Entre outras coisas, este agosto marca o sexto ano da morte do polêmico lateral-direito Mauro Campos Júnior, o Mauro Cabeção de Guarani, Portuguesa, Santos, Grêmio (RS) e Cruzeiro, de 48 anos de idade. A história dele na bola se prolonga na Seleção Brasileira. Participou dos Jogos Olímpicos de Montreal, no Canadá, em 1976, e três vezes na equipe principal, na década de 70.
Segundo versão do delegado de polícia de Nova Odessa (SP) da época, Antonio Donizete Braga, seis disparos tiraram a vida do ex-jogador no dia 6 de agosto de 2004. Braga citou que o crime foi passional e encomendado. Revelou também que dias antes do homicídio a vítima havia registrado boletim de ocorrência com relato de um triângulo amoroso, com envolvimento de sua companheira e uma outra mulher.
O pintor Felipe Delgado aceitou a oferta de R$ 4 mil para a execução de Mauro Cabeção em um bar na periferia de Nova Odessa. E mais: receberia um adicional de R$ 100 por cada disparo. Claro que escondeu o rosto com um capuz, mas a polícia desvendou o assassinato qualificado, e a Justiça do município o condenou a 13 anos de prisão em 2007. A companheira de Mauro, acusada de ser mandante do crime, ficou presa por um período.
Quem foi o Mauro jogador? Paradoxalmente um dos raros boleiros da noite a sobreviver no futebol. Bebia, fumava e se divertia com a mulherada em boates. Apesar de noites mal dormidas, tinha disposição para o trabalho, e marcava bem hábeis ponteiros-esquerdos. Alguns abusados têm cicatrizes de botinadas.
O vigor físico permitia que Mauro também atacasse, mas de forma consciente. Nas raras vezes que chegava ao fundo no campo, o cruzamento saía com efeito e encontrava o atacante de frente para o gol.
Curiosamente não foi a vida desregrada que encurtou a sua vida no futebol. Insistia em jogar apesar de contusão crônica no joelho. No final de uma carreira de pouco mais de dez anos, como não fazia o vaivém constante, optou pela fixação no miolo de zaga, e deu conta do recado, a exemplo dos laterais Carlos Alberto Torres, Leandro e Djalma Santos. Na época, exigia-se de laterais boa impulsão para coberturas no meio da área.
Fora de campo, Mauro era só alegria. Bem que tentou evitar o apelido de cabeção, mas com aquela imensa cabeça seria impossível sustentar tal briga. Também travou uma luta titânica para conseguir aposentadoria e vivia de míseros salários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), até que arrumaram-lhe um emprego de porteiro no ginásio de esportes do Guarani. De lá foi transferido para uma escolinha de futebol mantida pelo clube, e ensinava a molecada carente como se bate na bola.
À noite, como ninguém é de ferro, encostava-se em balcão de bar e não fazia distinção de bebidas, desde que fossem alcoólicas. Assim foi tocando a vida até a morte.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Baixinhos perdem espaço
As brincadeiras dos ‘meninos da vila’ chamam atenção pela irreverência e desproporção de altura entre a maioria e o atacante Madson Santos, 24 anos de idade completados em maio passado. Esse carioca do elenco santista, habituado a condição de reserva desde os tempos de Vasco da Gama, mede 1,59m de altura, estatura raramente observada nos atuais jogadores do futebol brasileiro. Isso contrasta com décadas passadas quando tamanho ‘não era documento’ para se pleitear vagas em elencos.
Na década de 60 surgiu para o futebol o rápido e habilidoso ponteiro-direito Ratinho, de 1,63m de altura. Como ele fazia salseiro pelo setor nas passagens por clubes catarinenses como Joinville e Marcílio Dias, a Portuguesa foi buscá-lo em 1965, e a sua torcida não cansou de aplaudi-lo.
Na Lusa, Ratinho jogou em companhia do zagueiro e volante Ulisses, falecido em maio passado, vítima de infarto. Ambos participaram do time de 1968 formado por Félix; Zé Maria, Jorge, Marinho Perez e Augusto; Ulisses e Lorico; Ratinho, Leivinha (Basílio), Ivair e Rodrigues.
As atuações convincentes premiaram Ratinho com a lembrança do nome entre os 40 pré-relacionados pela comissão técnica à Copa do Mundo de 1970, no México. Dois anos depois trocou a Portuguesa pelo São Paulo, e o encerramento de carreira foi no Joinville em 1978.
