1986 até 1998 na Copa do Mundo da França, ano em que também defendeu o Botafogo (RJ) e faturou o título do Torneio Rio-São Paulo. Antes disso passou pelo Cruzeiro e depois foi registrada a segunda passagem pelo Vasco.
Agora Bebeto torce pelo filho Matheus, ídolo do juvenil do Flamengo, homenageado quando nasceu em 1994. No gol marcado contra a Holanda, na Copa dos EUA, ele lançou a coreografia embala-neném.
Bebeto receberá tratamento de V. Ex.ª e nobre deputado. Será cortejado pela base aliada para votar projetos enviados pelo Executivo, e de certo a sua assessoria vai implementar propostas como a de resgate de meninos de rua de 6 a 16 anos de idade, como prolongamento do Instituto Bola Para Frente que criou em 2000, em companhia do colega Jorginho, ex-auxiliar técnico de Dunga na Seleção Brasileira.
Baiano de Salvador e filiado ao PDT desde 2009, Bebeto não tinha projeto de ingresso imediato na vida pública. A prioridade era ‘decolar’ na carreira de treinador de futebol, e o primeiro degrau da escala foi no América (RJ), através da oportunidade dada pelo então coordenador técnico Romário. Os resultados de jogos não foram satisfatório, Bebeto acabou demitido, e aí se explica o desafio de disputar eleição legislativa, se bem que já havia aflorado o comportamento político ao acender uma vela para o Flamengo e outra ao Vasco. “A camisa do Flamengo realmente é um manto sagrado”. “Na infância, eu tinha admiração pelo Vasco, um clube espetacular”.
Sua aparição no futebol deu-se no Vitória (BA) em 1983, onde retornou em 1997, patrocinado pelo Banco Excel-Econômico. A transferência ao Flamengo pouco depois da profissionalização deu-lhe visibilidade nacional e os títulos do carioca em 1986 e da Copa União em 1988. Na época já havia se especializado em marcar gols de voleio.
O contrato que assinou com o Vasco em 1989 ainda não foi bem digerido por flamenguistas. Isso foi perceptível na segunda passagem pela Gávea em 1996.
No Vasco ganhou o Brasileirão em 1989 e o Campeonato Carioca em 1992, ano em que se transferiu ao La Coruña. Ele ficou na Espanha durante três temporadas, e ainda no exterior jogou no Sevilla da Espanha, Toros Neza do México, Kashima Antlers do Japão e Al-Ittihad da Arábia Saudita em 2002, quando encerrou a carreira aos 38 anos de idade.
Como atacante hábil e oportunista teria lugar certo na Seleção Brasileira. Isso aconteceu de 1986 até 1998 na Copa do Mundo da França, ano em que também defendeu o Botafogo (RJ) e faturou o título do Torneio Rio-São Paulo. Antes disso passou pelo Cruzeiro e depois foi registrada a segunda passagem pelo Vasco.
Agora Bebeto torce pelo filho Matheus, ídolo do juvenil do Flamengo, homenageado quando nasceu em 1994. No gol marcado contra a Holanda, na Copa dos EUA, ele lançou a coreografia embala-neném.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
50 anos de Diego Maradona
Uma verdade que o brasileiro tem que reconhecer: Diego Armando Maradona foi o segundo melhor jogador de futebol do mundo de todos os tempos. E ao completar 50 anos de idade neste 30 de outubro, o argentino deveria refletir que poderia ter evitado muitas polêmicas, que empanaram um pouco o brilho de sua carreira de 692 jogos oficiais e 353 gols.
Como o ídolo serve de espelho aos fãs, pega mal o envolvimento dele com drogas. Em 1990, quando jogava no Napoli, a Federação Italiana de Futebol o puniu com suspensão de 15 meses por uso de cocaína em um jogo. Flagrado também na Argentina com o pó maldito, a sentença indicou que se submetesse a tratamento terapêutico.
Adiantou? Claro que não. Em 1994 - radicado novamente na Argentina - prometeu reviravolta na Copa dos Estados Unidos. Promessa apenas. Bastou ser indicado ao exame antidoping para que localizassem efedrina em sua urina. E lá se foram mais 15 meses de suspensão.
Em 1996 ele concordou com internação em uma clínica para reabilitação de viciados na Suíça, e projetava assinar alguns bons contratos em clubes argentinos e equatorianos. Um ano depois se envolveu no terceiro escândalo de doping, por cocaína, quando jogava no Argentino Junior. Assim decretou o fim da carreira como jogador, e continuou a fase de turbulência com a separação conjugal.
