domingo, 15 de março de 2026

Vaguinho, um dos raros ponteiros que sabiam fazer gols

 Na conquista do tricampeonato mundial pela Seleção Brasileira em 1970, o saudoso treinador Zagalo contrariou o modelo habitual e escalou a equipe sem ponteiros de origem. Adaptou o meia-atacante Jairzinho como ponta-direita e o meia Rivellino foi designado para ocupar o espaço do ponteiro-esquerdo, porém liberdade de flutuar por dentro, com determinação para que um dos companheiros de equipe ocupasse o espaço na beirada.

Até então, nos clubes em geral, a concepção da 'treinadorzada' era escalar ponteiros que se caracterizavam pelos duelos com laterais, indicação de levar a bola ao fundo de campo para os cruzamentos, embora uns e outros ousavam fazer a diagonal e arriscavam chutes de fora da área.

Assim, até aquela década, eram raros os jogadores da posição com registro de vários gols em seus respectivos clubes. Todavia, como toda regra tem exceção, o mineiro Vagno de Freitas, nascido em Sete de Lagoas há 76 anos, apelidado na infância como Vaguinho, mostrou que ponteiro-direito pode perfeitamente aparecer na área adversária e concluir jogadas, como fazem meias e centroavantes.

Será que na história do futebol brasileiro algum ponteiro-direito tenha marcado 166 gols em 732 partidas realizadas? Pois esse é o registro deixado por Vaguinho nos dois principais clubes que atuou. Transferido do Democrata de Governador Valadares ao Atlético Mineiro em 1968, em 179 jogos anotou 56 gols durante três anos no clube, já mostrando velocidade e voluntariedade.

Na passagem pelo Corinthians até 1981, foram outros 110 gols em 551 partidas, e raramente de cabeça, pela natural dificuldade de cabeceio, com 1,70m de altura. Ele teve participação destacada no título corintiano do Campeonato Paulista de 1977, com quebra de jejum desde 1954. Na volta ao Galo mineiro em 1981, ficou apenas sete meses. Na temporada seguinte, passou pelo Santo André, e reservou os dois últimos anos da carreira para jogar na Ponte Preta. Em seguida, atuou como comentarista esportivo da Rádio LBV-São Paulo.

Se hoje ensina futebol para garotada, relatou os seus sete jogos na Seleção Brasileira, um deles na despedida do 'rei' Pelé, em 1971. Enfatizou a estreia aos 18 anos de idade, em 1968, contra a Iugoslávia, no Estádio Mineirão. Na ocasião, foram escalados apenas jogadores do Atlético Mineiro, e ele marcou um dos gols na vitória por 3 a 2.


sábado, 7 de março de 2026

Problema de visão de jogadores foram sendo contornados

Como as lentes de contatos para regular a miopia das pessoas ficaram popularizada na década de 70 do século passado, houve registro de multiplicação de usuários nos anos 80 e 90, com a introdução das lentes gelatinosas e armação de borracha.

Por que o assunto? Porque antes disso foram detectados casos de atletas com problema de visão, mas desafiaram a lógica da prevenção e foram para os gramados. Quem confessou publicamente essa situação foi o saudoso goleiro Dimas Monteiro.

Isso ocorreu nos tempos que comandava os seus discípulos no Guarani, na década de 80, porém lembrando do ocorrido 20 anos antes, quando do final da carreira de goleiro também no Guarani, ao admitir que tinha dificuldades para enxergar em jogos noturnos.

O também falecido jornalista João Saldanha, que foi o treinador da Seleção Brasileira durante as Eliminatórias à Copa do Mundo de 1970, cometeu a aberração de suspeitar de deficiência visual do eterno 'rei' Pelé, com posterior comprovação de erro de avaliação.

Em meados dos anos 80, o então lateral-direito Ariovaldo - vinculado ao Guarani - foi vítima de grave acidente de automóvel, com consequência da perda da visão de um olho. Apesar disso, conseguiu transferência ao Paraná Clube e ainda prolongou um pouco mais a carreira.