Justamente quando passou a dedicar mais tempo à família, e profissionalmente se identificava como o empresário Heitor Martinho de Souza, morreu tragicamente após colisão frontal com envolvimento de seu veículo Gol, que se transformou num amontoado de lata retorcida. A motorista de um automóvel Golf perdeu a direção e invadiu a pista contrária em uma curva de uma estrada que dá acesso ao Balneário Barra Sul, de Santa Catarina. Resultado: dos passageiros no veículo dirigido por Ratinho, o único sobrevivente foi seu filho Heitor Martinho de Souza Filho, hoje com 33 anos de idade. O balanço foi de seis mortos, cinco deles da família do ex-jogador: ele, esposa e três netos. O acidente ocorreu no dia 11 de fevereiro de 2001.
Dois outros exemplos de jogadores baixinhos que brilharam no futebol são o meia Edu - irmão de Zico- e Osni, ponteiro-direito que brilhou no Bahia de 1978 a 1985. Eduardo Antunes Coimbra marcou 212 gols apenas com a camisa do América (RJ) e entrou para a história do clube como um dos maiores craques de todos os tempos. Com 1,64m de altura e canela fina, entortou adversários de 1966 a 1974 no clube ‘vermelhinho’. Depois ainda passou por Vasco e Bahia antes de encerrar a carreira.
Osni Lopes, hoje radicado em Salvador (BA), tem estatura inferior a Madson: 1,56m de altura. Desabrochou no Vitória (BA) em 1971, e lá ficou durante cinco anos. Transferido para o Flamengo, sequer completou duas temporadas no Rio de Janeiro e já retornou à ‘boa terra’, só que na ocasião no rival Bahia, com os mesmos dribles e arrancadas fulminantes.
Na década de 60 surgiu para o futebol o rápido e habilidoso ponteiro-direito Ratinho, de 1,63m de altura. Como ele fazia salseiro pelo setor nas passagens por clubes catarinenses como Joinville e Marcílio Dias, a Portuguesa foi buscá-lo em 1965, e a sua torcida não cansou de aplaudi-lo.
Na Lusa, Ratinho jogou em companhia do zagueiro e volante Ulisses, falecido em maio passado, vítima de infarto. Ambos participaram do time de 1968 formado por Félix; Zé Maria, Jorge, Marinho Perez e Augusto; Ulisses e Lorico; Ratinho, Leivinha (Basílio), Ivair e Rodrigues.
As atuações convincentes premiaram Ratinho com a lembrança do nome entre os 40 pré-relacionados pela comissão técnica à Copa do Mundo de 1970, no México. Dois anos depois trocou a Portuguesa pelo São Paulo, e o encerramento de carreira foi no Joinville em 1978.
Justamente quando passou a dedicar mais tempo à família, e profissionalmente se identificava como o empresário Heitor Martinho de Souza, morreu tragicamente após colisão frontal com envolvimento de seu veículo Gol, que se transformou num amontoado de lata retorcida. A motorista de um automóvel Golf perdeu a direção e invadiu a pista contrária em uma curva de uma estrada que dá acesso ao Balneário Barra Sul, de Santa Catarina. Resultado: dos passageiros no veículo dirigido por Ratinho, o único sobrevivente foi seu filho Heitor Martinho de Souza Filho, hoje com 33 anos de idade. O balanço foi de seis mortos, cinco deles da família do ex-jogador: ele, esposa e três netos. O acidente ocorreu no dia 11 de fevereiro de 2001.
Dois outros exemplos de jogadores baixinhos que brilharam no futebol são o meia Edu - irmão de Zico- e Osni, ponteiro-direito que brilhou no Bahia de 1978 a 1985. Eduardo Antunes Coimbra marcou 212 gols apenas com a camisa do América (RJ) e entrou para a história do clube como um dos maiores craques de todos os tempos. Com 1,64m de altura e canela fina, entortou adversários de 1966 a 1974 no clube ‘vermelhinho’. Depois ainda passou por Vasco e Bahia antes de encerrar a carreira.
Osni Lopes, hoje radicado em Salvador (BA), tem estatura inferior a Madson: 1,56m de altura. Desabrochou no Vitória (BA) em 1971, e lá ficou durante cinco anos. Transferido para o Flamengo, sequer completou duas temporadas no Rio de Janeiro e já retornou à ‘boa terra’, só que na ocasião no rival Bahia, com os mesmos dribles e arrancadas fulminantes.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Muricy, recusa polêmica
Quem supõe que o técnico Muricy Ramalho seja o primeiro profissional do futebol a recusar convite para trabalhar na Seleção Brasileira está equivocado. Em 1986, quando o selecionado estava concentrado na Toca da Raposa, em Belo Horizonte (MG), o atacante Renato Gaúcho e o lateral-direito Leandro deram uma escapada para curtir a noite. Telê Santana (já falecido), treinador na época, cortou Renato do grupo e Leandro, em solidariedade ao companheiro, recusou disputar a Copa do Mundo do México.
