As rígidas retrancas na Copa do Mundo da África do Sul nos remetem a décadas passadas quando treinadores de clubes de poucos recursos técnicos usavam o expediente na tentativa de evitar derrotas para adversários de maior potencial técnico. É prudente ressaltar que naquele período a pontuação por vitória era de apenas dois pontos. Logo, o empate tinha boa aceitação, principalmente fora de casa ou contra os chamados grandes clubes. Depois, para estimular o futebol mais ofensivo, a Fifa ampliou para três pontos os resultados de vitórias, a partir da Copa do Mundo de 1994, desestimulando, assim, as retrancas descaradas.
O primeiro exemplo claro que se tem informação de esquema tático retrancado foi o ‘ferrolho suíço’, usado por aquele país nas Copas de 1938 e 1954, implantado pelo austríaco Karl Rappan, o treinador. No Brasil, o Clube Atlético Juventus foi tido como o mais retranqueiro na década de 70, dirigido pelo técnico Milton Buzetto.
Antes do ingresso nas funções de treinador, Buzetto foi um zagueiro rebatedor, que também ‘fungava no cangote’ de atacante adversário. Sem espaço no Palmeiras - clube que o revelou - transferiu-se para o Juventus na década de 60, e lá formou dupla de zaga com o quarto-zagueiro Clóvis, ex-Corinthians. Sempre falante, orientava o sistema de marcação com recuo de volante, meias e ponteiros, de forma que o adversário encontrasse dificuldade de penetração.
Quando parou de jogar, já estava apto para ser técnico do próprio Juventus, exigindo que o time fosse a sua imagem: guerreiro e retranqueiro. Não se acanhava de aglomerar quase todo time nas imediações de sua própria área para evitar o gol do adversário. No papel, seu time tinha um ‘esqueleto’ de 4-3-3, mas na prática a variação atingia o 4-5-1, com os irmãos Brida e Brecha compondo o meio-de-campo, setor onde também participou Adnan, coadjuvado por Ziza. Carlos e Osmar formaram dupla de zaga, sucedidos por Cedenir e Deodoro, que havia sido deslocado da lateral-esquerda para o miolo de zaga. O ‘ferrolho juventino’ era transposto quando o time enfrentava adversários que sabiam usar bem as jogadas de fundo de campo. Edu Bala, nos tempos de Lusa e Palmeiras, cruzava para trás e alcançava as cabeçadas certeiras de Leivinha.
Antes da adoção dessa postura defensivista, o Juventus foi um time atrevido e até conquistou o Campeonato Paulistinha de 1971, organizado pela Federação Paulista de Futebol. Fez bonito, também, numa excursão ao Japão em 1974, quando sagrou-se campeão do Torneio Internacional da cidade de Tóquio, ao vencer o selecionado japonês por 2 a 0, na final.
Depois disso foi implantado a tal retranca, com opção do uso do contra-ataque. Assim, de vez em quando o time fazia as suas travessuras, surpreendendo até adversários poderosos, resultado no batismo de ‘Moleque Travesso’. O alvo principal era o Corinthians, castigado na maioria das vezes com gols do carrasco Ataliba. A rigor, por causa disso os cartolas corintianos o contrataram.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Treinadores que ensinam
Às vésperas da largada da Copa do Mundo, durante treino de finalizações dos argentinos, o técnico Diego Maradona franziu a testa com o baixo índice de aproveitamento da boleirada, e fez questão de mostrar como de bate na bola. E como quem sabe nunca esquece, mostrou aos comandados como se faz. Chutou com precisão e colocou a “pelota” onde a coruja dorme, como se diz na gíria do futebol.
Naquele treino, Maradona repetiu aquilo que fazem dezenas de técnicos que jogaram futebol. A vantagem sobre companheiros de profissão que não jogaram é que explicam, na prática, como deve ser feito. O treinador Valdir Pereira, o Didi – já falecido – aperfeiçoava os lançamentos dos meias. Ensinava-os como melhorar o efeito na bola em cobranças de faltas, com a autoridade de quem foi o inventor da folha seca, tipo de finalização em que a bola faz curva e cai repentinamente, surpreendendo o goleiro adversário.
Dino Sani foi outro treinador que se preocupava em melhorar o condicionamento técnico do atleta. E quando o boleiro não cumpria a tarefa corretamente nos treinos, pegava a bola e ensinava como devia ser feito.
Quando passou pela Ponte Preta, em 1982, Dino comandou um time de medalhões como Dicá, Mário Sérgio e Jorge Mendonça (já falecido). Certa ocasião, Mário Sérgio (hoje técnico de futebol), para provocá-lo, fez questão de chutar a bola com força e bastante efeito em direção dele, para que dominasse. E o destemido Dino a amorteceu com categoria e ganhou confiança definitiva do discípulo.