Há registro que o treinador Fernando Diniz, meia de qualidade revelado pelo Juventus, se submeteu a cirurgia para atingir plena visão, nos tempos que havia preconceito dos clubes - ainda nas categorias de base - em relação a atletas com miopia e astigmatismo, antes do surgimento das armações de lentes gelatinosas. Ele ainda atuou no Palmeiras, Corinthians e Guarani.

Sobre o tema em pauta, um dos casos curiosos foi do volante holandês Edgard Davids, que neste 13 de março completa 53 anos de idade e foi apelidado de 'Pitbul' pela característica forte na marcação.

Ele foi o primeiro jogador a atuar com óculos de proteção, admitido em jogos oficiais da FIFA a partir do final de 1999. Devido à um glaucoma, a doença ocular aumentava a pressão nos olhos, e por isso teve que ser submetido a cirurgia nos olhos, sendo necessário proteger a visão. E hoje atua como treinador.

O goleiro Keller, que integrou o selecionado dos Estados Unidos em Copa do Mundo, fazia uso de lente de contado para leve correção de visão, principalmente em jogos noturnos.


domingo, 1 de março de 2026

Frase imortais no futebol

Ao remexer meus antigos arquivos deparo com publicação na virada do século sobre frases imortais no futebol, criadas por pessoas já falecidas, uma delas o carioca e carequinha Mário Viana, um dos introdutores em análises sobre arbitragem no rádio brasileiro, há várias décadas, e o modelo foi copiado pela mídia eletrônica.

Viana foi um árbitro malcriado, truculento e desafiava qualquer valentão para sair no braço. Foi criativo e inventor da bem ajustada palavra para caracterizae jogador em posição de impedimento: 'baaaanheeeeira...'

Esse trissílabo ecoava de forma estridente na voz dele através dos radinhos de pilha que torcedores levaram ao Estádio do Maracanã. E por que banheira? Na banheira, ensaboado, você fica sozinho, sem companhia.

Nelson Rodrigues foi jornalista, poeta, teatrólogo e declaradamente torcedor do Fluminense. Quando o seu clube estava enroscado em campo, clamava pelo 'sobrenatural de Almeida', personagem do 'além' para empurrá-lo à vitória.

Décadas passadas, locutores de rádio tinham mais criatividade. Um dia um sábio comparou a junção do ângulo superior da trave como o lugar onde a coruja dorme, para superestimar gols marcados naquela situação, um bordão que 'colou', sem que surgisse qualquer contestação.

O frasista Nenê Prancha jamais poderia imaginar que ao definir o futebol como 'caixinha de surpresa' estava criando uma frase secular. É dele também a citação que o pênalti é tão importante que deveria ser cobrado pelo presidente do clube.

Foi o treinador Diede Lameiro quem criou a frase 'todos os cartolas calçam 40', mensagem que mostra os mesmos defeito, rezam a mesma cartilha e falam o mesmo idioma, enquanto o também técnico Oto Glória, na passagem pela Portuguesa, em meados dos anos 70 do século passado, repetia com frequência a frase 'sem ovos não se faz omolete', uma alusão que sem jogadores qualificados o comandante não coloca em prática os seus conceitos, porém os mais antigos citam que a frase foi copiada do treinador Gentil Cardoso.

Quando criticado pelo 'rei' Pelé, por atuações inconsistentes na Seleção Brasileira de 1998, na Copa de Ouro do México, o ex-centroavante Romário retrucou com frase que viralizou: 'Que Deus abençoe os pés desse cidadão, porque quando fala só sai besteira, ou melhor, só sai merda”.

Pelé, educadamente, evitou polemizar.


domingo, 22 de fevereiro de 2026

Ex-zagueiro Fabão, uma história de títulos

 Diferentes histórias no futebol mostram carreiras de atletas que vão da glória ao ostracismo nos últimos anos de sua trajetória. E um dos claros exemplos neste contexto é o ex-zagueiro Fabão, que foi acumulando títulos estaduais desde o início da carreira no Bahia, em 1998, e nos dois anos seguintes bicampeão pelo Flamengo, além da Copa Mercosul. Logo, despertou interesse do Bétis, da Espanha, e lá participou da conquista do Troféu Ramón de Carranza.

