Urubatão Calvo Nunes não foi um jogador de futebol acima da média nos tempos do grande Santos das décadas de 50 e 60. Também foi um treinador apenas razoável. Apesar disso, cravou uma história na carreira para merecer algo além de um mero registro, se tanto, quando de sua morte no dia 24 de setembro passado.
Urubatão tinha 79 anos de idade quando foi vencido por um tumor cerebral e outro no pulmão. Antes de adoecer transformou-se em comentarista de futebol no rádio de Santos, cidade onde estava radicado quando deixou de treinar clubes.
Nascido no Rio de Janeiro, Urubatão jogou no pequeno Bonsucesso até ser descoberto pelo Santos em 1954, onde disputou posição com o volante Zito e o zagueiro Formiga. Lá foi bicampeão paulista em 1955/56 na condição de reserva. Eis os titulares: Manga; Hélvio e Ivan; Ramiro, Formiga e Zito; Tite, Jair da Rosa Pinto, Pagão, Del Vechio e Pepe.
Já em 1959, ainda no Santos vice-campeão regional, após derrota para o Palmeiras por 2 a 1, foi titular na patota formada por Laércio; Getúlio, Dalmo, Formiga e Feijó; Zito e Urubatão; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Urubatão deixou o Santos em 1961 com histórico de títulos e caminho facilitado para chegar à Seleção Brasileira, onde atuou uma vez: dia 7 de junho de 1957, na derrota para a Argentina por 2 a 1, no Estádio do Maracanã, em jogo que marcou a estréia de Pelé no selecionado. Sílvio Pirilo era o técnico.
Depois disso, foi destaque na mídia quando integrava o time da Ponte Preta no Campeonato Paulista da segunda divisão de 1964, com término somente no dia 7 de março de 1965, no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, na derrota da Ponte para a Portuguesa Santista por 1 a 0, gol do atacante Samarone, na finalíssima. Aquele time pontepretano tinha Aníbal (Fernandes); Valmir e Antoninho; Ivan, Sebastião Lapola e Jurandir; Jair, Ari, Da Silva, Urubatão e Almeida.
Como treinador, Urubatão foi rigoroso no aspecto disciplinar nas passagens por Portuguesa, Coritiba, Colorado (atual Paraná Clube), Londrina, Fortaleza e principalmente clubes do interior de São Paulo como Noroeste, América e Araçatuba. Não permitia intimidade dos comandados, e exigia boa aparência e pontualidade nos treinos. Supersticioso, impedia que jogadores tomassem banho antes dos jogos, com a infundada justificativa que isso atrapalhava o aquecimento.
Arrogante, às vésperas dos jogos afirmava que a sua preocupação não era com o adversário, e sim com o seu time. A justificativa pode ser interpretada em uma repetida frase: “Quem sabe me ensina. Quem sabe igual me lembra. Quem sabe menos bate palmas”.
No banco de reservas, Urubatão dava mau exemplo ao acender um cigarro com o ‘toco’ de outro. A boleirada não reclamada daquela famaceira por motivos óbvios, se bem que a maioria também era fumante naquela época. Hoje, no Brasil, quem fica no banco com os jogadores evita o cigarro.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
De Sordi fica fora da foto
Se o São Paulo já foi um clube modelo por contratar ou formar em casa bons laterais-direitos, paradoxalmente continua improvisando o volante Jean na função. Já abasteceu a Seleção Brasileira com os laterais Cicinho, Cafu, Zé Carlos e De Sordi. Também contou, na década de 70, com o botinudo uruguaio Pablo Justo Forlan - absoluto no selecionado celeste -, e o regularíssimo Nelsinho Batista, hoje treinador de futebol.
Da leva de bons laterais-direitos do passado do São Paulo, um deles vive de sombra e água fresca: o piracicabano Nilson de Sordi, que em fevereiro passado completou 79 anos de idade. Recentemente ele trocou o sossego na fazenda da família em Bandeirantes - interior do Paraná - pela vida pacata em João Pessoa, capital da Paraíba, cidade fundada em 5 de agosto de 1585, a segunda mais verde do planeta, superada apenas por Paris, capital da França.
A convivência com os receptivos paraibanos serviu para De Sordi ouvir incontáveis histórias de pescadores, que exercem uma das principais atividades econômicas de João Pessoa. Lá também pôde se aproximar de dois filhos agrônomos.
Embora vitimado pelo Mal de Parkinson e tenha dificuldade para falar, está lúcido. Lembra que em 1952 trocou o XV de Piracicaba (SP) pelo Tricolor paulista aos 18 anos de idade. Não se cansa de repetir a história da final da Copa do Mundo de 1958, quando ficou de fora do time e da foto oficial do título mundial brasileiro em decorrência de uma contusão muscular na fase semifinal, contra os franceses. “Teve gente que falou que eu amarelei. Na verdade levei em conta a temeridade de entrar em campo machucado. Na época, a Fifa não permitia substituição. Caso arriscasse, podia prejudicar o time”, explicou.