A cada final do treino, Dino chamava os atacantes e mostrava como se pega de primeira em levantamentos do fundo do campo. Batia de sem-pulo e avisava o goleiro o canto que chutaria, sob olhares atônitos de seus comandados, que viam a bola ‘morrer’ na ‘gaveta’.
Dino já não tolerava trabalhar com jogadores de poucos recursos técnicos e de dificuldade de assimilação. Por isso foi perdendo a paciência, até que na segunda passagem como treinador da Ponte Preta abandonou o cargo no intervalo de um jogo contra o Novorizontino (clube já extinto), inconformado com a derrota por 2 a 0. “Não dá para trabalhar com tanto cabeça-de-bagre”, justificou. E cumpriu a promessa da aposentadoria.
Também pudera: foi um médio-volante que dava show nos gramados, e a recompensa foi o título na Copa do Mundo de 1958, na Suécia, como reserva de Zito. No XV de Jaú atuava na meia de armação. Foi recuado como volante no São Paulo, passando, ainda, por Milan da Itália e Boca Junior da Argentina. E encerrou a carreira no Corinthians, formando dupla de meio-de-campo com Rivelino, na década de 60. Para tomar bola do adversário valia-se do bom posicionamento, tempo certo de bola e capacidade de antecipação.
Com essas virtudes, a passagem de jogador para treinador foi sintomática no final da década de 60, com trabalho marcante no Inter (RS), Coritiba e Fluminense.
Naquele treino, Maradona repetiu aquilo que fazem dezenas de técnicos que jogaram futebol. A vantagem sobre companheiros de profissão que não jogaram é que explicam, na prática, como deve ser feito. O treinador Valdir Pereira, o Didi – já falecido – aperfeiçoava os lançamentos dos meias. Ensinava-os como melhorar o efeito na bola em cobranças de faltas, com a autoridade de quem foi o inventor da folha seca, tipo de finalização em que a bola faz curva e cai repentinamente, surpreendendo o goleiro adversário.
Dino Sani foi outro treinador que se preocupava em melhorar o condicionamento técnico do atleta. E quando o boleiro não cumpria a tarefa corretamente nos treinos, pegava a bola e ensinava como devia ser feito.
Quando passou pela Ponte Preta, em 1982, Dino comandou um time de medalhões como Dicá, Mário Sérgio e Jorge Mendonça (já falecido). Certa ocasião, Mário Sérgio (hoje técnico de futebol), para provocá-lo, fez questão de chutar a bola com força e bastante efeito em direção dele, para que dominasse. E o destemido Dino a amorteceu com categoria e ganhou confiança definitiva do discípulo.
A cada final do treino, Dino chamava os atacantes e mostrava como se pega de primeira em levantamentos do fundo do campo. Batia de sem-pulo e avisava o goleiro o canto que chutaria, sob olhares atônitos de seus comandados, que viam a bola ‘morrer’ na ‘gaveta’.
Dino já não tolerava trabalhar com jogadores de poucos recursos técnicos e de dificuldade de assimilação. Por isso foi perdendo a paciência, até que na segunda passagem como treinador da Ponte Preta abandonou o cargo no intervalo de um jogo contra o Novorizontino (clube já extinto), inconformado com a derrota por 2 a 0. “Não dá para trabalhar com tanto cabeça-de-bagre”, justificou. E cumpriu a promessa da aposentadoria.
Também pudera: foi um médio-volante que dava show nos gramados, e a recompensa foi o título na Copa do Mundo de 1958, na Suécia, como reserva de Zito. No XV de Jaú atuava na meia de armação. Foi recuado como volante no São Paulo, passando, ainda, por Milan da Itália e Boca Junior da Argentina. E encerrou a carreira no Corinthians, formando dupla de meio-de-campo com Rivelino, na década de 60. Para tomar bola do adversário valia-se do bom posicionamento, tempo certo de bola e capacidade de antecipação.
Com essas virtudes, a passagem de jogador para treinador foi sintomática no final da década de 60, com trabalho marcante no Inter (RS), Coritiba e Fluminense.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Rogério, de boleiro a pastor
Rogério, Gerson, Jairzinho, Roberto Miranda e Paulo Cesar Caju formaram uma das mais respeitáveis linhas de frente do Botafogo do Rio no biênio 1967/68, culminando com a conquista do bicampeonato estadual. Desse quinteto, só Rogério não integrou o grupo de jogadores tricampeões mundiais pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970, no México. Não jogou, mas esteve lá. Uma lesão muscular, às vésperas da competição, implicou em seu corte dos selecionados, e o técnico Zagallo chamou o então goleiro Emerson Leão para sucedê-lo.
Rogério estava tão integrado ao grupo de jogadores brasileiros naquela Copa que acabou remanejado para a função de olheiro dos adversários. Desde aquela época mostrava-se comunicativo e pormenorizava detalhes observados.