De volta ao Brasil e no Goiás, mais um bicampeonato em 2002/03. Se tudo já se mostrava valoroso, a predestinação por títulos atingiu o mais alto patamar no São Paulo a partir de 2005, quando emendou o Paulistão, Libertadores e Mundial de Clubes, na vitória por 1 a 0 sobre o Liverpool, no Japão, com gol do volante Mineiro, num time formado por Rogério Ceni; Cicinho, Diego Lugano, Fabão, Ed Carlos e Júnior; Mineiro, Josué e Danilo; Amoroso e Aloísio. Treinador: Paulo Autuori. Depois ainda veio o Brasileirão de 2006.

Até no Japão, pelo Kashima Antlers, comemorou a Copa do Imperador de 2007. Afinal, qual a característica desse Fabão levantador de 'canecos'? Sabia explorar a estatura de 1,87m de altura para ser soberano na bola aérea defensiva. Tinha o tempo de bola para encurtar espaços de atacantes adversários e na cobranças de faltas de média e longa distância usava força na bola, com relativo aproveitamento.

Em 2008, uma fratura na fíbula da perna direita o distanciou por um período do futebol e, quando acolhido pelo Santos, o rendimento já não foi o mesmo, e assim teve curta passagem pelo Guarani, transferiu-se ao Henan Jianye, da China, e no retorno, em 2012, deu início à estrada da volta no futebol pelo Comercial de Ribeirão Preto, Sobradinho, até a última passagem pelo Goianésia, na disputa da Série D do Brasileirão, em 2014.

José Fábio Alves Azevedo é natural de Vera Cruz e em junho próximo vai completar 50 anos de idade. Ele fixou residência no luxuoso condomínio Alphaville, em Goiânia, cidade natal de sua esposa - que é irmã da mulher do ex-volante Josué, dos tempos de São Paulo.

Como optou por vida fora do futebol, hoje diverte-se como faixa-preta de jiu-jitsu, modalidade esportiva que foi atraído quando da passagem pelo Sobradinho, no Distrito Federal. Também empresaria atividades nos ramos da construção civil, ferragens e adega de vinho.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Saudoso lateral Dalmo Gaspar, o inventor das paradinhas nos pênaltis

O dia dois de fevereiro passado marcou o 11º ano da morte do então lateral-esquerdo Dalmo Gaspar, aos 82 anos de idade, em Jundiaí (SP), sua cidade natal. Ele foi inventor das paradinhas em cobranças de pênaltis, gesto atribuído a Pelé, que na prática apenas o copiou, confirmou o ex-ponteiro-esquerdo Pepe, companheiro dele na equipe do Santos.

Não bastasse ter sido um eficiente lateral na marcação, Dalmo entrou para a história do alvinegro praiano como autor do gol de pênalti que deu vitória à sua equipe por 1 a 0 sobre o Milan em 1963, na terceira e decisiva partida do Mundial Interclubes.

Aquele jogo do bicampeonato foi realizado no Estádio do Maracanã dia 16 de novembro, e o Peixe contava com o mais categorizado time de sua história: Gilmar; Lima, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Como Pelé desfalcou a sua equipe na terceira e derradeira partida, em decorrência de contusão, o treinador Lula (já falecido) deixou a incumbência de cobrança de pênalti para Dalmo e Pepe. “Quando teve o lance, fomos até a bola e senti firmeza muito grande nele”, revelou Pepe sobre o companheiro.

Pepe lembrou ainda que Dalmo sempre foi titular no time santista em quaisquer das posições de defesa, e até improvisado como volante. Todavia a fixação ocorreu na lateral-esquerda, período em que o Santos excursionava rotineiramente ao exterior. E numa das viagens, Pelé fez questão de presenteá-lo com uma chuteira de borracha, possibilitando que fosse o primeiro jogador brasileiro a utilizá-la no Brasil.

