segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Carpegiane, sucesso como atleta e treinador

O próximo sete de fevereiro vai marcar os 77 anos de idade do ex-meio-campista e ex-treinador Paulo César Carpegiani, gaúcho de Erechim, uma história de 48 anos atuando no futebol, 11 deles enquanto atleta de sucesso no Inter (RS) e Flamengo, e registro de carreira prolongada de 37 anos na condição de treinador, a partir de 1981.

Enquanto atleta, inicialmente mostrou-se um meia de armação capacitado pelos passes longos de altíssima precisão, além dribles curtos e objetivos, quando formou trio de meio-de-campo com Caçapava e Falcão, durante a conquista do bicampeonato brasileiro do Inter no biênio 1975/76. Todavia, como o futebol gaúcho sempre recomendou alta competitividade, assim assimilou o bom poder de marcação.

Ele chegou ao Flamengo em 1977, mas uma lesão no joelho, dois anos antes, com cirurgia de menisco, serviu para limitar bastante a carreira dele, que se prolongou até 1980, quando atuou ao lado do meia Zico e lateral-esquerdo Júnior. No ano seguinte, a direção do clube o lançou como treinador 'tampão' e, de imediato, conquistou títulos da Libertadores, Mundial de Clube e Carioca, enquanto na temporada seguinte foi campeão do Brasileirão.

Como jogador, atuou no Internacional e Flamengo, além da Seleção Brasileira, com participação na Copa do Mundo de 1974, em substituição do volante Clodoaldo. Foi quando preferiu não ser identificado como apenas como Paulo César – a exemplo do Inter -, para que não foi feita confusão com o outro famoso Paulo Cézar, o Caju.

Como treinador, além de se destacar no Flamengo, pergunta-se em qual grande clube brasileiro não trabalhou? A carreira se extendeu até 2018 no Vitória da Bahia, com passagens ainda por São Paulo (duas vezes), Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro, Athletico Paranaense, Coritiba, Ponte Preta, Barcelona de Guaiaquil (EQU), Cerro Porteño (PAR), Al Nasser (Arábia Saudita), e as seleções paraguaia e do Kwait.

Na seleção paraguaia, ele montou um time que ganhou respeito, principalmente pelo setor defensivo, que contava com o goleiro José Luis Chilavert, o lateral-direito Francisco Arce (que atuou por Grêmio e Palmeiras) e uma dupla de zaga com Celso Ayala e Carlos Gamarra. Este último, no auge da forma, não cometeu uma falta sequer na Copa do Mundo de 1998, com chegada até às oitavas de final, perdendo para a campeã daquela edição, a França.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Fogos, relação com futebol

 

Estampidos provocados por rojões podem ser comunicado de que entorpecentes chegaram a determinada localidade. Outrora poderia ser aviso de que algum clube marcou gol. Todavia, por questão de segurança, desde meados da década de 70 do século passado, proibiram acesso de torcedores aos estádios com fogos de artifício. Eles se transformaram em armas nos confrontos de torcidas rivais.

Na década de 40, quando se constatava comportamento civilizado de torcedores, em vez de alambrados bastava uma cerca de madeira de um metro de altura. Até os anos 50 nem era preciso revistar torcedores nos portões de entrada dos estádios, mas três décadas depois foi necessário um pacote de medidas para garantir segurança durante a realização de jogos. Impediram acesso de bandeira com mastro inferior a 4m de altura, instrumento de percussão, guarda-chuva de ponta e até radinho de pilha, uma das medidas posteriormente revogada.

Que foguetório! Aquela fumaceira deixava tudo embaçado. Alguns gaiatos mal sabiam manusear rojões e sofriam queimaduras, mutilações nos dedos, danos nos olhos e até surdez.

Bons tempos em que os jogadores só subiam aos gramados minutos antes das partidas, plenamente aquecidos nos vestiários. Depois, preparadores físicos importaram da Europa a metodologia de aquecê-los nos gramados antes de se uniformizarem. Aí ficou sem graça a posterior saudação dos torcedores.

Outrora, editores de jornais não priorizavam imagens em movimento. Publicavam fotos posadas do time da casa, restritas aos 11 jogadores e o massagista, ocasião que os agachados deixavam a parte posterior da coxa encostada na panturrilha, enquanto hoje nem se pode dizer que a turma da frente fica agachada, já que sequer dobra os joelhos.

Se nos estádios a rigorosa fiscalização sobre fogos inibe torcedores, fora deles os abusos continuam, inclusive com representantes de torcidas organizadas programando brigas em locais pré-determinados, municiados de barras de ferro, facas e rojões.

Tal como aqui, na Alemanha torcedores usam rojões como arma nos conflitos fora dos estádios, mesmo com punições severas aplicadas aos desordeiros. Na Áustria, na virada do século, o goleiro Georg Koch, do Rapud, perdeu parte da audição após ser atingido no ouvido por fogos de artifício. Na Argentina, baterias de fogos provocam barulho ensurdecedor em jogos importantes dos rivais.


domingo, 11 de janeiro de 2026

OTD foi o presidente mais marcante na Portuguesa

Como a Portuguesa de Desportos está em evidência, participando do Paulistão, cabe recapitular um pouco de sua história e citar o seu saudoso presidente Osvaldo Teixeira Duarte, que morreu em outubro de 1990, e comandou o clube entre os anos 70 e 80 do século passado, e hábito de entrar em rota de colisão com profissionais da imprensa.