Recuperado da contusão e de volta ao Botafogo, a torcida regozijou-se com o seu futebol hábil e veloz. O arranque era impressionante. Com passadas largas chegava facilmente ao fundo do campo ou fechava em diagonal rumo ao gol adversário. O estilo era semelhante ao de Renato Gaúcho, que fez sucesso no Grêmio e principais clubes cariocas.
O apelido de Rogério Ventilador foi decorrente dos movimentos com o braço quando driblava. Propositalmente ou não, muitas vezes mantinha seus marcadores distantes.
Dos tempos de Botafogo Rogério guarda um histórico de glórias e poucas derrotas. Uma das marcantes foi para o Flamengo no dia 31 de maio de 1969, por 2 a 1, no eternizado ‘jogo do urubu’.
Na década de 60, torcedores flamenguistas eram chamados de urubus pelos rivais. Motivo: a maioria era afro-descendente e pobre. Assim, um grupo de rubro-negros levou a ave escondida para o Estádio do Maracanã e, ao soltá-la, ela debandou para o setor dos torcedores botafoguenses, naquele confronto em 1969. Pronto. A partir daí o Flamengo adotou o símbolo do urubu.
O destino reservou passagem de Rogério também pelo Flamengo, clube escolhido para o encerramento da carreira em 12 de dezembro de 1973, na vitória sobre o Olaria por 2 a 1. E diferentemente dos companheiros que preferem prosseguir no futebol em outras funções, Rogério cursou Direito e foi advogar.
Depois enfrentou o duro golpe da perda do filho com cinco dias de vida. Claro que a cabeça entrou em parafuso, e ele só se reencontrou após ingresso na Igreja Messiânica, cuja doutrina é vida mais espiritualista. E de simples membro atingiu o posto de pastor, identificado como reverendo Rogério Hetmanek. Ele ensina, nos sermões, o conceito de Meishu-Same, que “quando alguém morre e tem muito apego a este mundo, se reencarna mais cedo. Mas isso não traz bons resultados, porque no mundo espiritual a purificação é mais rigorosa e, quanto mais tempo o espírito lá permanecer, mais será purificado”.
Pois é, as pessoas mudam. Se há 37 anos Rogério repetia nos microfones a obrigatória introdução “ouvintes meus cumprimentos”, hoje, como palestrante em universidade e currículo de quem publicou o livro ‘o Patriarca’, seu vocabulário faz inveja aos mais cultos dos boleiros.
Rogério estava tão integrado ao grupo de jogadores brasileiros naquela Copa que acabou remanejado para a função de olheiro dos adversários. Desde aquela época mostrava-se comunicativo e pormenorizava detalhes observados.
Recuperado da contusão e de volta ao Botafogo, a torcida regozijou-se com o seu futebol hábil e veloz. O arranque era impressionante. Com passadas largas chegava facilmente ao fundo do campo ou fechava em diagonal rumo ao gol adversário. O estilo era semelhante ao de Renato Gaúcho, que fez sucesso no Grêmio e principais clubes cariocas.
O apelido de Rogério Ventilador foi decorrente dos movimentos com o braço quando driblava. Propositalmente ou não, muitas vezes mantinha seus marcadores distantes.
Dos tempos de Botafogo Rogério guarda um histórico de glórias e poucas derrotas. Uma das marcantes foi para o Flamengo no dia 31 de maio de 1969, por 2 a 1, no eternizado ‘jogo do urubu’.
Na década de 60, torcedores flamenguistas eram chamados de urubus pelos rivais. Motivo: a maioria era afro-descendente e pobre. Assim, um grupo de rubro-negros levou a ave escondida para o Estádio do Maracanã e, ao soltá-la, ela debandou para o setor dos torcedores botafoguenses, naquele confronto em 1969. Pronto. A partir daí o Flamengo adotou o símbolo do urubu.
O destino reservou passagem de Rogério também pelo Flamengo, clube escolhido para o encerramento da carreira em 12 de dezembro de 1973, na vitória sobre o Olaria por 2 a 1. E diferentemente dos companheiros que preferem prosseguir no futebol em outras funções, Rogério cursou Direito e foi advogar.
Depois enfrentou o duro golpe da perda do filho com cinco dias de vida. Claro que a cabeça entrou em parafuso, e ele só se reencontrou após ingresso na Igreja Messiânica, cuja doutrina é vida mais espiritualista. E de simples membro atingiu o posto de pastor, identificado como reverendo Rogério Hetmanek. Ele ensina, nos sermões, o conceito de Meishu-Same, que “quando alguém morre e tem muito apego a este mundo, se reencarna mais cedo. Mas isso não traz bons resultados, porque no mundo espiritual a purificação é mais rigorosa e, quanto mais tempo o espírito lá permanecer, mais será purificado”.