Se a estreia de Dalmo no Peixe ocorreu no dia 26 de outubro de 1957, na vitória sobre o Palmeiras por 4 a 3, no Estádio do Pacaembu, a despedida foi em agosto de 1964, na vitória sobre o Juventus por 2 a 1, no Estádio da Rua Javari. Portanto, sete anos de clube.

Depois retornou ao Guarani, clube que o projetou para o futebol, mas o final de carreira ocorreu na zaga central do Paulista de Jundiaí. Depois comentou futebol em emissoras da cidade e trabalhou como funcionário público até a aposentadoria.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Adeus ao ex-ponteiro-esquerdo Tato

O ex-ponteiro-esquerdo Tato foi titular da histórica equipe campeã brasileira do Fluminense de 1984 e no tricampeonato carioca de 1983 a 1985, período que por três vezes participou de jogos da Seleção Brasileira. E quando anunciaram a morte dele no dia 27 de janeiro passado, aos 64 anos de idade, a natural indignação ficou por conta dos desígnios da vida e a forma cruel reservada para determinadas pessoas.

Carlos Alberto Araújo Prestes, o Tato, natural de Curitiba (PR) e morto no Rio de Janeiro, foi vítima de um câncer de esôfago, uma doença dolorida, pois o enfermo tem a sensação de que a comida fica presa na garganta ou no peito, provocando dificuldades de engoli-la, o mesmo se aplicando a líquidos. Também provoca dor no peito, e alguns pacientes descrevem como sensação de pressão ou queimação no peito.

Tato foi um hábil ponteiro-esquerdo, quando ao ocupante do setor era atribuída a capacidade de dribles, para escapar da marcação de laterais e exercer a função de assistente de artilheiros como os atacantes Washington e Assis, num time que contava com o lateral-esquerdo Branco, o meia Romerito e era treinado por Carlos Alberto Parreira.

O histórico de gols dele no Fluminense ficou restrito a 18 no total de 242 partidas, no período de 1983 a 1988, época que seletivamente o clube mandava jogos em seu seu estádio, conhecido como Laranjeiras, mas o nome é Manoel Schwarz, com capacidade limitada para cerca de dez mil pessoas, que deixou de ser utilizado para jogos em 2003, mesmo ano que, durante um treinamento, o então centroavante Romário, irritado, agrediu um dos torcedores que xingaram os atletas e fizeram provocações atirando uma galinha viva no gramado.

Revelado Internacional (RS) em 1982 , transferiu-se ao Goiânia naquela mesma temporada. Quando saiu do Brasil em 1989, foi jogar no Elche Club de Fútbol, da Espanha, mas no mesmo ano retornou ao País para jogar no Vasco, e integrou o elenco que conquistou o Campeonato Brasileiro. Depois disso, a carreira ainda se estendeu no Sport, Santos, Grêmio e Coritiba em 1993.

Tato chegou a ser auxiliar-técnico de Gilson Kleina no Ipatinga (MG), e na função trabalhou ainda em clubes como Caxias, Caldense e Paysandu, mas não prosperou. Assim, preferiu manter a sua imobiliária em Curitiba e montar a própria escolinha de futebol no Rio de Janeiro.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Ex-lateral Fábio Santos 'dedurou' o parceiro Douglas


Circunstancialmente a coluna desta semana não segue iniciamente os procedimentos de praxe, com relevância sobre a carreira de ex-atleta e sim sobre uma revelação curiosa de um deles, o então lateral-esquerdo Fábio Santos, ao 'dedurar' o meia Douglas, seu parceiro de Corinthians, da bizarra postura de propositalmente urinar no calção durante os jogos.

Provocativo, Douglas ainda passava a mão com urina nos seus companheiros, quando da comemoração de gols de sua equipe, revelou Fábio Santos, no depoimento em Podcast no canal CNN, em junho de 2024, período que ele já havia encerrado a carreira e atuava como analista de futebol na ESPN.