Ele ‘peitava’ os principais jornais de São Paulo, com alegação que desdenhavam o seu clube. Aí o revide foi omissão do nome dele, que passou a ser identificado pelas inicias: OTD. Nem por isso ele modificou a sua conduta, assim como entrou em rota de colisão com a Federação Paulista de Futebol.

Em 1984, no regresso ao clube, exigiu vetos de árbitros da velha guarda em jogos de seu clube. Na relaão estavam Dulcídio Vanderlei Boschilia, José Assis Aragão, Roberto Nunes Morgado e Romualdo Arpi Filho. Quando a Lusa foi à final do Paulistão em 1985 contra o São Paulo, a entidade foi obrigada a escalar o desconhecido José Carlos Nascimento para apitar.

O temperamento intempestivo dele já havia sido observado em 1972, ao dispensar seis jogadores após derrota para o Santa Cruz por 1 a 0, no Estádio Parque Antártica. Marinho Perez, Lorico, Piau, Samarone, Ratinho e Hector Silva foram responsabilizados. OTD cobrava resultados e não tolerava erros grosseiros dos homens que comandavam o futebol. Assim, naquele período as campanhas do clube foram aceitáveis.

Igualmente as reformas no Estádio do Canindé foram feitas na gestão dele, trocando arquibancadas de madeira pela estrutura de cimento. Liderou campanhas de doações de materiais de construção, e em 1972 inaugurou obras do estádio, que posteriormente recebeu o nome dele.

Na segunda reeleição em 1974, ele agitou a colônia portuguesa ao elevar de 17.066 para 70 mil o número de associados do clube. Com domínio absoluto da situação, ele sabia até quantas toalhas estavam na sauna. Exigia que os departamentos economizassem custos. Assim conduziu o clube, para depois buscar lideranças visando sucedê-lo.

O último momento marcante do clube foi em 1996, com o vice-campeonato brasileiro. Também continuam lembrados idolos e pontas-de-lança exímios cabeceadores como Leivinha, Enéas e Servílio (os dois últimos falecido), além dos atacantes habilidosos Ivair e Dêner, e os zagueiros Ditão e Marinho Perez, os quatro últimos falecidos.


domingo, 4 de janeiro de 2026

Ex-meia Djalminha trouxe ao Brasil a 'cavadinha'


A displicência do atacante Gabigol, então do Cruzeiro, na 'cavadinha' em cobrança de pênalti e recuo de bola ao goleiro Hugo Souza, do Corinthians, implicou em perda do prêmio de R$ 33 milhões ao clube mineiro, na fase semifinal da Copa do Brasil.

E por que a volta sobre o assunto, se o atleta já se transferiu ao Santos? Porque o 'rei' das cavadinhas, no futebol brasileiro, foi o ex-meia Djalminha, desde quando se profissionalizou no Flamengo em 1989. O inventor dessa 'controvérsia' foi tchecoslovaco Antonio Panenka, em 1976.

Ao se desentender com o então ponteiro-direito Renato Gaúcho, no elenco flamenguista, o espaço de Djalminha foi encurtado no clube, o que facilitou a transferência para o Guarani, em 1993, com posterior empréstimo ao futebol japonês e repasse em definitivo ao Palmeiras, nos tempos de Parmalat.

Ele foi um talento que arrancou aplausos pela facilidade de bater na bola, colocar parceiros na cara do gol, e deixar a sua marca, muitos desses gols através de cobranças de faltas. Foi um líder que cobrava desempenho dos companheiros, porém de temperamento explosivo. Quando tocava a bola de primeira e recebia um passe 'quadrado', dava bronca. Numa amistoso do Guarani contra o Lázio da Itália, em Campinas, 'bateu boca' e quase saiu braço com o zagueiro Claudio.

Pior em 2002, no La Coruna da Espanha, quando se desentendeu e agrediu o seu treinador Javier Irureta com uma cabeçada. E decorrência do ato, foi afastado do clube e os direitos econômicos negociados com o Áustria Viena. E também foi cortado pelo treinador Luiz Felipe Scolari - o Felipão - da Seleção Brasileira, durante a fase preparatória à Copa do Mundo daquele ano. Encerrava ali o seu espaço percorrido no selecionado, desde 1997.

A carreira de Djalma Feitosa Filho foi encerrada no América do México, em 2004. Ele completou 65 anos de idade em dezembro passado, e mantém uma empresa de showbol, um jogo com regras adaptadas do futebol, praticado em quadra de grama sintética, de 42x22 metros, com seis jogadores distribuídos para cada equipe.

Ele é filho do falecido Djalma Dias, que fez sucesso no América (RJ), Palmeiras, Santos e Botafogo (RJ), um baita zagueiro nos anos 60/70, e injustiçado na Seleção Brasileira. Após participar das Eliminatórias à Copa do Mundo de 1970, no México, lamentável e injustificadamente ficou de fora.