Pois é, as pessoas mudam. Se há 37 anos Rogério repetia nos microfones a obrigatória introdução “ouvintes meus cumprimentos”, hoje, como palestrante em universidade e currículo de quem publicou o livro ‘o Patriarca’, seu vocabulário faz inveja aos mais cultos dos boleiros.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Dirceu Lopes, um dos injustiçados
Dirceu Lopes, ex-meia do Cruzeiro (MG), ainda não digere a passagem de apenas 19 jogos pela Seleção Brasileira e um amargo corte entre os jogadores relacionados à Copa do Mundo do México, em 1970. Na ocasião, teve de ceder o lugar para Dadá Maravilha, uma convocação política imposta pelo então presidente da República Emílio Médici, que o técnico Zagallo teve de engolir, diferente de seu antecessor João Saldanha, que havia projetado um lugar de destaque para Dirceu naquele Mundial.
Quando Dirceu estava no auge da forma, na década de 70, recebeu a visita do fenômeno Mané Garrincha – já falecido -, na concentração do Cruzeiro, em hotel de São Paulo, e ficou com o ego bem massageado. "Olha, Dirceu, vim te dar um abraço porque você é o melhor jogador de futebol do mundo".
Claro que Mané Garrincha exagerou, mas aquelas pernas curtas de Dirceu Lopes, 1,63m, nascido em 3 de setembro de 1946, entortaram adversários. Foram 224 gols registrados em 14 anos de Toca da Raposa, marca que o coloca como segundo maior artilheiro na história do clube, atrás apenas de Tostão, que marcou 248 gols.
Dirceu tinha a frieza dos goleadores e visão de jogo dos antigos boleiros de armação. Fez parte daquele lendário time do Cruzeiro que desbancou o grande Santos em novembro de 1966, com a conquista da Taça Brasil, hoje Taça do Brasil.
Naquela época, o Cruzeiro goleou o Santos por 6 a 2, no Mineirão, na primeira partida, e Dirceu fez três gols. No segundo confronto, no Pacaembu, outra vitória do time mineiro: 3 a 2, para delírio de Raul Plassmann, Pedro Paulo, Willian, Procópio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo e Hilton Oliveira, os titulares.
Dez anos depois, Dirceu viveu outro momento de glória na carreira com a conquista da Copa Libertadores da América sobre o River Plate, da Argentina, após a vitória do Cruzeiro por 3 a 2, em Santiago, no Chile, na "negra" - terceira partida da final.
O gol da consagração foi marcado pelo ponteiro-esquerdo Joãozinho, um renomado driblador, que se antecipou a Nelinho - cobrador oficial de faltas da equipe - e bateu com perfeição, quase no final do jogo. Nem por isso Joãozinho recebeu só cumprimentos. O exigente treinador Zezé Moreira – já falecido - o classificou de "moleque irresponsável".
Claro que se viesse o título no mundial interclubes, contra os alemães do
Bayern de Munich, a festa seria completa, mas Joãozinho, Jairzinho, Dirceu e cia. não se abateram com a perda.
A partir daí, Dirceu começou a trilhar a velha estrada da volta. Foi reserva de Rivelino no Fluminense, jogou no Uberlândia (MG) e encerrou a carreira no Democrata de Governador Valadares (MG) em 1981.
Aí, tímido e sem liderança para coordenar grupos de jogadores, trocou a bola pela vida de empresário, como dono de uma fábrica de jeans em Pedro Leopoldo, sua cidade natal.
Quando Dirceu estava no auge da forma, na década de 70, recebeu a visita do fenômeno Mané Garrincha – já falecido -, na concentração do Cruzeiro, em hotel de São Paulo, e ficou com o ego bem massageado. "Olha, Dirceu, vim te dar um abraço porque você é o melhor jogador de futebol do mundo".
Claro que Mané Garrincha exagerou, mas aquelas pernas curtas de Dirceu Lopes, 1,63m, nascido em 3 de setembro de 1946, entortaram adversários. Foram 224 gols registrados em 14 anos de Toca da Raposa, marca que o coloca como segundo maior artilheiro na história do clube, atrás apenas de Tostão, que marcou 248 gols.
Dirceu tinha a frieza dos goleadores e visão de jogo dos antigos boleiros de armação. Fez parte daquele lendário time do Cruzeiro que desbancou o grande Santos em novembro de 1966, com a conquista da Taça Brasil, hoje Taça do Brasil.
Naquela época, o Cruzeiro goleou o Santos por 6 a 2, no Mineirão, na primeira partida, e Dirceu fez três gols. No segundo confronto, no Pacaembu, outra vitória do time mineiro: 3 a 2, para delírio de Raul Plassmann, Pedro Paulo, Willian, Procópio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo e Hilton Oliveira, os titulares.
Dez anos depois, Dirceu viveu outro momento de glória na carreira com a conquista da Copa Libertadores da América sobre o River Plate, da Argentina, após a vitória do Cruzeiro por 3 a 2, em Santiago, no Chile, na "negra" - terceira partida da final.