E acrescentou: “Imagina a sunga do maluco depois do jogo. A gente fechava antes da partida, na roda de oração, eu olhava para baixo e já estava descendo da perna dele. Eu falava: 'Você é nojento, velho'. Quando saía um gol, um começava a pular no outro, e ele passava a mão no calção e depois no rosto dos caras. E eu já falava: ‘Sai de perto, sai daqui’. Você é Maluco, muito porco", confidenciou Fábio Santos.

Ambos particiaram do melhor ano do futebol do Corinthians, em 2012. Primeiro no título da Libertadores diante do Boca Juniors; depois a conquista do Mundial de Clubes da FIFA, na vitória por 1 a 0 sobre o Chelsea, com gol do peruano Paolo Guerrero. Eles também foram companheiros no Grêmio (RS) em 2010, quando o estilo bem característico de Fábio Santos era saber fazer ultrapassagem ao ataque, assistência em lances de gols, além de cobrador oficial de pênalti.

A rigor, ele foi bicampeão do Mundial de Clubes, pois integrava o elenco do São Paulo em 2005, clube que o revelou dois anos antes, sem que se fixasse como titular, principalmente com a contratação do lateral-esquerdo Júnior - ex-Palmeiras.

O paulistano Fábio Santos Romeu, de 40 anos, chegou ao Corinthians em 2011, para ocupar o lugar de Roberto Carlos, e inicialmente ficou até 2015, depois passando por Cruz Azul (MEX) e Atlético Mineiro. O retorno ao Timão ocorreu em 2020, atuando por mais três anos. Ele também jogou no Kashima Antlers (JA), Cruzeiro, Mônaco (FRA) e Santos.

Na Seleção Brasileira, a primeira convocação ocorreu em 2012, chamado pelo treinador Mano Menezes. Quatro anos depois o comandante Tite também o chamou e ele atuou contra o Peru, em Lima, em jogo pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Carpegiane, sucesso como atleta e treinador

O próximo sete de fevereiro vai marcar os 77 anos de idade do ex-meio-campista e ex-treinador Paulo César Carpegiani, gaúcho de Erechim, uma história de 48 anos atuando no futebol, 11 deles enquanto atleta de sucesso no Inter (RS) e Flamengo, e registro de carreira prolongada de 37 anos na condição de treinador, a partir de 1981.

Enquanto atleta, inicialmente mostrou-se um meia de armação capacitado pelos passes longos de altíssima precisão, além dribles curtos e objetivos, quando formou trio de meio-de-campo com Caçapava e Falcão, durante a conquista do bicampeonato brasileiro do Inter no biênio 1975/76. Todavia, como o futebol gaúcho sempre recomendou alta competitividade, assim assimilou o bom poder de marcação.

Ele chegou ao Flamengo em 1977, mas uma lesão no joelho, dois anos antes, com cirurgia de menisco, serviu para limitar bastante a carreira dele, que se prolongou até 1980, quando atuou ao lado do meia Zico e lateral-esquerdo Júnior. No ano seguinte, a direção do clube o lançou como treinador 'tampão' e, de imediato, conquistou títulos da Libertadores, Mundial de Clube e Carioca, enquanto na temporada seguinte foi campeão do Brasileirão.

Como jogador, atuou no Internacional e Flamengo, além da Seleção Brasileira, com participação na Copa do Mundo de 1974, em substituição do volante Clodoaldo. Foi quando preferiu não ser identificado como apenas como Paulo César – a exemplo do Inter -, para que não foi feita confusão com o outro famoso Paulo Cézar, o Caju.

Como treinador, além de se destacar no Flamengo, pergunta-se em qual grande clube brasileiro não trabalhou? A carreira se extendeu até 2018 no Vitória da Bahia, com passagens ainda por São Paulo (duas vezes), Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro, Athletico Paranaense, Coritiba, Ponte Preta, Barcelona de Guaiaquil (EQU), Cerro Porteño (PAR), Al Nasser (Arábia Saudita), e as seleções paraguaia e do Kwait.