O caso de Muricy Ramalho é diferente e controvertido. Se a maioria dos treinadores objetiva o topo na carreira, então como recusar convite da Seleção Brasileira? A justificativa de que o Fluminense não o liberou, que é homem de palavra, não é totalmente convincente, principalmente quando assegura que o contrato de dois anos de meio com o clube é verbal.
Discussão a parte, o certo é que Muricy tem currículo vencedor como técnico e jogador. Não esperem dele resultados imediatos. Aprendeu, desde os tempos de treinador de juniores do São Paulo, que o trabalho tem de ser planificado, e que as metas devem ser atingidas gradativamente. É um especialista no lançamento de garotos. Os exemplos estão aí, aos montes, desde as categorias de base e expressinho do Tricolor: goleiro Rogério Ceni e atacante Denílson são alguns.
Muricy aprendeu com mestre Telê Santana que não se pode abrir mão da disciplina. Adota com sabedoria uma cartilha de como o jogador deve se comportar disciplinarmente. Exige profissionalismo e determinação. Também tem disposição fantástica para o trabalho, principalmente no aspecto técnico. Assim, consegue corrigir defeitos e aprimorar virtudes de jogadores.
O reflexo do trabalho se traduz em títulos. Levantou caneco no Náutico (PE), conduziu o São Caetano à conquista do primeiro título do Paulistão, saboreou o título gaúcho de 2005 e foi vencedor no São Paulo. Claro que teve percalços na carreira de treinador, principalmente no interior paulista, nas passagens por Guarani e Botafogo de Ribeirão Preto.
Dos mais de 30 anos envolvido no futebol, passou a maior parte no São Paulo. Primeiro como jogador - e dos bons - na década de 70. Foi um ponta-de-lança de habilidade e tinha o hábito de partir com bola dominada sobre adversários. Embora finalizasse bem não era fominha. Servia o atacante Serginho Chulapa em jogadas de gols.
Coincidência ou não, Muricy participou de uma patota de boleiros com vocação para ser treinador de futebol, alguns com maior e outros com menor destaque. Jogou com o goleiro Waldir Peres, lateral-direito Nelsinho Baptista, zagueiro Arlindo, meio-campistas José Carlos Serrão, Chicão (já falecido) e Pedro Rocha, e o atacante Serginho Chulapa. Nesse período, era o típico jogador ranheta. Encrencava facilmente com treinadores, sem ser punido. Também ‘batia boca’ constantemente com companheiros de equipe, sem ser desleal.
Não é um estrategista de variações táticas que modificam resultados de jogos, mas compensa com trabalho planificado nos dias que antecedem as competições.
O caso de Muricy Ramalho é diferente e controvertido. Se a maioria dos treinadores objetiva o topo na carreira, então como recusar convite da Seleção Brasileira? A justificativa de que o Fluminense não o liberou, que é homem de palavra, não é totalmente convincente, principalmente quando assegura que o contrato de dois anos de meio com o clube é verbal.
Discussão a parte, o certo é que Muricy tem currículo vencedor como técnico e jogador. Não esperem dele resultados imediatos. Aprendeu, desde os tempos de treinador de juniores do São Paulo, que o trabalho tem de ser planificado, e que as metas devem ser atingidas gradativamente. É um especialista no lançamento de garotos. Os exemplos estão aí, aos montes, desde as categorias de base e expressinho do Tricolor: goleiro Rogério Ceni e atacante Denílson são alguns.
Muricy aprendeu com mestre Telê Santana que não se pode abrir mão da disciplina. Adota com sabedoria uma cartilha de como o jogador deve se comportar disciplinarmente. Exige profissionalismo e determinação. Também tem disposição fantástica para o trabalho, principalmente no aspecto técnico. Assim, consegue corrigir defeitos e aprimorar virtudes de jogadores.
O reflexo do trabalho se traduz em títulos. Levantou caneco no Náutico (PE), conduziu o São Caetano à conquista do primeiro título do Paulistão, saboreou o título gaúcho de 2005 e foi vencedor no São Paulo. Claro que teve percalços na carreira de treinador, principalmente no interior paulista, nas passagens por Guarani e Botafogo de Ribeirão Preto.
Dos mais de 30 anos envolvido no futebol, passou a maior parte no São Paulo. Primeiro como jogador - e dos bons - na década de 70. Foi um ponta-de-lança de habilidade e tinha o hábito de partir com bola dominada sobre adversários. Embora finalizasse bem não era fominha. Servia o atacante Serginho Chulapa em jogadas de gols.