O gol da consagração foi marcado pelo ponteiro-esquerdo Joãozinho, um renomado driblador, que se antecipou a Nelinho - cobrador oficial de faltas da equipe - e bateu com perfeição, quase no final do jogo. Nem por isso Joãozinho recebeu só cumprimentos. O exigente treinador Zezé Moreira – já falecido - o classificou de "moleque irresponsável".
Claro que se viesse o título no mundial interclubes, contra os alemães do
Bayern de Munich, a festa seria completa, mas Joãozinho, Jairzinho, Dirceu e cia. não se abateram com a perda.
A partir daí, Dirceu começou a trilhar a velha estrada da volta. Foi reserva de Rivelino no Fluminense, jogou no Uberlândia (MG) e encerrou a carreira no Democrata de Governador Valadares (MG) em 1981.
Aí, tímido e sem liderança para coordenar grupos de jogadores, trocou a bola pela vida de empresário, como dono de uma fábrica de jeans em Pedro Leopoldo, sua cidade natal.
Parreira: ‘o gol é apenas um detalhe’
Outros tempos era raro um profissional prosperar na carreira de treinador sem currículo de jogador. Havia um velado preconceito da categoria, e poucos cartolas se aventuravam a desafiar a lógica.
Outros tempos dizia-se que Carlos Alberto Parreira, 67 anos de idade, um graduado homem do Exército brasileiro, era um intruso no comando de clubes, a despeito do histórico de tricampeão mundial no México na Copa do Mundo de 1970, como auxiliar de Cláudio Coutinho - já falecido -, na preparação física. Principalmente a imprensa paulista cobrava dele qualificação para o exercício da função, desconsiderando a invejável bagagem teórica. Parreira, contudo, foi obstinado e não se curvou ao desafio. De certo, o que não esperava era que ‘caísse no colo’ o comando da Seleção Brasileira tão prematuramente, em 1983. Aí, com o vice-campeonato de sua equipe na Copa América realizada no Brasil, recebeu uma ‘enxurrada’ de críticas.
Com a fortaleza de poucos soube absorvê-las e recomeçou a trajetória de treinador no Fluminense, em 1984. Quis o destino que assumisse um time bem montado pelo antecessor José Luiz Carbone, e o resultado foi a conquista do título do Campeonato Brasileira daquela temporada.
Talvez fosse o momento para que seus detratores dessem uma trégua, mas eles não se renderam. Assim, em 1991, inteligentemente, Parreira bolou uma estratégia para calá-los. Com ajuda do homem forte do Bragantino, o patrono Nabi Abi Chedid - já falecido -, assumiu o comando técnico daquele clube com missão de dar continuidade ao elogiado trabalho de seu antecessor Vanderlei Luxemburgo. E deu.
De fato Parreira pensava longe naquela empreitada. Pavimentava uma trajetória triunfal na carreira, que culminaria com retorno à Seleção Brasileira. E com a sua indisfarçável filosofia de “futebol de resultados” conquistou o tetracampeonato mundial nos Estados Unidos, em 1994, quebrando um jejum de 24 anos sem conquista.
Parreira habilmente soube o momento de sair e deixar escancaradas as portas da CBF para retorno à Seleção, o que ocorreu em 2006. Antes disso, em 1998, uma dolorosa dispensa da Seleção da Arábia Saudita após a segunda rodada da primeira fase. Saiu amargurado, porém com cuidado para não ferir suscetibilidade após a derrota para a Dinamarca por 1 a 0. O técnico da equipe no jogo seguinte, contra a África do Sul, foi Mohamed Al-Kharashi.
Nesta Copa da África do Sul é o comandante dos anfitriões, após trégua durante pouco mais de um ano, quando o técnico Joel Santana assumiu o seu lugar. Parreira já dirigiu as seleções de Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuait. A rigor, no ranking de treinadores com maior repasse de seleções de diferentes países em Copa do Mundo, só perde para o sérvio Borá Milutinovic. Em 1986 ele levou o México às quartas-de-final, perdendo para a Alemanha na disputa de pênaltis. Dirigiu, ainda, Costa Rica, Estados Unidos, Nigéria e China.
Parreira também ficou marcado por uma inoportuna frase: “O gol é apenas um detalhe”.
Outros tempos dizia-se que Carlos Alberto Parreira, 67 anos de idade, um graduado homem do Exército brasileiro, era um intruso no comando de clubes, a despeito do histórico de tricampeão mundial no México na Copa do Mundo de 1970, como auxiliar de Cláudio Coutinho - já falecido -, na preparação física. Principalmente a imprensa paulista cobrava dele qualificação para o exercício da função, desconsiderando a invejável bagagem teórica. Parreira, contudo, foi obstinado e não se curvou ao desafio. De certo, o que não esperava era que ‘caísse no colo’ o comando da Seleção Brasileira tão prematuramente, em 1983. Aí, com o vice-campeonato de sua equipe na Copa América realizada no Brasil, recebeu uma ‘enxurrada’ de críticas.