Amigo do ex-presidente cubano Fidel Castro, concordou com internação em clínica de reabilitação de Havana, em 2000. Depois, submeteu-se a uma cirurgia para redução de estômago, que implicou na perda de 27 quilos. A recompensa foi a recuperação da auto-estima, contrato como apresentador de programa de televisão, projeto para lançamento de um livro sobre a sua vida, e o comando técnico da seleção argentina para as Eliminatórias e Copa do Mundo de 2010. Aí viu-se um Maradona com a velha irreverência, ao afirmar que desfilaria pelado pelas ruas de Buenos Aires caso o seu selecionado conquistasse o título.
Melhor, então, ficarmos com a bela história de ‘cracasso’ de bola, que começou a ser construída aos 16 anos de idade no Argentino Junior. Aos 17 anos já integrava a seleção argentina, e no ano seguinte foi injustiçado pelo técnico Cesar Luiz Menotti, que não o convocou à sua seleção à Copa do Mundo de 1978, com a infundada justificativa de que era um atleta muito jovem.
O troco veio um ano depois. Com a tarja de capitão, levou seu país ao título mundial de juniores, no Japão. Em 1982, com 22 anos, jogava no Barcelona, da Espanha. A partir de 1984 encantou o mundo com a camisa do Napoli, da Itália. Assim, não foi surpresa quando carregou sua seleção nas costas na Copa de 1986, no México, levando-a ao bicampeonato mundial. Em 1990, na Copa da Itália, quase repetiu o feito com jogadas geniais, e saiu com o honroso vice-campeonato.
Como o ídolo serve de espelho aos fãs, pega mal o envolvimento dele com drogas. Em 1990, quando jogava no Napoli, a Federação Italiana de Futebol o puniu com suspensão de 15 meses por uso de cocaína em um jogo. Flagrado também na Argentina com o pó maldito, a sentença indicou que se submetesse a tratamento terapêutico.
Adiantou? Claro que não. Em 1994 - radicado novamente na Argentina - prometeu reviravolta na Copa dos Estados Unidos. Promessa apenas. Bastou ser indicado ao exame antidoping para que localizassem efedrina em sua urina. E lá se foram mais 15 meses de suspensão.
Em 1996 ele concordou com internação em uma clínica para reabilitação de viciados na Suíça, e projetava assinar alguns bons contratos em clubes argentinos e equatorianos. Um ano depois se envolveu no terceiro escândalo de doping, por cocaína, quando jogava no Argentino Junior. Assim decretou o fim da carreira como jogador, e continuou a fase de turbulência com a separação conjugal.
Amigo do ex-presidente cubano Fidel Castro, concordou com internação em clínica de reabilitação de Havana, em 2000. Depois, submeteu-se a uma cirurgia para redução de estômago, que implicou na perda de 27 quilos. A recompensa foi a recuperação da auto-estima, contrato como apresentador de programa de televisão, projeto para lançamento de um livro sobre a sua vida, e o comando técnico da seleção argentina para as Eliminatórias e Copa do Mundo de 2010. Aí viu-se um Maradona com a velha irreverência, ao afirmar que desfilaria pelado pelas ruas de Buenos Aires caso o seu selecionado conquistasse o título.
Melhor, então, ficarmos com a bela história de ‘cracasso’ de bola, que começou a ser construída aos 16 anos de idade no Argentino Junior. Aos 17 anos já integrava a seleção argentina, e no ano seguinte foi injustiçado pelo técnico Cesar Luiz Menotti, que não o convocou à sua seleção à Copa do Mundo de 1978, com a infundada justificativa de que era um atleta muito jovem.
O troco veio um ano depois. Com a tarja de capitão, levou seu país ao título mundial de juniores, no Japão. Em 1982, com 22 anos, jogava no Barcelona, da Espanha. A partir de 1984 encantou o mundo com a camisa do Napoli, da Itália. Assim, não foi surpresa quando carregou sua seleção nas costas na Copa de 1986, no México, levando-a ao bicampeonato mundial. Em 1990, na Copa da Itália, quase repetiu o feito com jogadas geniais, e saiu com o honroso vice-campeonato.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Rondinelli, o ‘Deus da Raça’
Crianças e adolescentes das décadas de 50 e 60 cresceram e amadureceram convivendo com o indispensável conceito de ‘raça’ durante partidas de futebol. A bola já era disputada como um faminto em busca de prato de comida. Metaforicamente dizia-se que saía ‘faísca’ em bola dividida, e quem tirava o pé era chamado de ‘pipoqueiro’.