Coincidência ou não, Muricy participou de uma patota de boleiros com vocação para ser treinador de futebol, alguns com maior e outros com menor destaque. Jogou com o goleiro Waldir Peres, lateral-direito Nelsinho Baptista, zagueiro Arlindo, meio-campistas José Carlos Serrão, Chicão (já falecido) e Pedro Rocha, e o atacante Serginho Chulapa. Nesse período, era o típico jogador ranheta. Encrencava facilmente com treinadores, sem ser punido. Também ‘batia boca’ constantemente com companheiros de equipe, sem ser desleal.
Não é um estrategista de variações táticas que modificam resultados de jogos, mas compensa com trabalho planificado nos dias que antecedem as competições.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Di Stefano, ídolo mundial
Ainda em festa pela conquista inédita da Copa do Mundo da África do Sul, a Espanha reconta histórias de seus ídolos imortalizados, um deles Alfredo di Stefano Laulhe, centroavante categorizado e goleador entre os anos 40 até 1966. Ele fez história no Real Madrid, e sua grande frustração foi não ter disputado uma Copa do Mundo. No ápice da carreira ficou de fora do Mundial de 1962, no Chile, por causa de uma lesão muscular na perna.
Com currículo recheado de glórias, foi inserido na galeria dos principais jogadores do planeta de todos os tempos. Segundo a revista France Football, da França, só foi superado por Pelé, Maradona e o holandês Johan Cruyff. Isso o credencia a opinar sobre temas polêmicos, com grande repercussão na mídia européia.
Antes de completar 84 anos de idade, dia 4 de julho passado, Di Stefano pediu aos jogadores espanhóis que o presenteassem com o título do Mundial no continente africano, e o sonho se tornou realidade. Também fez questão de isentar o meia argentino Messi da responsabilidade de decidir partidas, embora o considere o melhor jogador de futebol do mundo na atualidade. Mesmo na fase de ‘oba-oba’ aos argentinos, alertava sobre deficiências do conjunto, transferindo culpa ao técnico Maradona, também considerado prepotente.
Apesar dessas restrições, reafirma opinião de 2008 quando o considerou o melhor jogador de futebol do mundo de todos os tempos, polemizando com a maioria dos desportistas que elegeu Pelé como inigualável.
Di Stefano justifica que Maradona ganhou o Mundial de 1986 no México, para a seleção Argentina, jogando em uma equipe apenas razoável, enquanto Pelé atuou em companhia de craques. “Quando alguém está ao lado de bons jogadores seu futebol cresce. É o caso de Pelé”, compara.
Também o jornal inglês ‘The Time’ colocou Maradona no pedestal no ranking dos dez mais de todos os tempos em Copas. Pelé ficou logo atrás, apesar do retrospecto de 1.284 gols marcados ao longo da carreira de 1.375 jogos. Em terceiro vem o alemão Franz Beckenbauer. E o outro brasileiro da relação é o atacante Ronaldo em oitavo lugar.
Controvérsia a parte, Di Stefano, filho de imigrantes italianos, surgiu por acaso no futebol. Nascido na Argentina, quando tinha 17 anos de idade foi chamado para completar um time de bairro e marcou três gols. Em 1945 encantou torcedores do River Plate. Dois anos depois integrou o selecionado argentino. Na sequência fez sucesso no Milionário da Colômbia, ocasião em que integrou a seleção de futebol daquele país, num período em que os colombianos foram banidos de competições no âmbito da Fifa.
Em 1952, Real Madrid e Barcelona brigaram pela compra do passe dele. O impasse só foi equacionado num acordo para que alternasse uma temporada para cada clube durante quatro anos. Naturalizado espanhol, vestiu a camisa da seleção do país a partir de 1957, totalizando 31 jogos e 23 gols. Depois foi bem sucedido como treinador.
Com currículo recheado de glórias, foi inserido na galeria dos principais jogadores do planeta de todos os tempos. Segundo a revista France Football, da França, só foi superado por Pelé, Maradona e o holandês Johan Cruyff. Isso o credencia a opinar sobre temas polêmicos, com grande repercussão na mídia européia.
Antes de completar 84 anos de idade, dia 4 de julho passado, Di Stefano pediu aos jogadores espanhóis que o presenteassem com o título do Mundial no continente africano, e o sonho se tornou realidade. Também fez questão de isentar o meia argentino Messi da responsabilidade de decidir partidas, embora o considere o melhor jogador de futebol do mundo na atualidade. Mesmo na fase de ‘oba-oba’ aos argentinos, alertava sobre deficiências do conjunto, transferindo culpa ao técnico Maradona, também considerado prepotente.
Apesar dessas restrições, reafirma opinião de 2008 quando o considerou o melhor jogador de futebol do mundo de todos os tempos, polemizando com a maioria dos desportistas que elegeu Pelé como inigualável.