Com a fortaleza de poucos soube absorvê-las e recomeçou a trajetória de treinador no Fluminense, em 1984. Quis o destino que assumisse um time bem montado pelo antecessor José Luiz Carbone, e o resultado foi a conquista do título do Campeonato Brasileira daquela temporada.
Talvez fosse o momento para que seus detratores dessem uma trégua, mas eles não se renderam. Assim, em 1991, inteligentemente, Parreira bolou uma estratégia para calá-los. Com ajuda do homem forte do Bragantino, o patrono Nabi Abi Chedid - já falecido -, assumiu o comando técnico daquele clube com missão de dar continuidade ao elogiado trabalho de seu antecessor Vanderlei Luxemburgo. E deu.
De fato Parreira pensava longe naquela empreitada. Pavimentava uma trajetória triunfal na carreira, que culminaria com retorno à Seleção Brasileira. E com a sua indisfarçável filosofia de “futebol de resultados” conquistou o tetracampeonato mundial nos Estados Unidos, em 1994, quebrando um jejum de 24 anos sem conquista.
Parreira habilmente soube o momento de sair e deixar escancaradas as portas da CBF para retorno à Seleção, o que ocorreu em 2006. Antes disso, em 1998, uma dolorosa dispensa da Seleção da Arábia Saudita após a segunda rodada da primeira fase. Saiu amargurado, porém com cuidado para não ferir suscetibilidade após a derrota para a Dinamarca por 1 a 0. O técnico da equipe no jogo seguinte, contra a África do Sul, foi Mohamed Al-Kharashi.
Nesta Copa da África do Sul é o comandante dos anfitriões, após trégua durante pouco mais de um ano, quando o técnico Joel Santana assumiu o seu lugar. Parreira já dirigiu as seleções de Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuait. A rigor, no ranking de treinadores com maior repasse de seleções de diferentes países em Copa do Mundo, só perde para o sérvio Borá Milutinovic. Em 1986 ele levou o México às quartas-de-final, perdendo para a Alemanha na disputa de pênaltis. Dirigiu, ainda, Costa Rica, Estados Unidos, Nigéria e China.
Parreira também ficou marcado por uma inoportuna frase: “O gol é apenas um detalhe”.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Goleiros de Seleção
Tradicionalmente goleiros brasileiros disputam mais que uma Copa do Mundo. Nos últimos 60 anos observou-se uma cultura de que jogador da posição tem que adquirir experiência na primeira competição. Projeta-se que já amadurecido não vai sentir o peso da responsabilidade quando escalado.
Pode-se dizer que o primeiro estagiário nesse quesito foi Carlos Castilho - já falecido - convocado sucessivamente de 1950 a 1962 nas competições disputadas no Brasil, Suíça, Suécia e Chile. Paradoxalmente seu melhor desempenho sempre foi em clube - caso do Fluminense -, o que resultou na identificação como “leiteria”. Nas Copas de 1958 e 1962 foi reserva de Gilmar, goleiro que disputou ainda o Mundial de 1966 na Inglaterra.
A filosofia de “ganhar experiência” teve continuidade em 1970 com Emerson Leão, quando a Seleção Brasileira fez opção de relacionar três goleiros. O receio era a perda de titular e reserva imediato motivada por contusão ou cartões vermelho e amarelo. Naquela Copa do México foi implantada punição a jogadores com cartão amarelo, três deles, cumulativamente, resultando em suspensão automática.
Dessa inclusão do terceiro goleiro se aproveitou o então garoto Leão, do Palmeiras, para respirar clima de Seleção Brasileira. Quatro anos depois - mais ‘canchado’ e precedido de atuações regularíssimas - foi titular absoluto no gol brasileiro na Copa da Alemanha. Na ocasião, os comandados do técnico Zagallo foram surpreendidos pela máquina holandesa na semifinal, e também pela Polônia na disputa pelo terceiro lugar.
Leão continuou intocável na Seleção em 1978, na Copa da Argentina. Depois, já com Telê Santana como treinador, foi relegado na competição disputada na Espanha, para voltar ao ‘antigo ninho’ em 1986, outra vez no México. Assim, completou quatro Copas, uma a menos que Carbajal da seleção mexicana.
A bem sucedida experiência foi repetida com Valdir Peres, Carlos, Taffarel, Dida e Júlio César. Valdir foi terceira opção na Alemanha em 1974. ‘Esquentou’ banco em 1978. E foi titular em 1982.
Trajetória semelhante foi a de Carlos, desde 1978 entre os convocados. Chance real, mesmo, só em 1986 no México.
Taffarel foi partícipe da precoce eliminação brasileira na Copa do Mundo da Itália, em 1990, quando o grupo escolhido pelo técnico Sebastião Lazaroni deu vexame. A redenção desse gaúcho deu-se quatro anos depois nos Estados Unidos, quando o Brasil sagrou-se tetracampeão mundial ao bater a Itália nos pênaltis, na final. Por fim, na terceira experiência, foi eximido de culpa na goleada por 3 a 0 que a sua equipe sofreu para os franceses.