Azar de De Sordi, sorte de Djalma Santos que jogou apenas na final contra a Suécia, em Estocolmo, na goleada brasileira por 5 a 2, e foi considerado o melhor jogador da posição daquele Mundial. Terminava ali a trajetória de De Sordi na Seleção Brasileira, com 25 jogos. Depois, ficou no São Paulo até 1965, onde comemorou os títulos do Paulistão de 1953 e 1957. Aquele São Paulo de 1957, campeão após vitória por 3 a 1 sobre o Corinthians, era formado por Poy, De Sordi e Mauro; Sarará, Vitor e Ribeiro; Maurinho, Amauri, Gino, Zizinho e Canhoteiro.
Na época o treinador era o húngaro Bela Gutman, que logo na chegada fixou estacas de madeiras no gramado e pediu aos jogadores que acertassem a bola em cada uma delas, com chutes de 20m de distância. E só o provocador Gutman acertou todos os alvos.
De Sordi sobressaía-se na marcação, a exemplo dos laterais da época. Pouco se atrevia passar da linha demarcatória do meio-de-campo. Com vigor físico invejável, ganhava a maioria dos duelos com ponteiros e adicionava ainda coberturas no miolo de zaga. Apesar da estatura mediana - 1,71m de altura -, explorava a boa impulsão para rebater bolas de cabeça.
Da leva de bons laterais-direitos do passado do São Paulo, um deles vive de sombra e água fresca: o piracicabano Nilson de Sordi, que em fevereiro passado completou 79 anos de idade. Recentemente ele trocou o sossego na fazenda da família em Bandeirantes - interior do Paraná - pela vida pacata em João Pessoa, capital da Paraíba, cidade fundada em 5 de agosto de 1585, a segunda mais verde do planeta, superada apenas por Paris, capital da França.
A convivência com os receptivos paraibanos serviu para De Sordi ouvir incontáveis histórias de pescadores, que exercem uma das principais atividades econômicas de João Pessoa. Lá também pôde se aproximar de dois filhos agrônomos.
Embora vitimado pelo Mal de Parkinson e tenha dificuldade para falar, está lúcido. Lembra que em 1952 trocou o XV de Piracicaba (SP) pelo Tricolor paulista aos 18 anos de idade. Não se cansa de repetir a história da final da Copa do Mundo de 1958, quando ficou de fora do time e da foto oficial do título mundial brasileiro em decorrência de uma contusão muscular na fase semifinal, contra os franceses. “Teve gente que falou que eu amarelei. Na verdade levei em conta a temeridade de entrar em campo machucado. Na época, a Fifa não permitia substituição. Caso arriscasse, podia prejudicar o time”, explicou.
Azar de De Sordi, sorte de Djalma Santos que jogou apenas na final contra a Suécia, em Estocolmo, na goleada brasileira por 5 a 2, e foi considerado o melhor jogador da posição daquele Mundial. Terminava ali a trajetória de De Sordi na Seleção Brasileira, com 25 jogos. Depois, ficou no São Paulo até 1965, onde comemorou os títulos do Paulistão de 1953 e 1957. Aquele São Paulo de 1957, campeão após vitória por 3 a 1 sobre o Corinthians, era formado por Poy, De Sordi e Mauro; Sarará, Vitor e Ribeiro; Maurinho, Amauri, Gino, Zizinho e Canhoteiro.
Na época o treinador era o húngaro Bela Gutman, que logo na chegada fixou estacas de madeiras no gramado e pediu aos jogadores que acertassem a bola em cada uma delas, com chutes de 20m de distância. E só o provocador Gutman acertou todos os alvos.
De Sordi sobressaía-se na marcação, a exemplo dos laterais da época. Pouco se atrevia passar da linha demarcatória do meio-de-campo. Com vigor físico invejável, ganhava a maioria dos duelos com ponteiros e adicionava ainda coberturas no miolo de zaga. Apesar da estatura mediana - 1,71m de altura -, explorava a boa impulsão para rebater bolas de cabeça.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
E o rádio hein?
Outrora locutores sugeriam aos ouvintes que ficassem com o som do rádio e imagem da televisão em partidas de futebol. Alegavam que o rádio era mais emotivo e informativo. Hoje, já não podem repetir a sugestão. O alto custo de uma transmissão interestadual praticamente a inviabiliza ‘in loco’ para a maioria das emissoras, que adotou o sistema denominado ‘off-tube’, ou seja: narrador, comentarista e repórter reunidos no estúdio de sua rádio com TV ligada no dito jogo. Ali descrevem lances e comentam. Esta é a dura realidade da categoria que não teve muitos motivos para comemorar o Dia do Radialista neste 21 de setembro.