Na seleção paraguaia, ele montou um time que ganhou respeito, principalmente pelo setor defensivo, que contava com o goleiro José Luis Chilavert, o lateral-direito Francisco Arce (que atuou por Grêmio e Palmeiras) e uma dupla de zaga com Celso Ayala e Carlos Gamarra. Este último, no auge da forma, não cometeu uma falta sequer na Copa do Mundo de 1998, com chegada até às oitavas de final, perdendo para a campeã daquela edição, a França.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Fogos, relação com futebol

 

Estampidos provocados por rojões podem ser comunicado de que entorpecentes chegaram a determinada localidade. Outrora poderia ser aviso de que algum clube marcou gol. Todavia, por questão de segurança, desde meados da década de 70 do século passado, proibiram acesso de torcedores aos estádios com fogos de artifício. Eles se transformaram em armas nos confrontos de torcidas rivais.

Na década de 40, quando se constatava comportamento civilizado de torcedores, em vez de alambrados bastava uma cerca de madeira de um metro de altura. Até os anos 50 nem era preciso revistar torcedores nos portões de entrada dos estádios, mas três décadas depois foi necessário um pacote de medidas para garantir segurança durante a realização de jogos. Impediram acesso de bandeira com mastro inferior a 4m de altura, instrumento de percussão, guarda-chuva de ponta e até radinho de pilha, uma das medidas posteriormente revogada.

Que foguetório! Aquela fumaceira deixava tudo embaçado. Alguns gaiatos mal sabiam manusear rojões e sofriam queimaduras, mutilações nos dedos, danos nos olhos e até surdez.

Bons tempos em que os jogadores só subiam aos gramados minutos antes das partidas, plenamente aquecidos nos vestiários. Depois, preparadores físicos importaram da Europa a metodologia de aquecê-los nos gramados antes de se uniformizarem. Aí ficou sem graça a posterior saudação dos torcedores.

Outrora, editores de jornais não priorizavam imagens em movimento. Publicavam fotos posadas do time da casa, restritas aos 11 jogadores e o massagista, ocasião que os agachados deixavam a parte posterior da coxa encostada na panturrilha, enquanto hoje nem se pode dizer que a turma da frente fica agachada, já que sequer dobra os joelhos.

Se nos estádios a rigorosa fiscalização sobre fogos inibe torcedores, fora deles os abusos continuam, inclusive com representantes de torcidas organizadas programando brigas em locais pré-determinados, municiados de barras de ferro, facas e rojões.

Tal como aqui, na Alemanha torcedores usam rojões como arma nos conflitos fora dos estádios, mesmo com punições severas aplicadas aos desordeiros. Na Áustria, na virada do século, o goleiro Georg Koch, do Rapud, perdeu parte da audição após ser atingido no ouvido por fogos de artifício. Na Argentina, baterias de fogos provocam barulho ensurdecedor em jogos importantes dos rivais.


domingo, 11 de janeiro de 2026

OTD foi o presidente mais marcante na Portuguesa

Como a Portuguesa de Desportos está em evidência, participando do Paulistão, cabe recapitular um pouco de sua história e citar o seu saudoso presidente Osvaldo Teixeira Duarte, que morreu em outubro de 1990, e comandou o clube entre os anos 70 e 80 do século passado, e hábito de entrar em rota de colisão com profissionais da imprensa.

Ele ‘peitava’ os principais jornais de São Paulo, com alegação que desdenhavam o seu clube. Aí o revide foi omissão do nome dele, que passou a ser identificado pelas inicias: OTD. Nem por isso ele modificou a sua conduta, assim como entrou em rota de colisão com a Federação Paulista de Futebol.

Em 1984, no regresso ao clube, exigiu vetos de árbitros da velha guarda em jogos de seu clube. Na relaão estavam Dulcídio Vanderlei Boschilia, José Assis Aragão, Roberto Nunes Morgado e Romualdo Arpi Filho. Quando a Lusa foi à final do Paulistão em 1985 contra o São Paulo, a entidade foi obrigada a escalar o desconhecido José Carlos Nascimento para apitar.