Di Stefano justifica que Maradona ganhou o Mundial de 1986 no México, para a seleção Argentina, jogando em uma equipe apenas razoável, enquanto Pelé atuou em companhia de craques. “Quando alguém está ao lado de bons jogadores seu futebol cresce. É o caso de Pelé”, compara.
Também o jornal inglês ‘The Time’ colocou Maradona no pedestal no ranking dos dez mais de todos os tempos em Copas. Pelé ficou logo atrás, apesar do retrospecto de 1.284 gols marcados ao longo da carreira de 1.375 jogos. Em terceiro vem o alemão Franz Beckenbauer. E o outro brasileiro da relação é o atacante Ronaldo em oitavo lugar.
Controvérsia a parte, Di Stefano, filho de imigrantes italianos, surgiu por acaso no futebol. Nascido na Argentina, quando tinha 17 anos de idade foi chamado para completar um time de bairro e marcou três gols. Em 1945 encantou torcedores do River Plate. Dois anos depois integrou o selecionado argentino. Na sequência fez sucesso no Milionário da Colômbia, ocasião em que integrou a seleção de futebol daquele país, num período em que os colombianos foram banidos de competições no âmbito da Fifa.
Em 1952, Real Madrid e Barcelona brigaram pela compra do passe dele. O impasse só foi equacionado num acordo para que alternasse uma temporada para cada clube durante quatro anos. Naturalizado espanhol, vestiu a camisa da seleção do país a partir de 1957, totalizando 31 jogos e 23 gols. Depois foi bem sucedido como treinador.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Dunga, quatro Mundiais
Pelo menos provisoriamente sai de cena o polêmico Dunga, com currículo de quatro Mundiais de futebol, os três primeiros como jogador. Inicialmente ele carregou o estigma do derrotismo em 1990, na Itália. Depois foi campeão em 1994 nos Estados Unidos, vice em 1998 na França, e a sua última página foi na Copa do Mundo da África do Sul, ainda viva na memória de todos.
Em 1990 Dunga sofreu perseguição implacável com a geração perdedora do técnico Sebastião Lazaroni. Coube ao técnico Carlos Alberto Parreira dar-lhe chance de reabilitação em 1994. Com o futebol brasileiro pautado em rigorosa precaução defensiva e Romário se encarregando de decidir no ataque, o time, através do volante, levantou o caneco.
Aí seus defensores alardearam que o tempo havia se encarregado de fazer justiça a um jogador raçudo e com espírito de liderança invejável, contrapondo posição do treinador Mário Sérgio Pontes de Paiva, na função de comentarista da TV Bandeirantes: “Com Dunga escalado, o Brasil entra em campo com dez jogadores”, radicalizava, interpretando o pensamento de milhares de brasileiros que identificavam o volante como um dos principais responsáveis pelo fracasso na Copa da Itália.
A partir de 1994 Dunga não só respirou aliviado como se considerou dono do time, a ponto de extrapolar na Copa de 1998. Durante áspera discussão com o atacante Bebeto, na goleada sobre Marrocos por 3 a 0, deu-lhe uma cabeçada, e deveria ter sido expulso de campo.
Outro momento eternizado na carreira do volante foi quando, jogando novamente pelo Inter (RS), o meia Ronaldinho Gaúcho, na época meia do Grêmio, aplicou-lhe um desmoralizante chapéu num grenal histórico. Ali começava a despedida de Dunga como jogador de futebol. Saía de cena um meio-campista tido como ‘cabeça-de-bagre’ para alguns e personificação da garra para outros.
Dunga teve ascensão rápida no futebol. Em meados da década de 80 começava a saborear títulos estaduais pelo Internacional gaúcho. Em 1984, participou da seleção olímpica de futebol que foi vice-campeã em Los Angeles, nos EUA. Depois, jogou no Corinthians, Pisa, Pescara e Fiorentina da Itália. Na Alemanha também foi chamado de ‘xerifão’ na passagem pelo Stuttgar. E, em 1995, atuou no futebol japonês.
Anos depois de pendurar as chuteiras, ainda provocava controvérsia. Para alguns, peitadas, ‘carrinhos’, pontapés, desarmes e liderança exercida sobre o grupo - dentro e fora de campo - foram vitais para a conquista do tetra. Outros críticos não recuaram um milímetro sobre a posição formada sobre ele: lento e incapaz de passar bem a bola.
Antes da eliminação do Brasil na África do Sul, o dia mais triste de Dunga no futebol havia sido em 20 de março de 2000, quando assinou rescisão de contrato com o Inter (RS) e doou o cheque de R$ 372.560,31 para uma instituição de caridade. Aflorava, ali, o espírito benevolente do jogador, que criou o Instituto Dunga para ajudar crianças e adolescentes carentes do Rio Grande do Sul.