Não bastasse esse retrocesso, o rádio esportivo de hoje perdeu a descrição perfeita de Pedro Luiz, romantismo de Fiori Giglioti, Valdir Amaral e Jorge Cury, empolgação do paranaense Lombardi Júnior e a criatividade de Osmar Santos, o divisor de água da categoria com frases marcantes do tipo “é ripa na chulipa” e “pimba na gorduchinha”. Um acidente de automóvel no interior paulista, em dezembro de 1994, tirou aquilo que ele tinha de mais precioso: a voz. Osmar fez sucesso nas rádios Jovem Pan, Record e Globo de São Paulo.
Jorge Cury se envolveu em um acidente que provocou a sua morte, aos 65 anos de idade. Foi em Caxambu, interior de Minas Gerais, no dia 23 de dezembro de 1985, pouco depois de ter se transferido da Rádio Globo para a Rádio Tupy, ambas do Rio de Janeiro, onde ficou marcado pelo vozeirão. Nas décadas de 70 e 80, Jorge Cury fazia dobradinha com o goiano Valdir Amaral, inventor de bordões para definir melhor os jogadores, um deles “Zico, o Galinho de Quintino”. E quando você ouvir o bordão “o meu relógio marca”, saiba que o locutor o está plagiando.
Em São Paulo, nos anos 50 e 60, a Rádio Panamericana liderava a audiência nas transmissões de futebol com a dupla Pedro Luiz e Edson Leite. Pedro Luiz teve uma leva de seguidores porque descrevia com fidelidade as jogadas. Seu estilo essencialmente descritivo permitia ao ouvinte a noção exata do local da bola, quem a conduzia, aquele que recebia o passe ou desarmasse a jogada. Essa riqueza de detalhes exigia dos repórteres capacidade para ganchos diferenciados visando a complementação do relato do lance. Ora retransmitiam o falatório da boleirada, ora precisavam a forma que o atacante pegou na bola. Afinados com os comentaristas, não se constrangiam em perguntar por que fulano jogou tão mal.
Ainda em São Paulo, a década de 70 foi do narrador Fiori Gligliotti, já falecido, na Rádio Bandeirantes. Sua marca registrada quando a bola rolava era “abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”. Quando se referia ao ponteiro-esquerdo Edu, do Santos, o bordão era “Era, o moço que veio de Jaú”.
Histórias de profissionais talentosos permanecem no rádio, mas saudosistas cobram transmissões com revalorização do passado ou a busca de algo novo.
Não bastasse esse retrocesso, o rádio esportivo de hoje perdeu a descrição perfeita de Pedro Luiz, romantismo de Fiori Giglioti, Valdir Amaral e Jorge Cury, empolgação do paranaense Lombardi Júnior e a criatividade de Osmar Santos, o divisor de água da categoria com frases marcantes do tipo “é ripa na chulipa” e “pimba na gorduchinha”. Um acidente de automóvel no interior paulista, em dezembro de 1994, tirou aquilo que ele tinha de mais precioso: a voz. Osmar fez sucesso nas rádios Jovem Pan, Record e Globo de São Paulo.
Jorge Cury se envolveu em um acidente que provocou a sua morte, aos 65 anos de idade. Foi em Caxambu, interior de Minas Gerais, no dia 23 de dezembro de 1985, pouco depois de ter se transferido da Rádio Globo para a Rádio Tupy, ambas do Rio de Janeiro, onde ficou marcado pelo vozeirão. Nas décadas de 70 e 80, Jorge Cury fazia dobradinha com o goiano Valdir Amaral, inventor de bordões para definir melhor os jogadores, um deles “Zico, o Galinho de Quintino”. E quando você ouvir o bordão “o meu relógio marca”, saiba que o locutor o está plagiando.
Em São Paulo, nos anos 50 e 60, a Rádio Panamericana liderava a audiência nas transmissões de futebol com a dupla Pedro Luiz e Edson Leite. Pedro Luiz teve uma leva de seguidores porque descrevia com fidelidade as jogadas. Seu estilo essencialmente descritivo permitia ao ouvinte a noção exata do local da bola, quem a conduzia, aquele que recebia o passe ou desarmasse a jogada. Essa riqueza de detalhes exigia dos repórteres capacidade para ganchos diferenciados visando a complementação do relato do lance. Ora retransmitiam o falatório da boleirada, ora precisavam a forma que o atacante pegou na bola. Afinados com os comentaristas, não se constrangiam em perguntar por que fulano jogou tão mal.
Ainda em São Paulo, a década de 70 foi do narrador Fiori Gligliotti, já falecido, na Rádio Bandeirantes. Sua marca registrada quando a bola rolava era “abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”. Quando se referia ao ponteiro-esquerdo Edu, do Santos, o bordão era “Era, o moço que veio de Jaú”.