O temperamento intempestivo dele já havia sido observado em 1972, ao dispensar seis jogadores após derrota para o Santa Cruz por 1 a 0, no Estádio Parque Antártica. Marinho Perez, Lorico, Piau, Samarone, Ratinho e Hector Silva foram responsabilizados. OTD cobrava resultados e não tolerava erros grosseiros dos homens que comandavam o futebol. Assim, naquele período as campanhas do clube foram aceitáveis.

Igualmente as reformas no Estádio do Canindé foram feitas na gestão dele, trocando arquibancadas de madeira pela estrutura de cimento. Liderou campanhas de doações de materiais de construção, e em 1972 inaugurou obras do estádio, que posteriormente recebeu o nome dele.

Na segunda reeleição em 1974, ele agitou a colônia portuguesa ao elevar de 17.066 para 70 mil o número de associados do clube. Com domínio absoluto da situação, ele sabia até quantas toalhas estavam na sauna. Exigia que os departamentos economizassem custos. Assim conduziu o clube, para depois buscar lideranças visando sucedê-lo.

O último momento marcante do clube foi em 1996, com o vice-campeonato brasileiro. Também continuam lembrados idolos e pontas-de-lança exímios cabeceadores como Leivinha, Enéas e Servílio (os dois últimos falecido), além dos atacantes habilidosos Ivair e Dêner, e os zagueiros Ditão e Marinho Perez, os quatro últimos falecidos.


domingo, 4 de janeiro de 2026

Ex-meia Djalminha trouxe ao Brasil a 'cavadinha'


A displicência do atacante Gabigol, então do Cruzeiro, na 'cavadinha' em cobrança de pênalti e recuo de bola ao goleiro Hugo Souza, do Corinthians, implicou em perda do prêmio de R$ 33 milhões ao clube mineiro, na fase semifinal da Copa do Brasil.

E por que a volta sobre o assunto, se o atleta já se transferiu ao Santos? Porque o 'rei' das cavadinhas, no futebol brasileiro, foi o ex-meia Djalminha, desde quando se profissionalizou no Flamengo em 1989. O inventor dessa 'controvérsia' foi tchecoslovaco Antonio Panenka, em 1976.

Ao se desentender com o então ponteiro-direito Renato Gaúcho, no elenco flamenguista, o espaço de Djalminha foi encurtado no clube, o que facilitou a transferência para o Guarani, em 1993, com posterior empréstimo ao futebol japonês e repasse em definitivo ao Palmeiras, nos tempos de Parmalat.

Ele foi um talento que arrancou aplausos pela facilidade de bater na bola, colocar parceiros na cara do gol, e deixar a sua marca, muitos desses gols através de cobranças de faltas. Foi um líder que cobrava desempenho dos companheiros, porém de temperamento explosivo. Quando tocava a bola de primeira e recebia um passe 'quadrado', dava bronca. Numa amistoso do Guarani contra o Lázio da Itália, em Campinas, 'bateu boca' e quase saiu braço com o zagueiro Claudio.

Pior em 2002, no La Coruna da Espanha, quando se desentendeu e agrediu o seu treinador Javier Irureta com uma cabeçada. E decorrência do ato, foi afastado do clube e os direitos econômicos negociados com o Áustria Viena. E também foi cortado pelo treinador Luiz Felipe Scolari - o Felipão - da Seleção Brasileira, durante a fase preparatória à Copa do Mundo daquele ano. Encerrava ali o seu espaço percorrido no selecionado, desde 1997.

A carreira de Djalma Feitosa Filho foi encerrada no América do México, em 2004. Ele completou 65 anos de idade em dezembro passado, e mantém uma empresa de showbol, um jogo com regras adaptadas do futebol, praticado em quadra de grama sintética, de 42x22 metros, com seis jogadores distribuídos para cada equipe.

Ele é filho do falecido Djalma Dias, que fez sucesso no América (RJ), Palmeiras, Santos e Botafogo (RJ), um baita zagueiro nos anos 60/70, e injustiçado na Seleção Brasileira. Após participar das Eliminatórias à Copa do Mundo de 1970, no México, lamentável e injustificadamente ficou de fora.