Quanto a Dida, se foi considerado ‘verde’ em 1998 na França, quando era reserva de Taffarel, só não foi titular em 2002 no Japão e Coréia do Sul devido à excelente fase do concorrente Marcos. Assim, teve de esperar a Copa de 2006, novamente sediada pela Alemanha.
Agora a história se repete com Júlio César. De estagiário em 2006, deu um salto extremamente qualitativo. É reconhecido como um dos melhores do planeta, na posição.
Pode-se dizer que o primeiro estagiário nesse quesito foi Carlos Castilho - já falecido - convocado sucessivamente de 1950 a 1962 nas competições disputadas no Brasil, Suíça, Suécia e Chile. Paradoxalmente seu melhor desempenho sempre foi em clube - caso do Fluminense -, o que resultou na identificação como “leiteria”. Nas Copas de 1958 e 1962 foi reserva de Gilmar, goleiro que disputou ainda o Mundial de 1966 na Inglaterra.
A filosofia de “ganhar experiência” teve continuidade em 1970 com Emerson Leão, quando a Seleção Brasileira fez opção de relacionar três goleiros. O receio era a perda de titular e reserva imediato motivada por contusão ou cartões vermelho e amarelo. Naquela Copa do México foi implantada punição a jogadores com cartão amarelo, três deles, cumulativamente, resultando em suspensão automática.
Dessa inclusão do terceiro goleiro se aproveitou o então garoto Leão, do Palmeiras, para respirar clima de Seleção Brasileira. Quatro anos depois - mais ‘canchado’ e precedido de atuações regularíssimas - foi titular absoluto no gol brasileiro na Copa da Alemanha. Na ocasião, os comandados do técnico Zagallo foram surpreendidos pela máquina holandesa na semifinal, e também pela Polônia na disputa pelo terceiro lugar.
Leão continuou intocável na Seleção em 1978, na Copa da Argentina. Depois, já com Telê Santana como treinador, foi relegado na competição disputada na Espanha, para voltar ao ‘antigo ninho’ em 1986, outra vez no México. Assim, completou quatro Copas, uma a menos que Carbajal da seleção mexicana.
A bem sucedida experiência foi repetida com Valdir Peres, Carlos, Taffarel, Dida e Júlio César. Valdir foi terceira opção na Alemanha em 1974. ‘Esquentou’ banco em 1978. E foi titular em 1982.
Trajetória semelhante foi a de Carlos, desde 1978 entre os convocados. Chance real, mesmo, só em 1986 no México.
Taffarel foi partícipe da precoce eliminação brasileira na Copa do Mundo da Itália, em 1990, quando o grupo escolhido pelo técnico Sebastião Lazaroni deu vexame. A redenção desse gaúcho deu-se quatro anos depois nos Estados Unidos, quando o Brasil sagrou-se tetracampeão mundial ao bater a Itália nos pênaltis, na final. Por fim, na terceira experiência, foi eximido de culpa na goleada por 3 a 0 que a sua equipe sofreu para os franceses.
Quanto a Dida, se foi considerado ‘verde’ em 1998 na França, quando era reserva de Taffarel, só não foi titular em 2002 no Japão e Coréia do Sul devido à excelente fase do concorrente Marcos. Assim, teve de esperar a Copa de 2006, novamente sediada pela Alemanha.
Agora a história se repete com Júlio César. De estagiário em 2006, deu um salto extremamente qualitativo. É reconhecido como um dos melhores do planeta, na posição.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Everaldo, tricampeão há 40 anos
Com a fartura de reminiscências sobre Copa do Mundo, às vésperas do maior evento de futebol do planeta programado para a África do Sul, o tricampeonato brasileiro no México, em 1970, será recontado muitas vezes.
Há 40 anos, entre os 22 campeões, estava o gaúcho Everaldo Marques da Silva, um lateral-esquerdo eficiente na marcação e só. Consciente das limitações para apoiar o ataque, preferia o passe curto aos companheiros.
Naquele período jogador de futebol era idolatrado por fãs mesmo quando parava de jogar. Alguns sabiamente exploravam a popularidade e enveredavam para cargos políticos, principalmente no Legislativo, mesmo sem aptidão. A certeza da votação maciça os encorajava a enfrentar as urnas, e são incontáveis os exemplos daqueles que foram eleitos com folga.
Mesma sorte não teve Everaldo. Em 1974, quando pendurou as chuteiras, tinha como certa uma cadeira na Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, e se engajou na campanha política de tal forma que podia ser visto em até dois comícios no mesmo dia. E tudo ia bem até que perdeu a vida em acidente de automóvel, na BR-286, justamente quando voltava de um comício, por volta das 22h30 do dia 27 de setembro daquele ano. O automóvel Dodge Dart do jogador entrou sob uma jamanta e ficou quase irreconhecível. Na ocasião, também morreram a esposa Célia e a filha Denise Marques.