Histórias de profissionais talentosos permanecem no rádio, mas saudosistas cobram transmissões com revalorização do passado ou a busca de algo novo.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Joel Santana, beque grosso
Joel Natalino Santana completará 62 anos de idade no dia de Natal. Seu perfil como treinador é daqueles que jogam com o time. Fica agitado à beira do gramado, e na maioria das vezes extrapola o espaço no retângulo demarcado como área de atuação. Aos berros, alerta a boleirada para cercar espaços do adversário, e não perde a mania de ‘cantar’ jogadas aos comandados. Por vezes esquece de anotações de praxe na indispensável prancheta que carrega embaixo do braço.
Joel foi boleiro durante aproximadamente 15 anos nas décadas de 60 e 70. Consta de seu currículo quatro títulos estaduais na passagem pelo América de Natal (RN) e dois quando defendia o Vasco. Nem por isso faz jus à inclusão de seu nome na galeria de ídolos. Realista, confessou ao apresentador de televisão Jô Soares que foi um zagueiro lento e sofria com os atacantes. Saudosistas o identificaram como jogador viril e lembraram de um entrevero quando ele marcou Pelé. Irritado com as botinadas, o atacante santista derrubou Joel com cotovelada, pediu que se levantasse, e avisou que “quem gosta de bater tem que aprender a apanhar”. Claro que teve troco na primeira oportunidade.
A rigor, não se pode dizer que Joel tenha sido titular absoluto ao longo da carreira. No título do Campeonato Carioca do Vasco de 1970, sequer apareceu na foto. A vitória histórica sobre o Botafogo por 2 a 1, no Estádio do Maracanã, significou a interrupção de jejum de títulos de 12 anos. Élbua de Pádua Lima, o Tim, técnico vascaíno na época, escalou a dupla de zaga com Renê e Moacir, num time formado por Andrade; Fidélis, Renê, Moacir e Eberval; Alcir e Bugle; Luís Carlos, Ferreira, Silva (Valfrido) e Gilson Nunes. No primeiro turno daquela competição Joel atuou apenas nas primeiras partidas contra Bonsucesso e Madureira.
Quatro anos depois o Vasco comemorou o título do Campeonato Brasileiro com Joel Santana novamente fora do time, bastante modificado: Andrade; Fidélis, Moisés, Miguel e Alfinete; Alcir e Carlos Alberto Zanata; Jorginho Carvoeiro, Ademir, Roberto Dinamite e Luís Carlos. O jogo da final contra o Cruzeiro foi igualmente no Estádio do Maracanã, com 112.933 espectadores. O volante Alcir Portela morreu no dia 29 de agosto de 2008, vítima de câncer.
Como treinador, Joel repassou dezenas de clubes no Brasil e exterior. Tem mercado consolidado no futebol asiático e treinou a Seleção da África do Sul até pouco antes da Copa do Mundo de 2010. Foi lá que acabou ironizado por causa de seu derrapante inglês.
Joel é tido como ‘rei do Rio’ por causa de títulos conquistados no comando de Botafogo, Flamengo, Vasco e Fluminense. Tem fama de recuperar equipes ‘caindo pelas tabelas’ pelo trabalho, carisma e confiança que transmite ao grupo. Na concentração não dorme antes de percorrer os quartos e desejar boa noite à boleirada.
Joel foi boleiro durante aproximadamente 15 anos nas décadas de 60 e 70. Consta de seu currículo quatro títulos estaduais na passagem pelo América de Natal (RN) e dois quando defendia o Vasco. Nem por isso faz jus à inclusão de seu nome na galeria de ídolos. Realista, confessou ao apresentador de televisão Jô Soares que foi um zagueiro lento e sofria com os atacantes. Saudosistas o identificaram como jogador viril e lembraram de um entrevero quando ele marcou Pelé. Irritado com as botinadas, o atacante santista derrubou Joel com cotovelada, pediu que se levantasse, e avisou que “quem gosta de bater tem que aprender a apanhar”. Claro que teve troco na primeira oportunidade.
A rigor, não se pode dizer que Joel tenha sido titular absoluto ao longo da carreira. No título do Campeonato Carioca do Vasco de 1970, sequer apareceu na foto. A vitória histórica sobre o Botafogo por 2 a 1, no Estádio do Maracanã, significou a interrupção de jejum de títulos de 12 anos. Élbua de Pádua Lima, o Tim, técnico vascaíno na época, escalou a dupla de zaga com Renê e Moacir, num time formado por Andrade; Fidélis, Renê, Moacir e Eberval; Alcir e Bugle; Luís Carlos, Ferreira, Silva (Valfrido) e Gilson Nunes. No primeiro turno daquela competição Joel atuou apenas nas primeiras partidas contra Bonsucesso e Madureira.