Em 1990 Dunga sofreu perseguição implacável com a geração perdedora do técnico Sebastião Lazaroni. Coube ao técnico Carlos Alberto Parreira dar-lhe chance de reabilitação em 1994. Com o futebol brasileiro pautado em rigorosa precaução defensiva e Romário se encarregando de decidir no ataque, o time, através do volante, levantou o caneco.
Aí seus defensores alardearam que o tempo havia se encarregado de fazer justiça a um jogador raçudo e com espírito de liderança invejável, contrapondo posição do treinador Mário Sérgio Pontes de Paiva, na função de comentarista da TV Bandeirantes: “Com Dunga escalado, o Brasil entra em campo com dez jogadores”, radicalizava, interpretando o pensamento de milhares de brasileiros que identificavam o volante como um dos principais responsáveis pelo fracasso na Copa da Itália.
A partir de 1994 Dunga não só respirou aliviado como se considerou dono do time, a ponto de extrapolar na Copa de 1998. Durante áspera discussão com o atacante Bebeto, na goleada sobre Marrocos por 3 a 0, deu-lhe uma cabeçada, e deveria ter sido expulso de campo.
Outro momento eternizado na carreira do volante foi quando, jogando novamente pelo Inter (RS), o meia Ronaldinho Gaúcho, na época meia do Grêmio, aplicou-lhe um desmoralizante chapéu num grenal histórico. Ali começava a despedida de Dunga como jogador de futebol. Saía de cena um meio-campista tido como ‘cabeça-de-bagre’ para alguns e personificação da garra para outros.
Dunga teve ascensão rápida no futebol. Em meados da década de 80 começava a saborear títulos estaduais pelo Internacional gaúcho. Em 1984, participou da seleção olímpica de futebol que foi vice-campeã em Los Angeles, nos EUA. Depois, jogou no Corinthians, Pisa, Pescara e Fiorentina da Itália. Na Alemanha também foi chamado de ‘xerifão’ na passagem pelo Stuttgar. E, em 1995, atuou no futebol japonês.
Anos depois de pendurar as chuteiras, ainda provocava controvérsia. Para alguns, peitadas, ‘carrinhos’, pontapés, desarmes e liderança exercida sobre o grupo - dentro e fora de campo - foram vitais para a conquista do tetra. Outros críticos não recuaram um milímetro sobre a posição formada sobre ele: lento e incapaz de passar bem a bola.
Antes da eliminação do Brasil na África do Sul, o dia mais triste de Dunga no futebol havia sido em 20 de março de 2000, quando assinou rescisão de contrato com o Inter (RS) e doou o cheque de R$ 372.560,31 para uma instituição de caridade. Aflorava, ali, o espírito benevolente do jogador, que criou o Instituto Dunga para ajudar crianças e adolescentes carentes do Rio Grande do Sul.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Paulo César, o Caju
Quando a Seleção Brasileira passou às oitavas-de-finais da Copa do Mundo da África do Sul, o ex-jogador Paulo César Caju botou a boca no ‘trambone’: “Tô de saco cheio. Esse não é o futebol brasileiro, com jogadores brucutus”.
Careca e barbudo, Caju interpretou o pensamento de milhares de brasileiros avessos ao futebol pragmático que o técnico Dunga havia programado para o seu selecionado. E falou com a autoridade de um tricampeão mundial na Copa do Mundo do México, em 1970, e um dos principais ídolos entre os anos 60 a 80, com passagens por Botafogo (RJ), Flamengo, Paris Saint-Germain (França), Fluminense, Corinthians e Grêmio (RS).
Caju é mais um exemplo de menino bom de bola dos morros do Rio de Janeiro que dá certo no futebol. E confessou seu instinto perverso e racista na adolescência, quando, nas brincadeiras de rua, chutava a bola de propósito para quebrar vidros de casas de vizinhos brancos.
A mãe, uma empregada doméstica, bem que o aconselhava a fazer uso de ferro quente para alisar os cabelos, mas ele preferiu acompanhar o modismo da época de cabelo black power, tingindo-o de amarelo, um disparate que resultou no apelo de Caju.
No auge da fama foi um boêmio incorrigível na alta roda do Rio de Janeiro. Usava perfumes importados e adorava jóias. Revistas de fofocas o flagravam em companhia de loiras belíssimas.
Quando deixou o futebol foi um consumidor de drogas durante 15 anos. Depois, recuperado do vício, passou a dar palestras a jovens, instruindo-os sobre os malefícios da maconha, crack e cocaína.
Uma das histórias marcantes na carreira do jogador foi no dia 16 de abril de 1970, no Estádio do Morumbi. O então técnico da Seleção Brasileira, Mário Jorge Lobo Zagallo, ousou escalá-lo no lugar de Pelé, no jogo amistoso contra a Bulgária, o penúltimo antes do embarque para o México, visando a Copa do Mundo.