Naqueles tempos prevalecia a chamada bola de capotão, de cor marrom, com tamanho diversificado. Circunferência e peso aumentavam gradualmente, de forma que a de número cinco - numa escala que começava do um - era considerada a bola de maior tamanho e mais resistente. As menores nem sempre suportavam o impacto das chamadas ‘prensadas’ e estouravam para tristeza da molecada.
Se você imagina ter visto tudo nessas divididas, talvez desconheça que o ex-zagueiro Rondinelli, do Flamengo, tenha sido o único jogador de futebol profissional que ousou dividir a bola com a cabeça contra o pé esquerdo de Roberto Rivellino, na época atleta do Fluminense, num Fla-Flu dos anos 70. E devido aquela entrega até desmedida, pelo estilo vigoroso sem usar violência, e a concepção de que em futebol não se tem bola perdida, passou a ser identificado como ‘Deus da Raça’.
Não bastassem as aplaudidas virtudes, levou o torcedor rubro-negro ao delírio aos 42 minutos do segundo tempo da decisão do título do Campeonato Carioca de 1978, contra o Vasco, quando acertou uma testada fulminante e indefensável para o então goleiro Leão, após cobrança de escanteio do meia Zico. Aquela cabeçada no dia 4 de dezembro mais parecia um chute e foi repetida dezenas de vezes, entrando para os anais do futebol.
Rondinelli comemorou efusivamente aquele título com companheiro como Raul Plasmman, Marinho, Adílio, Júnior e Zico. As imagens que correram o mundo também mostraram a antiga dependência do Estádio do Maracanã batizada de ‘geral’, com agitação incontida da ‘galera’. Ali, podiam se aglomerar mais de 30 mil pessoas até o dia 25 de abril de 2005, num jogo entre Fluminense e São Paulo. Por imposição da Fifa e cumprimento sintomático da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o setor foi desativado provocando lamentação de assíduos freqüentadores. Inconsolados, muitos beijaram o chão do local após aquele jogo, discordando da lei vigente da Fifa que impede qualquer torcedor de assistir jogos de futebol em pé.
Rondinelli foi convocado cinco vezes à Seleção Brasileira. Em 1981 foi jogar no Corinthians, sem o mesmo sucesso dos tempos de Flamengo. Jogou ainda no Vasco, Atlético (PR), Goiânia, Goiás e Bonsucesso, onde encerrou a carreira de jogador, sem contudo sair do meio. Tentou se treinador, mas sua grande tacada foi a escolhinha de formação de atletas na cidade natal de São José do Rio Pardo (SP). Lá revelou o meia Andrezinho, atualmente no Inter (RS), levando-o inicialmente ao Flamengo, quando ele tinha apenas nove anos de idade.
Naqueles tempos prevalecia a chamada bola de capotão, de cor marrom, com tamanho diversificado. Circunferência e peso aumentavam gradualmente, de forma que a de número cinco - numa escala que começava do um - era considerada a bola de maior tamanho e mais resistente. As menores nem sempre suportavam o impacto das chamadas ‘prensadas’ e estouravam para tristeza da molecada.
Se você imagina ter visto tudo nessas divididas, talvez desconheça que o ex-zagueiro Rondinelli, do Flamengo, tenha sido o único jogador de futebol profissional que ousou dividir a bola com a cabeça contra o pé esquerdo de Roberto Rivellino, na época atleta do Fluminense, num Fla-Flu dos anos 70. E devido aquela entrega até desmedida, pelo estilo vigoroso sem usar violência, e a concepção de que em futebol não se tem bola perdida, passou a ser identificado como ‘Deus da Raça’.
Não bastassem as aplaudidas virtudes, levou o torcedor rubro-negro ao delírio aos 42 minutos do segundo tempo da decisão do título do Campeonato Carioca de 1978, contra o Vasco, quando acertou uma testada fulminante e indefensável para o então goleiro Leão, após cobrança de escanteio do meia Zico. Aquela cabeçada no dia 4 de dezembro mais parecia um chute e foi repetida dezenas de vezes, entrando para os anais do futebol.