Quatro anos depois o Vasco comemorou o título do Campeonato Brasileiro com Joel Santana novamente fora do time, bastante modificado: Andrade; Fidélis, Moisés, Miguel e Alfinete; Alcir e Carlos Alberto Zanata; Jorginho Carvoeiro, Ademir, Roberto Dinamite e Luís Carlos. O jogo da final contra o Cruzeiro foi igualmente no Estádio do Maracanã, com 112.933 espectadores. O volante Alcir Portela morreu no dia 29 de agosto de 2008, vítima de câncer.
Como treinador, Joel repassou dezenas de clubes no Brasil e exterior. Tem mercado consolidado no futebol asiático e treinou a Seleção da África do Sul até pouco antes da Copa do Mundo de 2010. Foi lá que acabou ironizado por causa de seu derrapante inglês.
Joel é tido como ‘rei do Rio’ por causa de títulos conquistados no comando de Botafogo, Flamengo, Vasco e Fluminense. Tem fama de recuperar equipes ‘caindo pelas tabelas’ pelo trabalho, carisma e confiança que transmite ao grupo. Na concentração não dorme antes de percorrer os quartos e desejar boa noite à boleirada.
Menores nos estádios
Maldosamente, há mais de uma década, botaram ‘tramelas’ em bocas de locutores de serviço de som de estádios, para divulgação de público e renda dos jogos. Coordenadores dos setores de arrecadação também já não levaram tais informações à beira de gramados para repórteres de rádio, que tampouco se esforçaram em buscá-las. Sites e jornais, na maioria das vezes, também não informam. Por comodismo ou dificuldade, citam ‘renda e público’ não informados.
Coincidência ou não, o fato passou a ser registrado bem antes da vigência do Estatuto do Torcedor em 2003. O artigo 5, parágrafo único, inciso 4, cita a obrigatoriedade de entidades promotoras de campeonatos oficiais de futebol pela divulgação de borderôs completos em seus respectivos sites, como se a maioria dos freqüentadores de estádios tivesse conexões de internet.
Convenhamos que a divulgação de público pagante bem inferior ao real já não causava perplexidade aos torcedores, face às constantes repetições do erro. “O estádio encolheu”, ironizavam alguns. “Mais uma vez passaram a mão na renda”, era a frase característica dos céticos.
Na época, no ‘olhômetro’ era possível projetar o público aproximado de uma partida. Nas rodinhas os torcedores arriscavam prognósticos do total de espectadores nos estádios e a diferença entre eles era pequena. Talvez o último grande público em jogos do Campeonato Brasileiro foi na finalíssima de 1980, no Estádio do Maracanã, com 154.355 pagantes e não pagantes, que acompanharam o título conquistado pelo Flamengo sobre o Atlético Mineiro, após vitória por 3 a 2.
Neste mesmo Maracanã foi registrado o recorde de público de jogos no Brasil, com 199.854 pessoas na final da Copa do Mundo de 1950, na vitória dos uruguaios sobre os brasileiros por 2 a 1. E hoje, por questão de segurança, o estádio encolheu. A lotação não excede 82.238 torcedores.
No recorde de público do Estádio do Morumbi, dia 9 de outubro de 1977, pagaram ingressos 138.032 pessoas, exceto os 8.050 menores credenciados que na época tinham livre acesso. Isso contrasta com o atual momento. Na maioria das vezes é cobrado deles a meia entrada, com 50% do valor integral do ingresso.
Bons tempos em que o menor de 12 anos não pagava ingresso, desde que acompanhado de pai ou responsável. Dizia-se que o acesso gratuito servia de estímulo para formar futuras gerações de torcedores. E parte da molecada de periferia ‘adotava’ um pai nas imediações das catracas dos portões de acesso dos estádios. “Moço, posso entrar com o senhor?”, implorava o garoto descalço e maltrapilho.
Evidente que os porteiros não se enganavam com a discrepância da dupla, mas faziam vista grossa. Aí, o menino desaparecia rapidamente na multidão, na doce ilusão de que havia enganado o porteiro.
Coincidência ou não, o fato passou a ser registrado bem antes da vigência do Estatuto do Torcedor em 2003. O artigo 5, parágrafo único, inciso 4, cita a obrigatoriedade de entidades promotoras de campeonatos oficiais de futebol pela divulgação de borderôs completos em seus respectivos sites, como se a maioria dos freqüentadores de estádios tivesse conexões de internet.
Convenhamos que a divulgação de público pagante bem inferior ao real já não causava perplexidade aos torcedores, face às constantes repetições do erro. “O estádio encolheu”, ironizavam alguns. “Mais uma vez passaram a mão na renda”, era a frase característica dos céticos.
Na época, no ‘olhômetro’ era possível projetar o público aproximado de uma partida. Nas rodinhas os torcedores arriscavam prognósticos do total de espectadores nos estádios e a diferença entre eles era pequena. Talvez o último grande público em jogos do Campeonato Brasileiro foi na finalíssima de 1980, no Estádio do Maracanã, com 154.355 pagantes e não pagantes, que acompanharam o título conquistado pelo Flamengo sobre o Atlético Mineiro, após vitória por 3 a 2.