Revelado pelo Grêmio e com flagrantes limitações técnicas, Everaldo ganhou a posição de Marco Antonio - veloz e de características ofensivas - às vésperas da Copa do México. Já no Mundialito de 1972, no Brasil, o técnico Zagallo optou por não convocá-lo, para ira dos gaúchos. Afinal, o Rio Grande do Sul tinha histórico de furar o domínio do eixo Rio-São Paulo em convocações de jogadores para Copas. Em 1950, na competição disputada no Brasil, Nena, do Grêmio, e Adãozinho, do Internacional, foram vice-campeões mundiais. Na malfadada Seleção Brasileira de 1966, na Inglaterra, lá estava o atacante Alcindo Bugre, do Grêmio. E em Mundiais subseqüentes, o Estado quase sempre esteve representado. Em 1974, na Alemanha, foram o meio-campista Paulo César Carpeggiani e o ponteiro-direito Valdomiro, ambos do Inter. Em 1978, na Argentina, o volante Batista foi o representante do time colorado. Falcão – ex-Inter (RS) - jogou os Mundiais de 1982 e 1986. Ainda em 1986 foram o zagueiro Mauro Galvão e o meia Valdo, de Inter e Grêmio, respectivamente. Depois, o goleiro Taffarel, em 1990, na Itália; e o zagueiro Ângelo Polga, em 2002, no Japão e Coréia do Sul - jogadores de Inter e Grêmio, respectivamente. Em 2006 foram os ex-gremistas Ronaldinho Gaúcho e Emerson.
O deslize na carreira de Everaldo foi a besteira feita num jogo contra o Cruzeiro em 1972, no Estádio Olímpico, quando deu um soco no árbitro paulista José Faville Neto. Na época, a suspensão de um ano foi reduzida para seis meses.
Há 40 anos, entre os 22 campeões, estava o gaúcho Everaldo Marques da Silva, um lateral-esquerdo eficiente na marcação e só. Consciente das limitações para apoiar o ataque, preferia o passe curto aos companheiros.
Naquele período jogador de futebol era idolatrado por fãs mesmo quando parava de jogar. Alguns sabiamente exploravam a popularidade e enveredavam para cargos políticos, principalmente no Legislativo, mesmo sem aptidão. A certeza da votação maciça os encorajava a enfrentar as urnas, e são incontáveis os exemplos daqueles que foram eleitos com folga.
Mesma sorte não teve Everaldo. Em 1974, quando pendurou as chuteiras, tinha como certa uma cadeira na Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, e se engajou na campanha política de tal forma que podia ser visto em até dois comícios no mesmo dia. E tudo ia bem até que perdeu a vida em acidente de automóvel, na BR-286, justamente quando voltava de um comício, por volta das 22h30 do dia 27 de setembro daquele ano. O automóvel Dodge Dart do jogador entrou sob uma jamanta e ficou quase irreconhecível. Na ocasião, também morreram a esposa Célia e a filha Denise Marques.
Revelado pelo Grêmio e com flagrantes limitações técnicas, Everaldo ganhou a posição de Marco Antonio - veloz e de características ofensivas - às vésperas da Copa do México. Já no Mundialito de 1972, no Brasil, o técnico Zagallo optou por não convocá-lo, para ira dos gaúchos. Afinal, o Rio Grande do Sul tinha histórico de furar o domínio do eixo Rio-São Paulo em convocações de jogadores para Copas. Em 1950, na competição disputada no Brasil, Nena, do Grêmio, e Adãozinho, do Internacional, foram vice-campeões mundiais. Na malfadada Seleção Brasileira de 1966, na Inglaterra, lá estava o atacante Alcindo Bugre, do Grêmio. E em Mundiais subseqüentes, o Estado quase sempre esteve representado. Em 1974, na Alemanha, foram o meio-campista Paulo César Carpeggiani e o ponteiro-direito Valdomiro, ambos do Inter. Em 1978, na Argentina, o volante Batista foi o representante do time colorado. Falcão – ex-Inter (RS) - jogou os Mundiais de 1982 e 1986. Ainda em 1986 foram o zagueiro Mauro Galvão e o meia Valdo, de Inter e Grêmio, respectivamente. Depois, o goleiro Taffarel, em 1990, na Itália; e o zagueiro Ângelo Polga, em 2002, no Japão e Coréia do Sul - jogadores de Inter e Grêmio, respectivamente. Em 2006 foram os ex-gremistas Ronaldinho Gaúcho e Emerson.
O deslize na carreira de Everaldo foi a besteira feita num jogo contra o Cruzeiro em 1972, no Estádio Olímpico, quando deu um soco no árbitro paulista José Faville Neto. Na época, a suspensão de um ano foi reduzida para seis meses.
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