Rondinelli comemorou efusivamente aquele título com companheiro como Raul Plasmman, Marinho, Adílio, Júnior e Zico. As imagens que correram o mundo também mostraram a antiga dependência do Estádio do Maracanã batizada de ‘geral’, com agitação incontida da ‘galera’. Ali, podiam se aglomerar mais de 30 mil pessoas até o dia 25 de abril de 2005, num jogo entre Fluminense e São Paulo. Por imposição da Fifa e cumprimento sintomático da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o setor foi desativado provocando lamentação de assíduos freqüentadores. Inconsolados, muitos beijaram o chão do local após aquele jogo, discordando da lei vigente da Fifa que impede qualquer torcedor de assistir jogos de futebol em pé.
Rondinelli foi convocado cinco vezes à Seleção Brasileira. Em 1981 foi jogar no Corinthians, sem o mesmo sucesso dos tempos de Flamengo. Jogou ainda no Vasco, Atlético (PR), Goiânia, Goiás e Bonsucesso, onde encerrou a carreira de jogador, sem contudo sair do meio. Tentou se treinador, mas sua grande tacada foi a escolhinha de formação de atletas na cidade natal de São José do Rio Pardo (SP). Lá revelou o meia Andrezinho, atualmente no Inter (RS), levando-o inicialmente ao Flamengo, quando ele tinha apenas nove anos de idade.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Mané Garrincha faria 77 anos
Fosse vivo, Mané Garrincha completaria 77 anos de idade neste dia 28 de outubro. Eis aí uma história de um dos dez melhores jogadores do planeta de todos os tempos que chegou ao fim da vida de pileque em pileque. Ele foi se destruindo até a morte no dia 20 de janeiro de 1983, deixando um exemplo que não deve ser seguido por boleiros: refúgio no álcool quando param de jogar futebol.
Há quem exagere ao citar que Mané foi melhor que Pelé. O jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues - já falecido - costumava dizer que “Mané era a única sanidade mental do país”. Por quê? “Ele não precisava pensar”, justificava o jornalista.
Na prática Mané não suplantou Ronaldo Fenômeno e Pelé, entre os brasileiros, cujas histórias no futebol são mais longas. No entanto, o carioca foi um driblador inigualável e irônico, pois todos os marcadores eram chamados de ‘João’. Com as suas pernas tornas os infernizavam aplicando dribles desconcertantes. A esquerda era cinco centímetros mais curta que a direita.
Mané Garrincha ‘explodiu’ na Copa do Mundo na Suécia, em 1958. Chegou à competição como reserva do flamenguista Joel, e entrou na equipe brasileira só na terceira partida, contra a extinta União Soviética. Aí, ‘arrebentou’ com o jogo. Posteriormente teve participação decisiva na conquista daquele título mundial e, folclore ou não, em meio às comemorações, dizem que se aproximou do capitão Belini e murmurou: “Eta torneinho curto e sem graça. Não tem nem segundo turno!”
Mané vivia a vida intensamente e de forma irresponsável, jamais dimensionando que o ídolo é mirado como exemplo. No auge da fama abandonava os treinos do Botafogo do Rio de Janeiro para caçar passarinhos e tomar cachaça com amigos de infância no distrito de Pau Grande, município de Magé, interior do Rio de Janeiro. Foi lá que nasceu e foi registrado no cartório civil com o nome de Manoel Francisco dos Santos.
Pode-se dizer que Mané vivia o hoje sem se importar com o amanhã. Não se apegava a bens materiais e gastava o dinheiro de salários e bichos sem dó. Sustentava pais, irmãos, parentes e torrava o resto com amigos em noitadas, bebedeiras e mulheres. Durante a farra contava piava e sorria à-toa. Era dos tais que socava a mesa e alardeava que em sua companhia ninguém pagava conta de bar.
Sem consciência dos malefícios de jogar contundido, as lesões em seu joelho foram se agravando e a queda de rendimento foi sintomática. Depois, quando as pernas já não obedeciam ao cérebro, teimava entrar em campo e passava vergonha. Era anulado com facilidade pelos adversários.
Corinthians e Flamengo acreditaram que pudesse repetir em campo algumas das incontáveis boas jogadas, porém sem sucesso.