Neste mesmo Maracanã foi registrado o recorde de público de jogos no Brasil, com 199.854 pessoas na final da Copa do Mundo de 1950, na vitória dos uruguaios sobre os brasileiros por 2 a 1. E hoje, por questão de segurança, o estádio encolheu. A lotação não excede 82.238 torcedores.
No recorde de público do Estádio do Morumbi, dia 9 de outubro de 1977, pagaram ingressos 138.032 pessoas, exceto os 8.050 menores credenciados que na época tinham livre acesso. Isso contrasta com o atual momento. Na maioria das vezes é cobrado deles a meia entrada, com 50% do valor integral do ingresso.
Bons tempos em que o menor de 12 anos não pagava ingresso, desde que acompanhado de pai ou responsável. Dizia-se que o acesso gratuito servia de estímulo para formar futuras gerações de torcedores. E parte da molecada de periferia ‘adotava’ um pai nas imediações das catracas dos portões de acesso dos estádios. “Moço, posso entrar com o senhor?”, implorava o garoto descalço e maltrapilho.
Evidente que os porteiros não se enganavam com a discrepância da dupla, mas faziam vista grossa. Aí, o menino desaparecia rapidamente na multidão, na doce ilusão de que havia enganado o porteiro.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Ferroadas em palmeirenses
Com o aparecimento das torcidas organizadas na década de 70, começou a crescer os conflitos entre torcedores adversários. Os visitantes, geralmente em número inferior, levavam desvantagem nas brigas de braços, pernas, pedaços de paus e pedradas. Aí, quem apanhava prometia e cumpria desforra no jogo da volta, quando seu time era mandante.
A rivalidade fora de campo entre Ponte Preta e Palmeiras era maior do que no confronto entre palmeirenses e lusos. Como o público nos estádios totalizava quase o dobro se comparado à média atual, a segurança fugia do controle do policiamento, principalmente pós jogo nas imediações dos estádios.
Em julho de 1977, com o Estádio Moisés Lucarelli interditado por 30 dias pelo TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) da FPF (Federação Paulista de Futebol), o jeito foi a Ponte Preta alugar o estádio do rival Guarani, o Brinco de Ouro, para mando dos jogos contra Palmeiras e São Bento.
A vitória do Palmeiras por 4 a 3 foi marcada por gol em posição de impedimento do polivalente Jair Gonçalves, e principalmente pelas ferroadas de abelhas em dezenas de palmeirenses concentrados na cabeceira norte, a de entrada do estádio.
Um torcedor pontepretano se vingou literalmente. Arquitetou um plano de transportar uma colméia em caixa de isopor, driblou a vigilância de portaria passando-se por sorveteiro, e levou a tal caixa aos últimos degraus do lance de arquibancada. Lá, descaradamente, pediu a torcedores que vigiassem seu isopor, com desculpa que sairia a procura de troco.
Curiosos de plantão esperaram o ‘sorveteiro de araque’ desaparecer na multidão para destaparem o isopor. Aí, o plano de surrupiar picolé saiu pela culatra. Depararam com furiosas abelhas que, ao sobrevoarem o local, deixaram nas vítimas as marcas do ferrão.
O consolo do palmeirense foi ver seu time vencer. Com três gols de Dicá a Ponte empatava em 3 a 3 até que Jair Gonçalves marcou o quarto gol do Verdão. Os outros foram anotados por Toninho Catarina (2) e Edu Bala.
A Ponte jogou desfalcada do goleiro Carlos, dupla de zaga formada por Oscar e Polosi, e atacante Rui Rei. O técnico Zé Duarte, já falecido, escalou Rafael: Jair Picerni, Eugênio, Élcio e Odirlei; Wanderlei Paiva, Marco Aurélio e Dicá; Lúcio (Wilsinho), Parraga e Tuta.
No Palmeiras atuaram Bernardinho; Romerito, Beto Fuscão, Mario Sotto e Zeca; Pires, Ademir da Guia e Jorge Mendonça; Edu Bala, Toninho e Vasconcelos (Jair Gonçalves).
Na época as competições regionais eram prioritárias no calendário anual brasileiro. O Paulistão de 1977, com 19 clubes, começou no dia 6 de fevereiro e se estendeu até 13 de outubro, quando o Corinthians quebrou um jejum de título de 23 anos, ao ganhar da Ponte por 1 a 0, gol de Basílio, na terceira e decisiva partida. Todavia, o recorde de público no Estádio do Morumbi foi registrado no segundo jogo daquela final: 138.806 pagantes e 8.058 menores credenciados. O público total foi de 146.864 espectadores.