Pelé atravessava o pior momento na carreira profissional, e enfrentava a dureza da reserva pela primeira vez, um castigo inaceitável para a torcida. E quando Caju apontou no gramado foi vaiado, não se abateu, mas o time só empatou sem gols. Na sequência, a equipe venceu a Áustria por 1 a 0, antes do embarque ao México.
A projeção de Caju foi na função de falso ponteiro-esquerdo nas categorias de base do Botafogo-RJ. Conduzia a bola grudada aos pés, e a colocava onde bem entendia. O chute não era forte, porém com direção. Por isso fez muitos gols em cobranças de falta. Embora destro, sabia trabalhar bem a bola com a perna esquerda. Às vezes fazia jogadas de fundo, com precisos cruzamentos.
Em 1967 já participava do grupo de renovação da Seleção Brasileira. Na Copa de 70, por exemplo, fez a torcida brasileira esquecer o meia Gérson nas partidas contra Inglaterra e Romênia, com atuações marcantes. Até 1977 teve cadeira cativa na Seleção Brasileira.
Careca e barbudo, Caju interpretou o pensamento de milhares de brasileiros avessos ao futebol pragmático que o técnico Dunga havia programado para o seu selecionado. E falou com a autoridade de um tricampeão mundial na Copa do Mundo do México, em 1970, e um dos principais ídolos entre os anos 60 a 80, com passagens por Botafogo (RJ), Flamengo, Paris Saint-Germain (França), Fluminense, Corinthians e Grêmio (RS).
Caju é mais um exemplo de menino bom de bola dos morros do Rio de Janeiro que dá certo no futebol. E confessou seu instinto perverso e racista na adolescência, quando, nas brincadeiras de rua, chutava a bola de propósito para quebrar vidros de casas de vizinhos brancos.
A mãe, uma empregada doméstica, bem que o aconselhava a fazer uso de ferro quente para alisar os cabelos, mas ele preferiu acompanhar o modismo da época de cabelo black power, tingindo-o de amarelo, um disparate que resultou no apelo de Caju.
No auge da fama foi um boêmio incorrigível na alta roda do Rio de Janeiro. Usava perfumes importados e adorava jóias. Revistas de fofocas o flagravam em companhia de loiras belíssimas.
Quando deixou o futebol foi um consumidor de drogas durante 15 anos. Depois, recuperado do vício, passou a dar palestras a jovens, instruindo-os sobre os malefícios da maconha, crack e cocaína.
Uma das histórias marcantes na carreira do jogador foi no dia 16 de abril de 1970, no Estádio do Morumbi. O então técnico da Seleção Brasileira, Mário Jorge Lobo Zagallo, ousou escalá-lo no lugar de Pelé, no jogo amistoso contra a Bulgária, o penúltimo antes do embarque para o México, visando a Copa do Mundo.
Pelé atravessava o pior momento na carreira profissional, e enfrentava a dureza da reserva pela primeira vez, um castigo inaceitável para a torcida. E quando Caju apontou no gramado foi vaiado, não se abateu, mas o time só empatou sem gols. Na sequência, a equipe venceu a Áustria por 1 a 0, antes do embarque ao México.
A projeção de Caju foi na função de falso ponteiro-esquerdo nas categorias de base do Botafogo-RJ. Conduzia a bola grudada aos pés, e a colocava onde bem entendia. O chute não era forte, porém com direção. Por isso fez muitos gols em cobranças de falta. Embora destro, sabia trabalhar bem a bola com a perna esquerda. Às vezes fazia jogadas de fundo, com precisos cruzamentos.
Em 1967 já participava do grupo de renovação da Seleção Brasileira. Na Copa de 70, por exemplo, fez a torcida brasileira esquecer o meia Gérson nas partidas contra Inglaterra e Romênia, com atuações marcantes. Até 1977 teve cadeira cativa na Seleção Brasileira.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
França, quanta saudade!
Zinédine Zidane, consagrado astro do futebol francês, deixava a bola bem miúda, como se diz na gíria do futebol. Fazia dela aquilo que bem entendia. Batia de três dedos, peito de pé e até de bico quando, solidário aos companheiros de marcação, recuava para ajudar no desarme. Sabia usar as pernas compridas para distanciar o adversário da bola. E com a estatura de 1,85m de altura, podia se esperar dele bons índices de aproveitamento no jogo aéreo. A rigor, o Brasil teve o desprazer de ser uma das vítimas de sua mortífera cabeçada, quando goleado por 3 a 0 em 1998, na final da Copa do Mundo da França.