Desportistas na faixa etária dos 40 anos de idade que não puderam ver os dribles de Mané Garrincha sequer em filmagens também reconhecem que ele foi ‘a alegria do povo’.
Há quem exagere ao citar que Mané foi melhor que Pelé. O jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues - já falecido - costumava dizer que “Mané era a única sanidade mental do país”. Por quê? “Ele não precisava pensar”, justificava o jornalista.
Na prática Mané não suplantou Ronaldo Fenômeno e Pelé, entre os brasileiros, cujas histórias no futebol são mais longas. No entanto, o carioca foi um driblador inigualável e irônico, pois todos os marcadores eram chamados de ‘João’. Com as suas pernas tornas os infernizavam aplicando dribles desconcertantes. A esquerda era cinco centímetros mais curta que a direita.
Mané Garrincha ‘explodiu’ na Copa do Mundo na Suécia, em 1958. Chegou à competição como reserva do flamenguista Joel, e entrou na equipe brasileira só na terceira partida, contra a extinta União Soviética. Aí, ‘arrebentou’ com o jogo. Posteriormente teve participação decisiva na conquista daquele título mundial e, folclore ou não, em meio às comemorações, dizem que se aproximou do capitão Belini e murmurou: “Eta torneinho curto e sem graça. Não tem nem segundo turno!”
Mané vivia a vida intensamente e de forma irresponsável, jamais dimensionando que o ídolo é mirado como exemplo. No auge da fama abandonava os treinos do Botafogo do Rio de Janeiro para caçar passarinhos e tomar cachaça com amigos de infância no distrito de Pau Grande, município de Magé, interior do Rio de Janeiro. Foi lá que nasceu e foi registrado no cartório civil com o nome de Manoel Francisco dos Santos.
Pode-se dizer que Mané vivia o hoje sem se importar com o amanhã. Não se apegava a bens materiais e gastava o dinheiro de salários e bichos sem dó. Sustentava pais, irmãos, parentes e torrava o resto com amigos em noitadas, bebedeiras e mulheres. Durante a farra contava piava e sorria à-toa. Era dos tais que socava a mesa e alardeava que em sua companhia ninguém pagava conta de bar.
Sem consciência dos malefícios de jogar contundido, as lesões em seu joelho foram se agravando e a queda de rendimento foi sintomática. Depois, quando as pernas já não obedeciam ao cérebro, teimava entrar em campo e passava vergonha. Era anulado com facilidade pelos adversários.
Corinthians e Flamengo acreditaram que pudesse repetir em campo algumas das incontáveis boas jogadas, porém sem sucesso.
Desportistas na faixa etária dos 40 anos de idade que não puderam ver os dribles de Mané Garrincha sequer em filmagens também reconhecem que ele foi ‘a alegria do povo’.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Urubatão, um disciplinador
Urubatão Calvo Nunes não foi um jogador de futebol acima da média nos tempos do grande Santos das décadas de 50 e 60. Também foi um treinador apenas razoável. Apesar disso, cravou uma história na carreira para merecer algo além de um mero registro, se tanto, quando de sua morte no dia 24 de setembro passado.
Urubatão tinha 79 anos de idade quando foi vencido por um tumor cerebral e outro no pulmão. Antes de adoecer transformou-se em comentarista de futebol no rádio de Santos, cidade onde estava radicado quando deixou de treinar clubes.
Nascido no Rio de Janeiro, Urubatão jogou no pequeno Bonsucesso até ser descoberto pelo Santos em 1954, onde disputou posição com o volante Zito e o zagueiro Formiga. Lá foi bicampeão paulista em 1955/56 na condição de reserva. Eis os titulares: Manga; Hélvio e Ivan; Ramiro, Formiga e Zito; Tite, Jair da Rosa Pinto, Pagão, Del Vechio e Pepe.
Já em 1959, ainda no Santos vice-campeão regional, após derrota para o Palmeiras por 2 a 1, foi titular na patota formada por Laércio; Getúlio, Dalmo, Formiga e Feijó; Zito e Urubatão; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Urubatão deixou o Santos em 1961 com histórico de títulos e caminho facilitado para chegar à Seleção Brasileira, onde atuou uma vez: dia 7 de junho de 1957, na derrota para a Argentina por 2 a 1, no Estádio do Maracanã, em jogo que marcou a estréia de Pelé no selecionado. Sílvio Pirilo era o técnico.