A rivalidade fora de campo entre Ponte Preta e Palmeiras era maior do que no confronto entre palmeirenses e lusos. Como o público nos estádios totalizava quase o dobro se comparado à média atual, a segurança fugia do controle do policiamento, principalmente pós jogo nas imediações dos estádios.
Em julho de 1977, com o Estádio Moisés Lucarelli interditado por 30 dias pelo TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) da FPF (Federação Paulista de Futebol), o jeito foi a Ponte Preta alugar o estádio do rival Guarani, o Brinco de Ouro, para mando dos jogos contra Palmeiras e São Bento.
A vitória do Palmeiras por 4 a 3 foi marcada por gol em posição de impedimento do polivalente Jair Gonçalves, e principalmente pelas ferroadas de abelhas em dezenas de palmeirenses concentrados na cabeceira norte, a de entrada do estádio.
Um torcedor pontepretano se vingou literalmente. Arquitetou um plano de transportar uma colméia em caixa de isopor, driblou a vigilância de portaria passando-se por sorveteiro, e levou a tal caixa aos últimos degraus do lance de arquibancada. Lá, descaradamente, pediu a torcedores que vigiassem seu isopor, com desculpa que sairia a procura de troco.
Curiosos de plantão esperaram o ‘sorveteiro de araque’ desaparecer na multidão para destaparem o isopor. Aí, o plano de surrupiar picolé saiu pela culatra. Depararam com furiosas abelhas que, ao sobrevoarem o local, deixaram nas vítimas as marcas do ferrão.
O consolo do palmeirense foi ver seu time vencer. Com três gols de Dicá a Ponte empatava em 3 a 3 até que Jair Gonçalves marcou o quarto gol do Verdão. Os outros foram anotados por Toninho Catarina (2) e Edu Bala.
A Ponte jogou desfalcada do goleiro Carlos, dupla de zaga formada por Oscar e Polosi, e atacante Rui Rei. O técnico Zé Duarte, já falecido, escalou Rafael: Jair Picerni, Eugênio, Élcio e Odirlei; Wanderlei Paiva, Marco Aurélio e Dicá; Lúcio (Wilsinho), Parraga e Tuta.
No Palmeiras atuaram Bernardinho; Romerito, Beto Fuscão, Mario Sotto e Zeca; Pires, Ademir da Guia e Jorge Mendonça; Edu Bala, Toninho e Vasconcelos (Jair Gonçalves).
Na época as competições regionais eram prioritárias no calendário anual brasileiro. O Paulistão de 1977, com 19 clubes, começou no dia 6 de fevereiro e se estendeu até 13 de outubro, quando o Corinthians quebrou um jejum de título de 23 anos, ao ganhar da Ponte por 1 a 0, gol de Basílio, na terceira e decisiva partida. Todavia, o recorde de público no Estádio do Morumbi foi registrado no segundo jogo daquela final: 138.806 pagantes e 8.058 menores credenciados. O público total foi de 146.864 espectadores.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Adeus a Waldemar Carabina
Há três anos a coluna cumpriu a sua missão de homenagear, em vida, o zagueiro Waldemar Carabina. No começo da noite do dia 22 de agosto, aos 78 anos de idade, quis o destino que ele reforçasse a seleção do céu. Morreu em decorrência do Mal de Alzheimer, e nada mais justo que a recapitulação de seu histórico.
Saudosistas dizem incansavelmente que o quarto-zagueiro Aldemar, do Palmeiras, foi o melhor marcador de Pelé. Estilo clássico, costumava tomar a bola do adversário sem fazer faltas. Morreu atropelado em Recife, em 1977.
Waldemar Carabina valia-se da força física para se prevalecer. Chegava junto nas divididas, e raramente levava desvantagem. Impunha-se também no jogo aéreo. No Palmeiras, passou da zaga central à quarta zaga com a chegada de Djalma Dias, em 1963. E gabou-se de ter anulado Pelé em algumas partidas: "Poucos o marcaram tão bem quanto eu".
Carabina entrou para a história do Palmeiras como o quinto jogador que mais vestiu a camisa do clube: 581 jogos, superado apenas por Ademir da Guia (901), Leão (617), Dudu (609) e Valdemar Fiúme (601). Assim, escreveu uma história de 12 anos no Verdão, marcada por 333 vitórias, 116 empates, 135 derrotas e nove gols. Fez parte do memorável time de 1959 que sagrou-se campeão paulista na final contra o Santos. Eis os campeões: Valdir Joaquim de Moraes; Djalma Santos, Waldemar Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zequinha e Chinesinho; Julinho, Nardo, Américo Murolo e Romeiro.
Foram três jogos extras para decisão do título, com empates nos dois primeiros - 1 a 1 e 2 a 2 - e vitória palmeirense, de virada, por 2 a 1, na derradeira partida, no Estádio do Pacaembu, com 45 mil pagantes. O grande Santos tinha Laércio; Getúlio, Formiga, Dalmo e Feijó; Zito e Urubatão; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Detalhe: naquela época a bola era marrom.