Zidane abandonou o futebol subitamente, por culpa do destemperado jogador italiano Materazzi, na final da Copa do Mundo de 2006. O francês não dominou os nervos após ofensa pessoal no jogo entre os selecionados europeus, descontando com uma reprovável cabeçada no peito. Foi expulso de campo, e depois viu seus companheiros perderem a disputa na definição através de cobranças de pênaltis: 5 a 4.
Astro também da Juventus de Turim e Real Madrid, eleito três vezes o melhor jogador de futebol do planeta, Zidane desaprovou a performance da decadente seleção francesa nesta Copa do Mundo da África do Sul, despachada ainda na primeira fase. Todos aqueles que admiraram a escola futebolística francesa dos finais dos anos 90 ficaram perplexos ao constatarem um time ‘amarrado’ em campo nos três jogos da etapa classificatória. Um ritmo lento e previsível, apesar da ousadia na escalação, com dois atacantes abertos e um enfiado na área adversária para complementação de jogadas. Na prática, faltaram ‘peças’ qualificadas para a execução da proposta ofensiva.
A França do zagueiro Tigana e o meia Michael Platini, dos anos 80, e a geração de Thuran, Desailly, Djorkaeff, Deschamps, Lizarazu e Petit, da década de 90, não merecia tamanha humilhação. E para juntar os cacos e refazer o planejamento, é indispensável que recorra ao passado de glória e tradição.
Tigana foi um zagueiro de boa compleição física e com incrível capacidade de antecipação. Tomava a bola do adversário com categoria e tinha vocação para agilizar o início dos contra-ataques. Saía da defesa em velocidade e aí projetava-se ao ataque.
Tão forte quanto Tigana foi Thuram, que atuou quer no miolo de zaga, quer na lateral-direita até os 36 anos de idade, na temporada passada. Na seleção francesa ele jogou num time com meio de campo compacto. Deschamps foi um volante de bom desarme, coadjuvado por Youri Djorkaeff que fechava os espaços dos adversários. De posse de bola, ele sabia tocá-la com rapidez e se deslocava para receber a devolução. A rigor, esse meia teve a quem puxar: seu pai Jean Djorkaeff também integrou o selecionado francês nos anos 50 e 60 como lateral-direito dos bons.
Jogadores com a garra do lateral-esquerdo Lizarazu e o meio-campista Vieira também deixaram saudade aos franceses.
Zidane abandonou o futebol subitamente, por culpa do destemperado jogador italiano Materazzi, na final da Copa do Mundo de 2006. O francês não dominou os nervos após ofensa pessoal no jogo entre os selecionados europeus, descontando com uma reprovável cabeçada no peito. Foi expulso de campo, e depois viu seus companheiros perderem a disputa na definição através de cobranças de pênaltis: 5 a 4.
Astro também da Juventus de Turim e Real Madrid, eleito três vezes o melhor jogador de futebol do planeta, Zidane desaprovou a performance da decadente seleção francesa nesta Copa do Mundo da África do Sul, despachada ainda na primeira fase. Todos aqueles que admiraram a escola futebolística francesa dos finais dos anos 90 ficaram perplexos ao constatarem um time ‘amarrado’ em campo nos três jogos da etapa classificatória. Um ritmo lento e previsível, apesar da ousadia na escalação, com dois atacantes abertos e um enfiado na área adversária para complementação de jogadas. Na prática, faltaram ‘peças’ qualificadas para a execução da proposta ofensiva.
A França do zagueiro Tigana e o meia Michael Platini, dos anos 80, e a geração de Thuran, Desailly, Djorkaeff, Deschamps, Lizarazu e Petit, da década de 90, não merecia tamanha humilhação. E para juntar os cacos e refazer o planejamento, é indispensável que recorra ao passado de glória e tradição.
Tigana foi um zagueiro de boa compleição física e com incrível capacidade de antecipação. Tomava a bola do adversário com categoria e tinha vocação para agilizar o início dos contra-ataques. Saía da defesa em velocidade e aí projetava-se ao ataque.
Tão forte quanto Tigana foi Thuram, que atuou quer no miolo de zaga, quer na lateral-direita até os 36 anos de idade, na temporada passada. Na seleção francesa ele jogou num time com meio de campo compacto. Deschamps foi um volante de bom desarme, coadjuvado por Youri Djorkaeff que fechava os espaços dos adversários. De posse de bola, ele sabia tocá-la com rapidez e se deslocava para receber a devolução. A rigor, esse meia teve a quem puxar: seu pai Jean Djorkaeff também integrou o selecionado francês nos anos 50 e 60 como lateral-direito dos bons.
Jogadores com a garra do lateral-esquerdo Lizarazu e o meio-campista Vieira também deixaram saudade aos franceses.
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