Depois disso, foi destaque na mídia quando integrava o time da Ponte Preta no Campeonato Paulista da segunda divisão de 1964, com término somente no dia 7 de março de 1965, no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, na derrota da Ponte para a Portuguesa Santista por 1 a 0, gol do atacante Samarone, na finalíssima. Aquele time pontepretano tinha Aníbal (Fernandes); Valmir e Antoninho; Ivan, Sebastião Lapola e Jurandir; Jair, Ari, Da Silva, Urubatão e Almeida.
Como treinador, Urubatão foi rigoroso no aspecto disciplinar nas passagens por Portuguesa, Coritiba, Colorado (atual Paraná Clube), Londrina, Fortaleza e principalmente clubes do interior de São Paulo como Noroeste, América e Araçatuba. Não permitia intimidade dos comandados, e exigia boa aparência e pontualidade nos treinos. Supersticioso, impedia que jogadores tomassem banho antes dos jogos, com a infundada justificativa que isso atrapalhava o aquecimento.
Arrogante, às vésperas dos jogos afirmava que a sua preocupação não era com o adversário, e sim com o seu time. A justificativa pode ser interpretada em uma repetida frase: “Quem sabe me ensina. Quem sabe igual me lembra. Quem sabe menos bate palmas”.
No banco de reservas, Urubatão dava mau exemplo ao acender um cigarro com o ‘toco’ de outro. A boleirada não reclamada daquela famaceira por motivos óbvios, se bem que a maioria também era fumante naquela época. Hoje, no Brasil, quem fica no banco com os jogadores evita o cigarro.
Urubatão tinha 79 anos de idade quando foi vencido por um tumor cerebral e outro no pulmão. Antes de adoecer transformou-se em comentarista de futebol no rádio de Santos, cidade onde estava radicado quando deixou de treinar clubes.
Nascido no Rio de Janeiro, Urubatão jogou no pequeno Bonsucesso até ser descoberto pelo Santos em 1954, onde disputou posição com o volante Zito e o zagueiro Formiga. Lá foi bicampeão paulista em 1955/56 na condição de reserva. Eis os titulares: Manga; Hélvio e Ivan; Ramiro, Formiga e Zito; Tite, Jair da Rosa Pinto, Pagão, Del Vechio e Pepe.
Já em 1959, ainda no Santos vice-campeão regional, após derrota para o Palmeiras por 2 a 1, foi titular na patota formada por Laércio; Getúlio, Dalmo, Formiga e Feijó; Zito e Urubatão; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Urubatão deixou o Santos em 1961 com histórico de títulos e caminho facilitado para chegar à Seleção Brasileira, onde atuou uma vez: dia 7 de junho de 1957, na derrota para a Argentina por 2 a 1, no Estádio do Maracanã, em jogo que marcou a estréia de Pelé no selecionado. Sílvio Pirilo era o técnico.
Depois disso, foi destaque na mídia quando integrava o time da Ponte Preta no Campeonato Paulista da segunda divisão de 1964, com término somente no dia 7 de março de 1965, no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, na derrota da Ponte para a Portuguesa Santista por 1 a 0, gol do atacante Samarone, na finalíssima. Aquele time pontepretano tinha Aníbal (Fernandes); Valmir e Antoninho; Ivan, Sebastião Lapola e Jurandir; Jair, Ari, Da Silva, Urubatão e Almeida.
Como treinador, Urubatão foi rigoroso no aspecto disciplinar nas passagens por Portuguesa, Coritiba, Colorado (atual Paraná Clube), Londrina, Fortaleza e principalmente clubes do interior de São Paulo como Noroeste, América e Araçatuba. Não permitia intimidade dos comandados, e exigia boa aparência e pontualidade nos treinos. Supersticioso, impedia que jogadores tomassem banho antes dos jogos, com a infundada justificativa que isso atrapalhava o aquecimento.
Arrogante, às vésperas dos jogos afirmava que a sua preocupação não era com o adversário, e sim com o seu time. A justificativa pode ser interpretada em uma repetida frase: “Quem sabe me ensina. Quem sabe igual me lembra. Quem sabe menos bate palmas”.
No banco de reservas, Urubatão dava mau exemplo ao acender um cigarro com o ‘toco’ de outro. A boleirada não reclamada daquela famaceira por motivos óbvios, se bem que a maioria também era fumante naquela época. Hoje, no Brasil, quem fica no banco com os jogadores evita o cigarro.
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