Outra saborosa experiência para o vigoroso Carabina foi em 1963, quando um time parcialmente modificado conquistou novamente o título paulista, formado por Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Waldemar Carabina e Vicente Arenari; Zequinha e Ademir da Guia; Gildo, Servilio, Vavá e Rinaldo. Depois vieram o lateral-esquerdo Ferrari, quarto zagueiro Minuca, volante Dudu e atacantes Tupãzinho e Ademar Pantera, com a formação de um grupo que eternizou a academia palmeirense.
Carabina encerrou a carreira no Comercial de Ribeirão Preto. Foi lá, também, o início na função de treinador, marcada por significativo período em clubes de Norte e Nordeste até 2004. O Palmeiras lhe deu a chance de comandar a equipe em 1988 na Copa União e Campeonato Paulista, com trabalho aceitável. No São José, em 1989, fazia campanha razoável até que os intolerantes cartolas decidiram demiti-lo após quatro empates consecutivos. Na seqüência, o time joseense chegou à final do Paulistão e perdeu o título na disputa com o São Paulo, já com Ademir Mello no comando técnico.
Nas andanças por Recife, o site esportivo Pernambola revela um fato curioso no vaivém de Carabina pelo Santa Cruz. Após uma partida, no vestiário, o repórter Dalvison Nogueira esbarrou sem querer no treinador que, irado, explodiu: - Você tá cego, rapaz!
Quando o repórter explicou que não enxergava de um olho, justificou que era um olho de vidro adaptado, Carabina, envergonhado, não se cansou de pedir desculpas.
Saudosistas dizem incansavelmente que o quarto-zagueiro Aldemar, do Palmeiras, foi o melhor marcador de Pelé. Estilo clássico, costumava tomar a bola do adversário sem fazer faltas. Morreu atropelado em Recife, em 1977.
Waldemar Carabina valia-se da força física para se prevalecer. Chegava junto nas divididas, e raramente levava desvantagem. Impunha-se também no jogo aéreo. No Palmeiras, passou da zaga central à quarta zaga com a chegada de Djalma Dias, em 1963. E gabou-se de ter anulado Pelé em algumas partidas: "Poucos o marcaram tão bem quanto eu".
Carabina entrou para a história do Palmeiras como o quinto jogador que mais vestiu a camisa do clube: 581 jogos, superado apenas por Ademir da Guia (901), Leão (617), Dudu (609) e Valdemar Fiúme (601). Assim, escreveu uma história de 12 anos no Verdão, marcada por 333 vitórias, 116 empates, 135 derrotas e nove gols. Fez parte do memorável time de 1959 que sagrou-se campeão paulista na final contra o Santos. Eis os campeões: Valdir Joaquim de Moraes; Djalma Santos, Waldemar Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zequinha e Chinesinho; Julinho, Nardo, Américo Murolo e Romeiro.
Foram três jogos extras para decisão do título, com empates nos dois primeiros - 1 a 1 e 2 a 2 - e vitória palmeirense, de virada, por 2 a 1, na derradeira partida, no Estádio do Pacaembu, com 45 mil pagantes. O grande Santos tinha Laércio; Getúlio, Formiga, Dalmo e Feijó; Zito e Urubatão; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Detalhe: naquela época a bola era marrom.
Outra saborosa experiência para o vigoroso Carabina foi em 1963, quando um time parcialmente modificado conquistou novamente o título paulista, formado por Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Waldemar Carabina e Vicente Arenari; Zequinha e Ademir da Guia; Gildo, Servilio, Vavá e Rinaldo. Depois vieram o lateral-esquerdo Ferrari, quarto zagueiro Minuca, volante Dudu e atacantes Tupãzinho e Ademar Pantera, com a formação de um grupo que eternizou a academia palmeirense.
Carabina encerrou a carreira no Comercial de Ribeirão Preto. Foi lá, também, o início na função de treinador, marcada por significativo período em clubes de Norte e Nordeste até 2004. O Palmeiras lhe deu a chance de comandar a equipe em 1988 na Copa União e Campeonato Paulista, com trabalho aceitável. No São José, em 1989, fazia campanha razoável até que os intolerantes cartolas decidiram demiti-lo após quatro empates consecutivos. Na seqüência, o time joseense chegou à final do Paulistão e perdeu o título na disputa com o São Paulo, já com Ademir Mello no comando técnico.
Nas andanças por Recife, o site esportivo Pernambola revela um fato curioso no vaivém de Carabina pelo Santa Cruz. Após uma partida, no vestiário, o repórter Dalvison Nogueira esbarrou sem querer no treinador que, irado, explodiu: - Você tá cego, rapaz!
Quando o repórter explicou que não enxergava de um olho, justificou que era um olho de vidro adaptado, Carabina, envergonhado, não se cansou de pedir desculpas.
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